O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara
O rei de Havana
Editora Alfaguara
Ano: 2017
Número de páginas: 184
Cortesia da Editora

Pedro Juan Gutiérrez é, sem nenhuma dúvida, um dos autores mais intensos e contundentes que já tive a oportunidade de ler. Em O rei de Havana, publicado no Brasil pela Editora Alfaguara, Gutiérrez nos envolve e até mesmo choca com sua linguagem crua, direta e sem nenhuma "maquiagem". A verdade é que isso não chegou a me surpreender, pois já tive contato com a escrita do autor em Fabián e o caos. De toda forma, verdade e força narrativa são coisas que sempre me deixam encantada, e isso há de sobra aqui.

A história nos apresenta Reinaldo, ou Rei, um garoto cuja vida miserável, marcada por uma tragédia familiar, leva-o a ter que sobreviver, completamente sozinho, em mundo hostil. Após fugir de um reformatório, Rei passa a perambular pelas ruas de Havana, relacionando-se com pessoas tão sujas e tão miseráveis quanto ele, que vão desde prostitutas, que topam qualquer parada, até velhas (velhas mesmo) que fazem qualquer coisa para relacionar-se com um garoto. E é nesse meio improvável, regado a muito rum, muita sujeira e muito sexo, que Rei encontra, a sua maneira, um amor autodestrutivo.

Embora o narrador seja em terceira pessoa, o foco narrativo se mantém em Rei, fazendo com que haja bastante envolvimento da parte do leitor em relação ao protagonista. Rei é um personagem que nos toca profundamente em seu desamparo. Por vezes sentimos o peito apertar. A narrativa é acre e visceral, os personagens mostram-se apáticos diante de sua crescente degradação. O rei de Havana é uma obra para quem busca uma leitura profunda, um mergulho na essência do humano.

O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

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A zona morta, de Stephen King - Editora Suma de Letras

A zona morta, de Stephen King - Editora Suma de Letras
A zona morta
Autor: Stephen King
Editora Suma
Ano: 2017
Número de páginas: 479
Cortesia da Editora

Quando penso que Stephen King não pode mais me surpreender, leio mais um de seus livros e descubro que estava errada. Com que gosto li A zona morta, publicado pela Editora Suma de Letras, e me descobri reencontrando personagens de Cujo, outro livro do autor que li recentemente. Não direi que personagens são esses, e como eles aparecem, para não estragar a surpresa daqueles que quiserem ler os dois livros. 

A obra conta a história do jovem professor John Smith, que vive um início de namoro com a também jovem professora Sarah Bracknell. Os dois passam horas agradáveis, divertindo-se em uma feira regional, mas na hora de voltar para casa, John decide dar uma parada em uma barraca para jogar roleta. Algo estranho ocorre. Utilizando-se de premonições sobre os números a serem jogados, John ganha uma boa quantia em dinheiro. Porém, sua sorte não está tão boa assim, pois ao voltar para casa, após despedir-se de Sarah, John sofre um grave acidente de carro e fica em coma por quase cinco anos.

A zona morta, de Stephen King - Editora Suma de LetrasQuando ninguém mais esperava que o nosso protagonista acordasse, ele começa a dar sinais de vida. Como dá para imaginar, o seu retorno ao mundo dos vivos não será nada fácil. Além das questões físicas, pois os ligamentos de seu corpo já estavam começando a atrofiar, John terá de enfrentar uma realidade completamente diferente da que conhecia há cinco anos. Sua mãe está ficando maluca e sua namorada casou-se com outro homem. Mas ainda há um outro problema: as habilidades premonitórias de John estão ainda mais fortes, basta que ele toque em alguém, ou em algum objeto para que tenha uma de suas visões. E não é muito fácil lidar com isso.

John consegue dar uma utilidade a esse seu talento ajudando a polícia a descobrir quem é o serial killer que aterroriza a cidade de Castle Rock (esse é o momento em que reencontramos personagens de Cujo). Quando a tranquilidade parecia estar de volta à vida de John, ele aperta a mão de um candidato durante uma campanha política. O que ele vê o aterroriza de tal forma, que ele passa a viver em função disso. É então que inicia o 
grande dilema da vida de John.

Pense em um livro que verdadeiramente prende o leitor. King é mesmo um mestre, sabendo dosar muito bem elementos de suspense, de drama e de paranormalidade, com uma pitada de romance. John é um personagem que nos comove profundamente. Imagine dormir, em um certo dia, com uma vida feliz, emprego, namorada e tudo nos eixos e acordar no outro dia com sua vida virada de cabeça para baixo. O relacionamento de John e Sarah também é muito comovente. O sentimento que os une é muito verdadeiro, é impossível não torcer pelos dois. O texto, como todos os que já li de King, é impecável. O autor vai largando alguns elementos que parecem soltos e que, no decorrer da narrativa, vão se juntando, como se fosse um quebra-cabeça, para no final fazer todo o sentido.  De um a dez, dou nota mil para A zona morta.

A zona morta, de Stephen King - Editora Suma de Letras


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Anna e o Planeta, de Jostein Gaarder - Editora Seguinte

Anna e o Planeta, de Jostein Gaarder - Editora Seguinte
Anna e o Planeta
Autor: Jostein Gaarder
Editora Seguinte
Ano: 2017
Número de páginas: 168
Skoob
Cortesia da editora.

Se você é do tipo que defende ou simpatiza com a causa do nosso tão maltratado planeta Terra e sua conservação, Anna e o Planeta, do escritor  norueguês  Jostein Gaarder, Editora Seguinte, é um livro escrito para você. A personagem que dá nome ao livro, é uma garota que está prestes a completar dezesseis primaveras, e começa a ter uns sonhos meio estranhos com Nova, a menina que será sua bisneta, no ano de 2082.

Através dessas mensagens, a nossa jovem protagonista descobre que, no futuro, o planeta será devastado, ao ponto de o único contato com a maior parte de nossa flora e de nossa fauna se dar de forma virtual. Por causa desses sonhos, e pelo modo como Anna os leva a sério, os pais da moça decidem levá-la  para consultar com um psiquiatra. O Dr. Benjamin mostrou-se, além de um bom médico, um bom amigo, compartilhando com a protagonista alguns de seus ideais. Então, iniciamos uma jornada, em companhia de Anna, para descobrir se os sonhos da garota são, de fato, realidade ou se não passam de fantasia.

A obra levanta a bandeira da defesa do planeta e de sua biodiversidade, sem tornar-se excessivamente didática ou panfletária, o que é muito positivo. A leitura é leve e agradável, o texto flui e prende a atenção ao mesmo tempo, pois nos mantém engajados com a luta de Anna, que se torna a nossa luta também. Além de uma ótima leitura, a obra nos traz uma excelente reflexão sobre os rumos que estamos tomando, no que se refere à preservação do planeta, e sobre o nosso papel nesse contexto. Foi minha primeira leitura de Jostein Gaarder e, depois dessa, estou animada para começar O mundo de Sofia e todos os demais livros do autor. Anna e o Planeta, é  uma obra juvenil, mas possui todos os ingredientes para agradar o público adulto também. 

Anna e o Planeta, de Jostein Gaarder - Editora Seguinte

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O órfão de Hitler, de Paul Dowswell - Editora Planeta

O órfão de Hitler, de Paul Dowswell - Editora Planeta
O órfão de Hitler
Autor: Paul Dowswell
Ano: 2016
Número de páginas: 272
Cortesia da Editora

Ambientado na Alemanha hitleriana, O órfão de Hitler, de Paul Dowswell, é mais uma grata surpresa da Editora Planeta. Digo isso porque, embora tenha escolhido ler esse livro por ser apaixonada pelo tema, devo confessar que tive um certo receio de que a obra repetisse um pouco do que se encontra em O menino no alto da montanha, de John Boyne. Em ambos os livros nos deparamos com meninos órfãos que precisam sobreviver à Alemanha de Hitler, e que têm como marca do início de uma nova vida a mudança de nomes. No livro de Boyne, Pierrot torna-se Pieter; no livro de Dowswell, Piotr torna-se Peter. Mas posso garantir que as semelhanças param por aí. Definitivamente, O órfão de Hitler  é um livro com personalidade própria e, sobretudo, com brilho próprio.

O órfão de Hitler, de Paul Dowswell - Editora PlanetaA história inicia com Piotr, um menino polonês, recém órfão, e muito assustado, que acaba de cair nas mãos dos nazistas. Nesse início conseguimos vislumbrar, através de analepses, um pouco como era a vida do menino em família, até o momento em que seus pais morrem. Mas Piotr é um garoto de sorte (ou não, dependendo do ponto de vista), pois em virtude de sua aparência ariana, o jovem é acolhido pela comunidade nazista, indo viver com a família Kaltenbach, composta pelo professor Franz Kaltenbach, sua esposa e suas três filhas. 

Convivendo com nazistas, Piotr começa a aprender sobre as maravilhas do nazismo, que pretende depurar a humanidade, livrando-a de raças impuras. A saudação Heil Hitler passa a fazer parte de sua vida. Piotr passa a se chamar Peter e torna-se um jovem hitleriano exemplar. Mas embora o menino tenha mudado por fora e se adaptado completamente, em seu íntimo ele era atormentado por dúvidas e medos. Aos poucos Peter vai percebendo a crueldade do sistema ao qual ele agora pertence. É nesse momento que ele conhece jovens que, como ele, não aceitam o nazismo, entre eles a jovem Anna, o que marcará uma nova e perigosa mudança em sua vida. 

O que mais me tocou no livro foi a mensagem de esperança que ele passou, com a ideia de que sempre haverá pessoas dispostas a resistirem, a não sucumbirem às crueldades do mundo. Sobretudo, pessoas dispostas a se ajudarem mutuamente. A escrita do autor é deliciosa, compensando o peso do tema e os momentos de tensão pelos quais o leitor passa no desenrolar da narrativa. É uma leitura repleta de humanidade, que nos emociona e que, mesmo após concluída, custa a sair de nossos pensamentos. Livro mais que recomendado.

O órfão de Hitler, de Paul Dowswell - Editora Planeta

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O segredo do alquimista (Ben Hope 1), de Scott Mariani

O segredo do alquimista, de Scott Mariani
O segredo do alquimista
Autor: Scott Mariani
Editora Fundamento
Ano: 2014
Número de páginas: 384
Cortesia da editora

O segredo do alquimista, de autoria de Scott Mariani, publicado no Brasil pela Editora Fundamento, é o primeiro livro da série Ben Hope. Simplesmente não dá para largar esse livro! Benedicte Hope, ou Ben Hope, é o nosso protagonista, um homem atormentado por um acontecimento do passado sobre o qual nada sabemos no início da narrativa. Ben trabalha resgatando vítimas de sequestro, e é muito bom no que faz. Ele não acredita que a melhor forma de resolver um sequestro seja envolvendo a polícia, pois na maioria dos casos a vítima não sobrevive. Então, ele resgata essas pessoas, em sua maioria crianças, com muito sucesso.

O segredo do alquimista (Ben Hope 1), de Scott MarianiApós concluir mais um trabalho bem sucedido, Ben é perturbado em seu descanso pelo telefonema de um homem que se denomina Alexander Velliers, funcionário de Sebastian Fairfax, dizendo que seu patrão solicita os seus serviços. Ao encontrar-se com Fairfax para saber detalhes do trabalho, Hope descobre que ele deverá encontrar, não uma pessoa, mas um manuscrito feito por um alquimista chamado Fulcanelli, que teria vivido no início do século passado, e desaparecido sem deixar pistas. Sabendo que tal manuscrito salvará a vida de uma criança, Ben aceita o desafio. 

É então que sua vida vira de cabeça para baixo, e ele, acompanhado de Roberta, uma pesquisadora que estuda a alquimia, começa a ser perseguido por uma sociedade secreta da qual ele nada sabe. A narrativa possui um ritmo bastante acelerado, o que nos torna cativos da obra, pois ficamos sempre querendo saber o que acontecerá a seguir. A trama é muito inteligente e nos envolve desde o início, nos deixando intrigados a cada mistério novo que surge. Acredito que um dos pontos fortes do livro seja o aspecto íntimo de Ben, que mesmo sendo um homem de ação, treinado para as maiores adversidades, possui um conflito interno, e é justamente isso que o leva a resgatar crianças sequestradas. Conseguimos acompanhar, junto com a peripécias pelas quais Ben passa, uma mudança que ocorre em sua forma de sentir, e em como ele demonstra  os próprios sentimentos. Gostei muito de como os personagens se estruturam, de como eles foram construídos de forma tão convincente. Devo confessar que já estou querendo muito ler o livro 2 da série. Recomendo a obra àqueles que gostam de sentir-se arrebatados por uma leitura gostosa.

O segredo do alquimista (Ben Hope 1), de Scott Mariani

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Poesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das Letras

Poesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das Letras
Poesias reunidas
Editora Companhia das Letras
Ano: 2017
Número de páginas: 328
Cortesia da editora

A leitura de poemas é algo sempre tão subjetivo que, por vezes, fica difícil de falar sobre esse gênero literário. No entanto, tentarei deixar aqui as minhas impressões sobre esse livro, principalmente por entender o valor que uma obra desse quilate tem para a literatura brasileira. Poesias reunidas, de Oswald de Andrade, é um presente da Editora Companhia das Letras aos amantes da boa poesia. 

Poesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das LetrasOswald de Andrade, foi um dos mais polêmicos e mais ativos modernistas. Além de poemas, escreveu romances, peças de teatro, crônicas, ensaios e manifestos. Essa publicação reúne a obra poética do autor em um só volume. Além disso, ao final do livro encontramos a sua fortuna crítica, Com textos de Carlos Drummond de Andrade, Haroldo de Campos e Mário da Silva Brito.Uma das coisas que mais me seduz na poesia de Oswald Andrade é sua capacidade de dizer muito com tão poucas palavras. Seus poemas, quase sempre tão enxutos, rendem-nos boas reflexões. Veja, por exemplo, o poema Erro de português, transcrito abaixo:

Quando o português chegou
Debaixo d'uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio teria despido
O português

Outra coisa que me encanta é a mistura da poesia com as artes visuais, que ocorre em alguns poemas do autor. Um dos exemplos de que mais gosto é o poema As quatro gares, que consegue, em quatro tópicos de poucas palavras e alguns desenhos, resumir uma vida inteira. O poema foi publicado originalmente no livro Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade. Perceba que os desenhos que compõem o poema lembram rascunhos infantis. 


Poesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das LetrasPoesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das Letras


Alguns dos poemas presentes na obra já eram do meu conhecimento, mas garanto que, tanto os textos conhecidos, quantos aqueles com os quais tive o primeiro contato, valem ser lidos e relidos. Leitura mais que recomendada!


Poesias reunidas, de Oswald de Andrade - Editora Companhia das Letras

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A História do século XX, de Martin Gilbert - Editora Planeta

A História do século XX, de Martin Gilbert - Editora Planeta
A história do século XX
Editora Planeta
Ano: 2016
Número de páginas: 856
Cortesia da editora.

Os fatos históricos ocorridos entre os anos de 1900 a 1999 são narrados nesse livro de forma detalhada e organizada. A história do século XX, de Martin Gilbert, foi publicado pelo selo Crítica, da Editora Planeta. Acontecimentos como as duas grandes guerras, além das guerras da África do Sul, da Etiópia, da China, da Espanha, da Coréia, do Vietnã, entre outras, são detalhados de forma bem acessível. 

A História do século XX, de Martin Gilbert - Editora Planeta

Na leitura da obra, ficamos com a impressão de que o século XX foi uma espécie de século dos excessos. Enquanto a ciência e a medicina avançaram tremendamente, houve retrocessos causados por tiranos, ditadores e genocidas. Gilbert destaca que o século foi marcado pelo confronto entre a supremacia da lei e a anarquia, entre a defesa dos direitos humanos e a destruição desses direitos.

A História do século XX, de Martin Gilbert - Editora Planeta

O livro possui várias fotografias, em preto e branco, de acontecimentos históricos. Ao final encontramos diversos mapas e um índice remissivo que ajuda bastante quando precisamos encontrar algo específico. A obra é farta em citações, o que me agrada, pois demonstra um embasamento teórico. O trabalho de pesquisa por parte do autor foi impecável. A obra é uma preciosidade para quem aprecia estudos históricos. 

A História do século XX, de Martin Gilbert - Editora Planeta

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Lançamento do livro A cor das almas, de Neide Barth Rosenscheg - Editora Autografia

Lançamento do livro A cor das almas, de Neide Barth Rosenscheg - Editora Autografia
Hoje é dia de boas notícias. A Editora Autografia está lançando o livro A cor das almas, da escritora catarinense Neide Barth Rosenscheg. O romance, ambientado no estado de Santa Catarina, conta a história de um amor proibido. A autora nasceu na cidade de Porto União, e é filha de lavradores rurais. Amante da escrita desde sempre, formou-se em Letras, especializando-se em Literatura Brasileira. É autora também do livro Vidas de vidro

Para saber um pouco mais sobre A cor das almas, leia a sinopse abaixo:

A região norte de Santa Catarina é o cenário do romance A Cor das Almas, que conta a história de um amor proibido, nos tempos em que o preconceito racial era forte e motivo de desavenças. A autora Neide Barth Rosenscheng faz um passeio pela história, com o intuito de levar o leitor para o seu íntimo, fazendo-o revelar o próprio sentimento por intermédio dos personagens do livro.

Independente da raça ou cor da pele, todos trazem cores dentro de si. Foi o que a autora quis dizer ao dar o título à obra. Para ela, o racismo diz respeito apenas à cor da pele, ao exterior, e a cor verdadeira está no interior da alma. Embarque nesta história e se depare com uma bela narrativa.

Lançamento do livro A cor das almas, de Neide Barth Rosenscheg - Editora Autografia


Lançamento do livro A cor das almas, de Neide Barth Rosenscheg - Editora Autografia

Cujo, de Stephen King - Editora Suma de Letras

Cujo, de Stephen King - Editora Suma de Letras
Cujo
Autor: Stephen King
Editora Suma de Letras
Ano: 2016
Número de páginas: 373
Cortesia da editora

Um dócil cão são-bernardo e um perigoso serial killer já morto. Que ligação pode haver entre ambos? A trama de Cujo, de Stephen King, Editora Suma de Letras, desenrola-se na pequena cidade de Castle Rock, no estado norte-americano do Meine. Essa pequena cidade é marcada por uma história de horror que teria ocorrido anos antes do início da narrativa, quando um serial killer, que assassinara mulheres e crianças, suicidou-se após ser descoberto.

Depois desse terrível desfecho a cidade volta a viver em paz. Pena que não será por muito tempo! Ted Trenton, um menino de quatro anos tem um monstro vivendo em seu closet. Um monstro terrível, de olhos vermelhos, que o observa todas as noites. Até aí tudo bem, afinal, imaginação fértil é uma características de crianças nessa idade. O problema é que o monstro que aterroriza as noites de Ted é ninguém menos do que o espírito de Frank Dodd, o serial killer acima mencionado, que está à espreita de uma oportunidade para fazer novas vítimas. No entanto, para Donna e Vic, os pais de Ted, o monstro é apenas um ursinho em cima de uma pilha de cobertores. 


Cujo, de Stephen King - Editora Suma de Letras
Na mesma região vive a família de Joe Camber e seu adorável cão são-bernardo, que atende pelo nome de Cujo. Joe conserta carros, mantendo sua oficina junto à própria residência. Seu relacionamento com a mulher e o filho possui um caráter bastante opressor. Após ser mordido por um morcego e contrair raiva, cujo passa a ser dominado pelo espírito de Dodd. Quando Donna, acompanhada do filho Ted, resolve levar o carro para Joe consertar, terá uma surpresa ao encontrar o antes tão doce Cujo.

Creio que já não é surpresa para ninguém a admiração que tenho pela obra de King. E devo dizer que esse livro não perde em nada para os outros que já li do autor. Stephen King possui um grande domínio da linguagem, utilizando-a, de forma primorosa, a fim de envolver os leitores e de causar os efeitos desejados. Após iniciarmos a leitura, fica simplesmente impossível de largar. Pelo fato de a narrativa apresentar duas possibilidades interpretativas (ou o fantasma do serial killer apoderou-se do cão para fazer mais vítimas, ou todos os acontecimentos não passam de uma grande coincidência e o único problema de cujo é a raiva), a história torna-se muito mais intrigante e envolvente, e nos faz pensar sobre o desenrolar da narrativa mesmo depois de concluída a leitura. Se recomendo a obra? Recomendo mil vezes!


Cujo, de Stephen King - Editora Suma de Letras

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Meia-noite em Pequim, de Paul French

Meia-noite em Pequim, de Paul French
Meia-noite em Pequim
Autor: Paul French
Editora Fundamento
Ano: 2017
Número de páginas: 296
Cortesia da editora

Mais uma bela obra-prima da Editora Fundamento, o livro Meia-noite em Pequim nos traz uma história real, ocorrida na China, no ano de 1937. A obra, escrita pelo pesquisador Paul French, conta a história do assassinato de Pamela Werner, uma jovem inglesa, filha do ex-cônsul britânico Edward Werner. O corpo de Pamela foi encontrado, no dia 8 de janeiro de 1937, próximo à Muralha Tártara, em Pequim com o rosto desfigurado, o sangue drenado, sem o coração e outros órgãos vitais. A possibilidade de assalto é logo descartada, pois junto da moça está o seu valiosíssimo relógio de platina, que parou poucos minutos após a meia-noite.

Meia-noite em Pequim, de Paul FrenchA situação política de Pequim naquele momento não era nada tranquila, pois a cidade estava prestes a ser invadida pelos japoneses, o que já havia ocorrido em outras regiões da China. Nesse contexto conturbado, os policiais Han, membro da polícia chinesa, e Richard Dennis, ex-integrante da Scotland Yard, unem esforços para elucidar o crime, o que não ocorre, até que o caso é dado por encerrado de forma inconclusiva. Edward Werner, inconformado com a morte da filha, decide investigar o crime por conta própria, e descobre que há muito mais corrupção e comprometimento de pessoas importantes da sociedade da época do que ele havia imaginado. A cada descoberta que faz, e a cada prova que consegue juntar, Werner pede ajuda às autoridades, mas é sempre rechaçado por elas. Sozinho, ele consegue desvendar o crime que, no entanto, jamais foi oficialmente solucionado.

Meia-noite em Pequim, de Paul French
Embora trate de um assunto real, o livro apresenta uma escrita dinâmica, que prende a atenção dos amantes de um bom enredo policial. Mas não é só isso. Pelo fato de Paul French ser um estudioso da China, o enredo é permeado de acontecimentos históricos. Logo no início da obra temos uma boa visão de como era constituída a população de Pequim em 1937, de como o povo pequinês conviva com a grande quantidade de estrangeiros que residiam na cidade. Além disso, temos uma visão incrível do submundo do crime nessa sociedade, através das incursões de Edward Werner e de seus investigadores nesse meio.  Quando descobrimos os motivos e as circunstâncias do crime ficamos bastante chocados. Ao final do livro, encontramos algumas fotografias de personagens envolvidos na história, inclusive da jovem Pamela. O que posso dizer é que Meia-noite em Pequim está entre as melhores leituras que fiz este ano.

Meia-noite em Pequim, de Paul French

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Quando a noite cai, de Carina Rissi - Editora Verus

Quando a noite cai, de Carina Rissi - Editora Verus
Quando a noite cai
Autora: Carina Rissi
Verus Editora
Ano: 2017
Número de páginas: 448

Alcançando minha mão, ele resvalou seus lábios em minha palma e a depositou em seu peito, na cavidade sob a qual se abrigava seu coração. 
-Aqui! – Apertou os dedos sobre os meus para que eu sentisse suas batidas violentas. – Isso é você.
- O... o pulso do seu coração? – arrisquei. 
Ele fez que sim.
- página 292 

Já pensou em (literalmente) se apaixonar pelo homem dos seus sonhos? Em viver um amor tão intenso que lhe arranca lágrimas dos olhos? É exatamente o que acontece com Briana Pinheiro, protagonista do mais novo romance de Carina Rissi, intitulado Quando a noite cai, publicado pela Verus Editora em maio deste ano.

Dizer que Briana é uma moça desastrada talvez seja um elogio, já que ela mesma considera-se o desastre em pessoa. A moça nunca consegue permanecer no mesmo emprego por mais do que alguns dias: destrói TVs ao tentar tirar o pó, derruba sessões inteiras no supermercado, entre outros. Aqueles que contratam Briana sempre saem no prejuízo, e a demitem assim que se dão conta disso. E infelizmente para ela, a pensão que sustenta sua família está indo à falência, portanto é crucial que a moça se estabilize em um emprego.

A má sorte de Briana não é o único motivo para sua vida ser uma bagunça. Quando a noite cai, ela sonha que é uma princesa irlandesa, em uma terra com castelos, espadas, magia e, claro, um belíssimo homem por quem é apaixonada. Briana tenta não misturar seu sonho com a realidade, embora saiba que só tem sorte no amor quando está dormindo. 

Até que um dia, após provocar um de seus tradicionais desastres, a moça acaba machucada e é socorrida por um rapaz bonito, gentil e misterioso, chamado Gael. O mundo de Briana vira de cabeça para baixo, quando ela percebe que o homem é exatamente igual àquele que a visita todas as noites em seus sonhos. Porém, a moça logo diferencia os dois: enquanto um é apaixonado por ela, o outro nem sequer a conhece. 

Contudo, Briana percebe que sua sorte está mudando assim que Gael oferece a ela um emprego em sua empresa. A moça aceita a proposta, pensando no sustento da família e em conhecer melhor seu novo chefe, a fim de descobrir por que sonha tanto com ele, sem saber que está prestes a viver um grande amor, que mudará irrevogavelmente a vida dos dois. 

Quando a noite cai é um livro que consegue ser engraçado, misterioso, mágico, emocionante e romântico ao mesmo tempo. Nele, nós vivemos o amor ardente de Briana e Gael, além de conhecermos melhor a Irlanda e a mitologia do país. Concluí a leitura, mas a história continua marcada em meu coração. Só o que me resta fazer é parabenizar a autora, Carina Rissi, e pedir que todos leiam esse livro assim que possível. Vocês vão amar cada página!

Quando a noite cai, de Carina Rissi - Editora Verus

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Herdeiro da escuridão, de Paul Cleave - Editora Fundamento

Herdeiro da escuridão, de Paul Cleave - Editora Fundamento
Herdeiro da escuridão
Autor: Paul Cleave
Editora Fundamento
Ano: 2011
Número de páginas: 336
Cortesia da Editora

Recentemente li outro livro de Paul Cleave, cujo título é A sétima morte,  também da Editora Fundamento, e fiquei bastante impressionada com o dinamismo da obra. Pois muito bem, em Herdeiro da escuridão, o autor conseguiu suplantar as minhas expectativas. Trata-se, de fato, de um livro de suspense muito bom. Assim como aconteceu com a primeira leitura do autor, consegui me enxergar, por vezes, dentro de um filme de suspense.

O livro conta a história de Edward Hunter, um homem comum, casado, tem uma filha pequena e trabalha como contador. Sua vida é tranquila e feliz, mas ele carrega o estigma de ser filho de um perigoso serial killer, preso há alguns anos, responsável, de forma indireta, pelas mortes de sua mãe e de sua irmã. Eddie cresceu convivendo com a desconfiança das pessoas, tendo que provar, principalmente para si mesmo, que a herança genética não fez dele um homem igual ao seu pai, o que ele vinha conseguindo fazer muito bem. Mas o que ele não esperava é que sua vida virasse de cabeça para baixo de uma hora para a outra. 

Faltando uma semana para o Natal, Eddie e sua esposa, a Jodie, aproveitam a hora do almoço e vão ao banco a fim de tentar um empréstimo para comprar uma casa, pois a pequena Sam está crescendo e o casal acha que já está na hora de mudarem. O que eles não esperavam é que um assalto ocorresse bem no momento em que eles se encontravam no banco e, principalmente, não esperavam que Jodie acabasse assassinada pelos criminosos. Esse é o momento em que a vida de Eddie vira de cabaça para baixo. Mais do que isso, é o momento em que ele se depara com a parte de si mesmo que mais temia encontrar: a herança genética de seu pai serial killer

Herdeiro da escuridão, de Paul Cleave - Editora Fundamento
Todavia, isso acaba por se tornar muito útil, pois Edward, em sua busca por justiça (ou seria vingança?), mostra-se um caçador implacável, fazendo jus ao sangue que corre em suas veias. Por seu caráter dinâmico, a narrativa é extremamente envolvente. Acredito que um dos pontos fortes da obra foi a escolha do narrador, que se intercala entre o próprio Eddie e um narrador em terceira pessoa, cujo foco narrativo é o policial Schroder, que já havíamos encontrado em A sétima morte. Acredito que essa forma de narrar tenha sido uma excelente escolha do autor porque, ao intercalar a história entre uma visão mais introspectiva de Eddie, com a visão de quem está de fora, como Schroder, conseguimos acompanhar os acontecimentos por diferentes perspectivas. 

Essa diferença de perspectiva marca o antagonismo entre os dois personagens que detêm o foco narrativo. Esse antagonismo não se dá apenas porque um é homem da lei e o outro segue um caminho completamente fora da lei para fazer justiça, mas sobretudo porque há um contraste entre um certo tipo de apatia de Schroder, que "faz o possível", mas não obtém resultados, e a agressividade de Eddie, que possui a liberdade de quem, além de possuir o gene de um assassino, carrega o ódio pela morte da esposa, que culmina com o desespero quando a filha é sequestrada. 

Definitivamente, Edward já não tem mais nada a perder, e acaba por ajudar o pai a fugir da prisão para que ele o auxilie a encontrar a pequena Sam e salvá-la das garras dos algozes de Jodie. Além de um ritmo acelerado, que nos prende do início ao fim, a obra traz algumas surpresas conforme vai se aproximando do final.  O livro é bastante indicado para quem aprecia um bom thriller, mas também recomendo para quem gosta de sutilezas psicológicas.


Herdeiro da escuridão, de Paul Cleave - Editora Fundamento

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Pré-venda do livro Príncipe partido, segundo da série The Royalsa

Pré-venda do livro Príncipe partido, segundo da série The Royalsa
Hoje é dia de ótimas notícias, afinal, Príncipe partido, o segundo livro da série The Royals, publicado pela Editora Planeta, já está em pré-venda nas principais livrarias. 😍 Quer descobrir o que vai acontecer com Ella e Reed? Então dê uma conferida na sinopse, logo abaixo, e depois dê uma passadinha na Saraiva para reservar o seu exemplar. Boa leitura! 😉

SINOPSE: Reed tem tudo na vida: beleza, status e dinheiro. As garotas da sua escola matariam para sair com ele, os caras quere ser como ele, mas Reed nunca deu a mínima para nada disso. Nem para a família. Até que Ella Harper aparece na sua vida. Quando Ella chegou à mansão dos Royal o que ele mais queria era que a nova hóspede sumisse, mas, ela o conquistou e, agora, Reed ia fazer de tudo para mantê-la por perto. Ella lhe dava segurança, lhe transmitia paz, o aconchegava, sensações que há muito tempo não sentia. Porém Reed comete um deslize e Ella se afasta por completo, trazendo caos à família Royal. Reed vê seu mundo desmoronar e toda a esperança de viver um romance com Ella desaparece. A garota dos sonhos de Reed não quer mais
saber dele, porque sabe que se ficarem juntos isso vai destruí-los. Ella pode estar certa.

Pré-venda do livro Príncipe partido, segundo da série The Royalsa

Minha vida fora de série, 1ª temporada, de Paula Pimenta - Editora Gutenberg

Minha vida fora de série, 1ª temporada, de Paula Pimenta - Editora GutenbergMinha vida fora de série – 1ª temporada
Autora: Paula Pimenta
Editora Gutenberg
Ano: 2011
Número de páginas: 408

Vou começar esta resenha dizendo o quanto Paula Pimenta me fisgou com o livro Minha vida fora de série – 1ª temporada, publicado pela Editora Gutenberg em 2011. Foi o primeiro livro que li da autora, e tornei-me fã dela logo nos primeiros capítulos; não apenas pela escrita cativante, ou pelas maravilhosas indicações de séries de TV, nem pelos personagens bem construídos, mas principalmente pelo enredo original e realista. É o tipo de história que lemos pensando: eu poderia vivenciar (ou já vivenciei) as mesmas situações que as personagens.

Priscila, protagonista desta história, é uma adolescente de treze anos cujos pais acabaram de se divorciar. Por esse motivo, ela e a mãe se mudaram para Belo Horizonte, uma cidade onde a menina não conhece quase ninguém, e seu pai e seu irmão ficam morando em São Paulo, cidade natal de Priscila, onde ela deixa para trás sua infância, suas amigas e metade de seus amados bichos de estimação. A menina sente muitas saudades de casa, e está decidida a provar para sua mãe que ela jamais será feliz em Belo Horizonte. Sem amigas para sair com ela, Priscila passa a maior parte de seu tempo assistindo séries, ou brincando com seu cachorro, sua gatinha e seu hamster. 

Toda essa insistência em voltar para São Paulo dura pouco. Mais precisamente, até Priscila se apaixonar por um rapaz lindo, de tirar o fôlego, que parece ser o príncipe de seus sonhos. Ela resolve então que tentará conquistá-lo, embora sinta um enorme frio na barriga só de pensar em conversar com ele. A menina também não demora a perceber que, em uma cidade onde ninguém a conhece, ela tem uma chance de ser uma pessoa diferente, talvez até alguém melhor do que era em São Paulo.

O que Priscila não imagina é que está prestes a viver os momentos mais emocionantes de sua vida, que a farão descobrir mais sobre sua própria identidade e sobre quem ela quer ser. Aos poucos, a menina percebe que a vida é como uma série de TV: uma temporada melhor do que a outra, com episódios onde sorrimos, nos apaixonamos, nos surpreendemos, sofremos e amadurecemos. E que ela não tem graça sem algumas reviravoltas.

Neste spin-off da série best-seller Fazendo meu filme, Paula Pimenta nos traz uma história cativante, recheada de ensinamentos que ficarão guardados em nossos corações para sempre. É um livro delicioso, para ser lido em poucos dias, recomendo-o a todos. A primeira temporada da vida fora de série de Priscila é imperdível!

Minha vida fora de série, 1ª temporada, de Paula Pimenta - Editora Gutenberg

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História bizarra da literatura brasileira, de Marcel Verrumo - Editora Planeta

História bizarra da literatura brasileira, de Marcel Verrumo - Editora Planeta
História bizarra da literatura brasileira
Editora Planeta
Ano 2017
Número de páginas: 328
Cortesia da editora.

Como boa apreciadora de história e de literatura, não resisti quando soube do lançamento do livro História bizarra da literatura brasileira, de Marcel Verrumo, publicado pela Editora Planeta. Fiquei encantada pela proposta da obra de trazer fatos referentes a literatura brasileira que não são estudados na sala de aula, de uma forma leve e aprazível. 

Devo dizer que o livro alcançou todas as minhas melhores expectativas e foi além. E para aqueles que estiverem pensando neste momento: "ah, mas esse tipo de leitura é muito cansativo", já asseguro de antemão que se trata de uma leitura leve e gostosa, quase como se fosse um bate-papo sobre literatura brasileira e seus principais autores, trazendo fatos curiosos sobre Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, entre vários outros. Todas as histórias e curiosidades narradas no livro estão em ordem cronológica, mas a obra pode ser lida de forma aleatória, de acordo com o interesse de cada um, sem nenhum prejuízo interpretativo. 

História bizarra da literatura brasileira, de Marcel Verrumo - Editora PlanetaDentre as curiosidades trazidas pelo autor, destaco o poeta que era adepto do poliamor, teve três companheiras e, após a sua morte, descobriu-se correspondências trocadas com uma quarta. Curioso, também, é o fim que teve a menina que inspirou o poema "Marília de Dirceu". Há casos divertidos, como o da Rua do Ouvidor, que em determinado momento chamou-se Sucussarará (vocês nem imaginam por quê😂). Fiquei comovida com a história de Raul Pompéia e chocada com o fim trágico de Euclides da Cunha (embora conhecesse a história do autor de Os Sertões, sempre fico chocada com o seu fim). Para mim, o mais curioso de tudo foi saber que houve um escravo que escreveu a sua autobiografia. Pena que ficou perdido no tempo. Trata-se de um livro que agradará tanto aos que já têm algum conhecimento sobre o assunto, mas querem saber um pouco mais, quanto aos que não sabem muito sobre o tema, mas querem aprender. Leitura recomendada!

História bizarra da literatura brasileira, de Marcel Verrumo - Editora Planeta

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A sétima morte, de Paul Cleave - Editora Fundamento

A sétima morte, de Paul Cleave - Editora Fundamento
A sétima morte
Autor: Paul Cleave
Editora Fundamento
Ano: 2012
Número de páginas: 312
Cortesia da editora

Ao iniciarmos a leitura de A sétima morte, do autor neozelandês Paul Cleave, publicado pela Editora Fundamento, a percepção que temos é de um homem que, ao chegar em casa depois de um dia de trabalho, toma uma cerveja enquanto aguarda Ângela (que pensamos ser talvez sua esposa, talvez namorada) sair do banho. Assim que a moça aparece, e se depara com o homem, temos a primeira surpresa entre tantas que o livro nos reserva. 

Joe Middleton é um homem de pouco mais de trinta anos, que trabalha como faxineiro em uma delegacia em Christchurch, Nova Zelândia, e que todos julgam ser um portador de retardo mental. O que logo descobrimos é que todos julgam errado, pois na verdade, Joe é o serial killer da história, mais conhecido como "O Carniceiro de Christchurch". Joe não se considera um psicopata, tampouco um esquizofrênico, definindo-se como uma pessoa normal. Mas o fato é que ele mata mulheres pelo puro prazer de matar. Por trabalhar na delegacia que investiga o Carniceiro de Christchurch, consegue ter acesso a informações privilegiadas, inclusive fazendo cópias de documentos importantes relativos às investigações.

A sétima morte, de Paul Cleave - Editora FundamentoDentre as mortes atribuídas ao Carniceiro de Christchurch, há uma que foi executada por outra pessoa, que se aproveitou da ocasião em que estão todos a procura do serail killer para cometer um crime, de forma muito parecida com a do Carniceiro, e se livrar da culpa. Joe não gosta nada disso, e resolve investigar por conta própria pensando em reverter a situação e colocar a culpa de todos os seus crimes nas costas do espertalhão que tentou incriminá-lo. Dessa forma, Joe acaba por tornar-se, além de caça, também caçador. No decorrer da narrativa, o tão perigoso serial killer depara-se com Melissa, uma mulher tão perigosa quanto ele próprio, e desse encontro, Joe levará uma marca para o resto de sua vida.

Uma personagem de grande importância na narrativa é Sally, que trabalha na delegacia como chefe de manutenção. Ela tem uma imensa empatia por Joe, pelo fato dele ser (ou ela achar que ele é) retardado, pois ele a faz lembrar de seu irmão especial, que morreu com 15 anos. Sally é uma pessoa que pode ser definida como generosa, daquelas que estão sempre dispostas a ajudar as pessoas. Em sua ingenuidade, acha que conhece todas as pessoas muito bem, sobretudo Joe. Na tentativa de ajudar Joe, Sally envolve-se na história de modo a, no final, desempenhar um papel fundamental no desfecho da trama.

O livro possui um ritmo bastante acelerado. Por vezes tive a impressão de estar assistindo a um filme de ação, em outros momentos, a um drama psicológico. Trata-se de um thriller daqueles que nos deixam de cabelos em pé, morrendo de vontade de saber o que acontecerá logo a seguir. Em determinado ponto da narrativa chegamos a nos perguntar o que é realidade e o que é fantasia criada pela mente doentia de Joe. As coisas se tornam mais claras porque a história é narrada, ora em primeira pessoa, pelo próprio Joe, ora em terceira pessoa, com o foco narrativo em Sally. Isso faz com que consigamos acompanhar o que acontece no interior de Joe, tendo uma boa noção de como funciona a sua mente e, ao mesmo tempo, tenhamos uma visão de fora, de como as coisas são na realidade. Posso dizer que, para os amantes de um bom suspense, o livro é viciante, fazendo-nos lamentar quando precisamos largá-lo. Recomendo a leitura.

A sétima morte, de Paul Cleave - Editora Fundamento

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