Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie - Editora Companhia das Letras

Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie - Editora Companhia das LetrasSejamos todos feministas
Editora Companhia das Letras
Ano: 2014
Número de páginas: 64

Estava com esse livro para ler há algum tempo (na versão Kindle), mas por um motivo ou por outro, sempre adiava. Até que resolvi iniciar a leitura, e então, perguntei-me: por que não o li antes, por quê? Em suas aproximadamente 64 páginas, Sejamos todos feministas, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (nome diferente!), publicado no Brasil pela Editora Companhia da Letras, desconstrói completamente todos os estereótipos que envolvem o tema feminismo. 

Chimanda conta que se lembra de alguém ter-lhe dito que não se tornasse uma feminista, pois estas são mulheres muito infelizes. Então, ela resolveu denominar-se uma feminista feliz. Mais alguém lhe falou que o feminismo não é uma tradição entre as mulheres nigerianas, e ela resolveu que se assumira uma feminista feliz nigeriana. Ao ouvir comentarem que feministas odeiam homens, ela decidiu que seria uma feminista feliz nigeriana que não odeia homens e que usa batom, salto alto, etc. Achei muito interessante o modo bem humorado que ela usou para contrariar os esteriótipos que, muitas vezes, são usados para fazer com que as mulheres tenham medo ou constrangimento em assumir-se feministas, pois se você for uma delas, mostrará que é uma mulher infeliz, sem nenhuma vaidade, que odeia homens.

Outro ponto forte do livro foi o momento em que a autora reflete sobre a forma como somos criados. Segundo ela, os homens são criados para serem durões, o que resulta em egos frágeis, pessoas com medo de fracassar. As mulheres são criadas para cuidar do ego frágil dos homens e, portanto, não podem ser mais bem sucedidas do que eles, pois o sucesso feminino fere o orgulho dos homens, fazendo-os sentirem-se ameaçados pelas mulheres. Seguindo essa linha de raciocínio não fica muito difícil de concluir que essa sociedade machista é cruel para os homens também, pois coloca o peso do mundo em suas costas.

Embora possua apenas 64 páginas, o livro é muito rico em reflexões, e o que é melhor de tudo, sem aquele tom de revolta e de amargura que há em algumas obras do gênero. Chimamanda consegue manter até uma certa suavidade em seu texto, o que faz com que seja uma leitura muito aprazível. Além das situações acima citadas, a autora traz outros fatos por ela vividos, que nos mostram como, às vezes, o machismo está presente em situações do cotidiano que nos passam despercebidas. Recomendo essa leitura, não apenas para quem simpatiza e/ou defende a causa feminista, mas também para quem não sabe nada sobre o assunto e quer conhecer um pouco mais e, sobretudo, para os que pensam de forma diversa, pois é sempre bom saber o que pensa quem está do outro lado. Aproveito para recomendar a leitura da resenha de Hibisco roxo, da mesma autora.


Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie - Editora Companhia das Letras

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