Adeus, China: o último bailarino de Mao, de Li Cunxin - Editora Fundamento

Adeus, China: o último bailarino de Mao, de Li Cunxin - Editora Fundamento
Adeus, China: o último bailarino de Mao
Autor: Li Cunxin
Editora Fundamento
Ano: 2015
Número de páginas: 408
Livro recebido em parceria com a editora

Adeus, Chinao último bailarino de Mao, da Editora Fundamento, consiste na autobiografia de Li Cunxin, que aos onze anos passou de camponês a estudante de balé na Academia de Dança de Pequim, na China comunista. Cunxin é o sexto filho de uma família de sete irmãos. Nasceu e viveu os primeiros anos de sua vida em Vila Nova, na Comuna de Li, nas proximidades da cidade de Quingdao, costa nordeste da China, que após a Revolução Cultural de 1949, passou a ser liderada por Mao Tsé-Tung. 

O livro inicia contando sobre o casamento dos pais de Cunxin, que aconteceu antes da revolução. Inicialmente, costumes tão diferentes dos nossos causam um certo estranhamento, pois logo percebemos que os noivos sequer se conhecem. Acompanhamos toda a angústia da jovem noiva, o receio por não saber se gostará do escolhido e se ele gostará dela, o medo de não ser aceita por não ter tido os pés enfaixados na infância, a tempo de torná-los pequenos (e atrofiados, claro!) e o desejo de que os pais do noivo apreciassem a comida oferecida, pois em caso contrário, a menina sofreria uma espécie de maldição por parte da sua futura família. Para nós que vivemos no mundo ocidental, são costumes muito estranhos. É então que chega o momento em que os jovens noivos se conhecem, após ele levantar o véu que cobria o rosto dela. Encantam-se um pelo outro, e é neste momento, em meio a doçura com que Cunxin narra o momento em que seus pais percebem-se apaixonados, que surge o meu encantamento pela obra. Afinal, por mais estranhos que nos pareçam o modo de viver e os costumes em uma outra cultura, os sentimentos, entre eles o amor, fazem com que nos identifiquemos,  como humanos que somos.

Quando Cunxin nasceu, a China já era comunista. Os camponeses, classe à qual o menino pertencia, trabalhavam de sol a sol, ainda assim, a miséria era muito grande. O principal componente da dieta da família era o inhame seco. Carne era algo raro, e tudo tinha de ser muito bem dividido. A casa era muito pequena, e as camas compartilhadas. Cunxin dormia com os pais e outro irmão. Apesar de todas as dificuldades, o menino era feliz com sua família, o que pode ser percebido pela forma afetiva que ele utiliza para contar essa fase de sua vida. É possível perceber que os vínculos afetivos eram muito fortes. Na escola, o pequeno Cunxin aprendeu a amar o chefe Mao e a estudar com afinco os ensinamentos do Livro Vermelho. Aprendeu, ainda, que a China era uma nação abençoada (a mais rica do mundo), salva por Mao Tsé-Tung, e que os países capitalistas eram todos muito miseráveis, sobretudo os Estados Unidos. Nada chegava, aos chineses, do mundo ocidental, livros, filmes e tudo o mais eram proibidos.

Adeus, China: o último bailarino de Mao, de Li Cunxin - Editora FundamentoÉ na escola que, após a visita de funcionários do governo, o menino é selecionado para estudar balé em Pequim. Sua família, apesar da separação, exulta com a possibilidade que o garoto tem de fugir da fome. E Cunxin vai embora, aos onze anos, viver longe da família, sob a responsabilidade do governo chinês. Neste ponto da história, eu já estava completamente envolvida com essa família tão simples e pobre, mas tão cheia afeto e dignidade. Por isso, sofri bastante quando o menino chorava de saudade, à noite, antes de dormir, abraçado à colcha costurada por sua niang (mãe). Realmente, partiu meu coração! Na escola de balé, o menino se alimentava muito bem, comia carne quase todos os dias, mas nunca deixou de pensar em seus pais e irmãos, que não tinham a mesma sorte. Cunxin teve muita dificuldade para se adaptar à nova vida, mas ao se tornar um jovem adulto, e já bem ambientado a essa nova situação, consegue uma bolsa para estudar nos Estados Unidos por seis semanas, e o melhor de tudo é que o governo chinês autorizou.

Creio que não preciso nem mencionar a surpresa que o jovem teve ao perceber o quão rico era aquele país do ocidente, sobre o qual ele ouvira falar de forma tão negativa. Inicialmente desconfiado, Cunxin foi, aos poucos, deslumbrando-se com tanta fartura e liberdade. Após terminar o período de seis semanas de seu curso, o bailarino recebeu um convite para um novo curso, dessa vez de um ano, cuja autorização o governo chinês concedeu, em um primeiro momento, para negar logo em seguida. Então Cunxin inicia uma luta para conseguir regressar à América, pois agora que enxergou a mentira em que vivera sua vida, e experimentou o gostinho da liberdade, já não pode mais viver da mesma forma que antes. Ele acaba conseguindo voltar, e é nessa segunda ida que se torna um desertor. Claro que não contarei aqui os detalhes e o desenlace dessa belíssima história de vida, mas acredito que seja fácil imaginar o que sofre alguém que tenta fugir ou foge de uma ditadura como a de Mao. Apesar de toda dificuldade, Cunxin tornou-se um grande bailarino, com fama internacional.

Posso dizer que vale cada hora gasta com a leitura, a história é linda e comovente, e o livro digno de ocupar um lugar de destaque em nossa estante e em nosso coração. O texto é muito agradável, de fácil leitura, mas o que mais me agradou foi a forma como o autor conseguiu imprimir os seus sentimentos a cada palavra escrita. Gostei tanto que resolvi assistir ao filme, que é muito bom também, mas não chega perto do livro, pois este é muito mais rico em detalhes. Em Adeus, China, Li Cunxin, ao contar a sua história, regala-nos com um belo exemplo de determinação, força e coragem, enfim, um exemplo de  vida. Recomendo a leitura para aqueles que gostam de saber mais sobre culturas diferentes, que apreciam textos que proporcionem conhecimentos históricos, e sobretudo, recomendo o livro aos apreciadores de um bom drama humano.

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Armadilha, de Melanie Raabe - Editora Jangada

Armadilha, de Melanie Raabe - Editora Jangada
Aramdilha
Autora: Melanie Raabe
Editora Jangada
Ano: 2016
Número de páginas: 302
Livro recebido em parceria com a editora

Um thriller psicológico de tirar o fôlego, assim é Armadilha, da autora alemã Melanie Raabe, publicado no Brasil pela Editora Jangada. Simplesmente não conseguimos desgrudar do livro. A história nos apresenta Linda Conrads, escritora de sucesso de best-sellers que, após encontrar a sua irmã mais nova assassinada, desenvolve um quadro de depressão profunda e passa a viver reclusa, sem sair de casa por onze anos, em uma casa imensa, à beira de um lago. Para isso, conta com a ajuda de Charlotte, sua assistente, que faz as compras e resolve todos os problemas fora de casa para a personagem. Para suportar a solidão, Linda tem a companhia de seu cachorro, Bukowski. Logo no início do livro percebemos que o relacionamento de Linda com os pais não é muito bom, pois quase não se falam por telefone, e eles nunca vão visitá-la.

Linda é uma mulher que vive atormentada por esse passado e, por vezes, entra em uma espécie de surto em que a terra treme e ela ouve All you need is love, dos Beatles, música que tocava no momento em que ela encontrou o corpo da irmã e pôde, por um rápido momento, olhar nos olhos do assassino antes dele fugir. Ao retornar de um desses surtos, Linda reconhece o assassino de Anna na televisão. Trata-se de Victor Lenzen, jornalista de renome, com uma sólida carreira internacional. Claro que ela cogita entregá-lo à polícia, mas sabendo que eles não acreditarão nela, que sequer tem provas, resolve preparar uma armadilha para pegar Lenzen. O objetivo de Linda é atrair Victor para sua casa e levá-lo a uma confissão que, obviamente, seria gravada. Para isso, ela escreve um livro no qual conta o assassinato de Anna e o seu encontro com o assassino nos mínimos detalhes, mudando apenas os nomes dos personagens. 

Armadilha, de Melanie Raabe - Editora JangadaÉ então que somos presenteados com um livro dentro do livro. Descobrimos detalhes sobre a morte de Anna, acompanhando o romance que Linda escreve. Após terminado, ela marca uma entrevista de lançamento com Lenzen, mas não sem antes se preparar muito, instalando câmeras pela sala onde se dará a entrevista e estudando técnicas de interrogatório. É durante essa entrevista que se dará um dos pontos altos da narrativa, pois há um embate psicológico que nos faz não querer largar o livro para nada. Frente ao desequilíbrio de Linda, somos levados, por diversas vezes, a duvidar de que seja Lenzen, de fato, o assassino.  Na verdade, isso é algo que só descobriremos no final do livro. A autora vai deixando inúmeros sinais pelo caminho, para que se descubra a verdade sobre a morte de Anna, o problema é que nunca podemos ter certeza sobre quais desses sinais são verdadeiros e quais são falsos. 

A trama é envolvente, de modo que nem vemos o tempo passar enquanto lemos. Acredito que uma das grandes sacadas da autora foi ter escolhido o narrador em primeira pessoa. A história é contada pela própria Linda, portanto, o foco narrativo está nesta personagem. Isso nos impossibilita saber o que pensam os outros personagens e, portanto, contribui para a nossa dúvida quanto à autoria do crime. Mesmo o livro dentro do livro não dá nenhuma certeza, pois embora este seja narrado em terceira pessoa, sabemos que foi escrito por Linda. Armadilha é um livro muito gostoso de se ler, daqueles que nos faz esquecer de tudo o mais em volta. Traz-nos uma sucessão de armadilhas, e nunca sabemos quem está sendo a presa e quem está sendo o predador. A escrita da autora é enxuta, não há nada desnecessário. Tudo o que estiver sendo narrado, terá uma utilidade em algum momento da narrativa, nada é supérfluo no texto de Melanie Raabe. Recomendo a leitura a todos que apreciem um bom thriller psicológico!

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Uma canção de ninar, de Sarah Dessen - Editora Seguinte

Uma canção de ninar, de Sarah Dessen - Editora Seguinte
Uma canção de ninar
Autora: Sarah Dessen
Editora Seguinte
Ano: 2016
Número de páginas: 352
Livro recebido em parceria com a editora

Uma canção de ninar, de Sarah Dessen, Editora Seguinte, inicia-se com uma instigante história sobre uma garota que possui certo medo de relacionamentos, pois seus pais não foram as melhores representações de amor que possuiu. Organizando o quinto casamento da sua mãe, acaba esbarrando em um vocalista de uma banda, que se chama Dexter, o que na minha sincera opinião foi bem clichê, pois é um meio muito comum apresentado nos livros. O fato curioso são as palavras que ele diz inicialmente somente para conquistar a garota, mas que vou deixar vocês descobrirem.

Como podemos notar logo no início, Remy é uma garota de bastante atitude, o que talvez deixe Dexter, mais conhecido como o músico, durante o livro, bastante intrigado. Enquanto isso, ela está presa em um relacionamento o qual ela sabe que não possui futuro algum, e pretende terminar na mesma noite. A garota odeia o fato de ele agir como seu namorado, mexer nas suas coisas sem a sua permissão, tornando isso algo jamais respeitoso. 

Uma canção de ninar, de Sarah Dessen - Editora Seguinte
Resistindo ao amor e a todas as dores que ele provoca, a jovem resiste ao charme de Dexter, mesmo ouvindo que ele seria o cara perfeito para cada pedaço do seu coração sem esperança. Eles ficam bem próximos, e é claramente possível perceber a faísca que acontece entre os dois. Ao longo do livro, como esperávamos, uma curiosidade surge, será que o grande discurso seria feito? Ele basicamente consiste em desculpas, dizendo que precisava se concentrar na escola ou tinha problemas familiares. Ou pela primeira vez, Remy desistiria de tudo isso? A regra era única: acabar com o namoro quando fosse possível enxergar as rachaduras um do outro, mas talvez, seu plano estaria indo por água a baixo? 

O paraíso nem sempre prevalece e algumas coisas mudam quando um dos caras da banda diz que, provavelmente, Dexter estragaria tudo com o possível contrato da banda, somente pelo futuro interesse em uma das funcionárias da gravadora.
Quase chegando perto de conhecer o que era realmente o amor, infelizmente, o medo a acompanha de uma maneira imaginável. 

Um momento crucial do livro é quando a mãe de Remy cita que talvez a vida tivesse sido mais sofrida ainda, se ela não tivesse arriscado e sido amada, assim como amou. O livro tem bastante relação com mostrar o lado vulnerável dos seus protagonistas. Quanto às pessoas, podem ser fracas em relação ao amor ou, muitas vezes, fortes, jamais desistindo daquilo que é importante.

Esse definitivamente é um livro que muda a nossa cabeça, que nos mostra o outro lado do amor, não somente aquele que estamos acostumados. Mostra a mãe de Remy, que mesmo após diversos casamentos, jamais deixou de acreditar no amor. Mostra seu irmão, que antes era um ímã para as coisas ruins, melhorou quando achou o amor da sua vida. E por último, mas não menos importante, mostra Remy que foi obrigada conviver a vida toda sem acreditar no amor por causa do fracasso do casamento dos seus pais.

Um final digno do grande romance de Sarah Dessen, arrancando alguns suspiros e uma vontade imensa de abraçar a escritora pelo desfecho. Encerro minha resenha, dando nota dez a Uma canção de ninar, e recomendando a todos vocês.

Uma canção de ninar, de Sarah Dessen - Editora Seguinte

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Lançamentos de setembro do Grupo Editorial Pensamento

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial Pensamento
E eis que chega aquele momento interessante e tão esperado, em que ficamos sabendo sobre os lançamentos literários do mês e, claro, as chances de uma aumentar a nossa lista (já tão imensa) de futuras leituras são grandes. Inevitável! Hoje trago os lançamentos das editoras que compõem o Grupo Editorial Pensamento. Como sempre, os lançamentos são bem diversificados, o que equivale a dizer que há livros para os mais variados gostos e interesses, desde narrativas ficcionais, passando pela biografia até os livros com temática mais mística ou de auto-ajuda. Lembrando que no site do grupo é possível ler trechos das obras. Então, escolha o seu e boa leitura!

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoRICK BONADIO – 30 ANOS DE MÚSICA
Rick Bonadio iniciou sua carreira 1986, aos 17 anos, quando gravou um disco, porém foi na mesa de som, produção e composição que ele se consagrou. É atualmente o produtor musical mais conhecido do Brasil. Já revelou, produziu e empresariou grupos como Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas, Titãs, Rouge, Ira! e NX Zero. Produziu mais de 300 artistas e ganhou 31 discos de ouro, platina, platina dupla e diamante por vendagens que, somadas, ultrapassam os 15 milhões de álbuns. Foi diretor artístico e depois presidente da gravadora Virgin Records no Brasil e criou o selo Arsenal Music, adquirido pela multinacional Universal Music. Trabalhou em programas de TV como Popstars (SBT), Caldeirão do Huck (Globo), Countrystar (Band), Ídolos (Record), Fábrica de Estrelas (Multishow) e, atualmente, é jurado do X Factor Brasil (Band).

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoALMANAQUE WICCA 2017 – GUIA DE MAGIA E ESPIRITUALIDADE
Este é o Guia de Magia e Espiritualidade mais completo do Brasil. O Almanaque Wicca 2017 é uma fonte de informações sobre a vida, a magia e o mundo espiritual, que nos convida a utilizar esse conhecimento para sermos pessoas mais íntegras, felizes e próximas da nossa essência divina. Repleto de diferentes artigos, você vai aprender um ritual para atrair dinheiro, encantamento para combater a insônia, uso avançado de ervas e pedras, magia da arrumação da casa, entre outros. Como de costume, traz ainda o calendário 2017 com as fases da Lua e datas comemorativas pagãs.

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoTRANSCENDENTE
A série Starling chega a seu desfecho épico neste terceiro volume. A ancestral profecia nórdica do Ragnarök está prestes a se cumprir. Mason Starling tem nas mãos o destino do mundo, enquanto Fennrys, seu amor, jaz a seus pés sangrando, com a vida por um fio. No entanto, o que quer que esteja por vir não ocorrerá por causa de uma profecia ou dos planos maquiavélicos do seu pai. Tudo depende apenas das decisões de Mason e Fenn. E o mundo deve torcer para que ambos alcancem aquilo que suas almas e suas espadas mais almejam: evitar o fim do mundo.

CIDADE DOS FANTASMAS
Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoApós uma catástrofe que matou milhões de pessoas, uma fenda se abre entre as dimensões e as cidades passam a ser assombradas por fantasmas. Verônica não passa um dia sem ver um fantasma, mas eles não a assustam. Porém, os fantasmas estão ganhando força e começam a aparecer com muito mais frequência. Ela e seu colega de classe Kirk, investigam por quê e descobrem uma história sinistra: August, seu professor de história, não se conforma que a sua filha não voltou do mundo dos mortos como fantasma e acha que para isso acontecer ela precisa primeiro se apossar de um corpo, e que Verônica é a pessoa certa para abrigar o espírito da filha. Mesmo que esteja errado, que mal há em criar mais um fantasma, se já existem tantos!

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoO LIVRO COMPLETO DAS CORRESPONDÊNCIAS MÁGICAS
Agora, além de consultar o horóscopo ou tirar uma carta de tarô para prever como será o seu dia, você também saberá qual runa, número, cor, cristal e divindade está mais alinhada com a energia desse dia. Utilize as tabelas de correspondências mágicas e descubra as associações que existem entre todas as artes esotéricas. Um guia prático e acessível a todas as pessoas que querem aumentar seus níveis de energia, proteger-se da negatividade e fazer rituais e práticas mágicas realmente poderosas.

O PODER DA DECISÃO
Descubra com o melhor coach de liderança da atualidade que você pode produzir uma vida repleta de realizações simplesmente mudando uma única coisa: a maneira como toma decisões. Este livro oferece um roteiro simples, direto, prático e duradouro para que você tome decisões de uma maneira que o levam a chegar onde quer e atinja seus objetivos. Também mostra quais são as habilidades, ideias e estratégias necessárias para superar os desafios e complexidades que você muitas vezes enfrenta no dia a dia.


Lançamentos de setembro do Grupo Editorial PensamentoLIBERTE-SE DO PASSADO
Nesta nova edição revista, Krishnamurti nos traz importantes ensinamentos práticos para mantermos a mente livre do passado e não sofrermos por situações artificiais armazenadas na memória. Reunindo os principais tópicos de conferências realizadas por este grande filósofo, esta obra trata de questões seminais para a nossa existência: a busca do prazer, a importância da comunicação, a memória humana, a violência e outros estados de ânimo dissonantes do nosso espírito, a pobreza, as drogas, a solidão, a beleza e o amor.

Lançamentos de setembro do Grupo Editorial Pensamento

Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra Mundial

Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra Mundial

Tenho tentado falar sobre os meus livros preferidos, mas em anos de leitura, obviamente eles são muitos. Então resolvi organizar estas postagens em pequenos grupos de livros, inaugurando, assim, a coluna Top 5. Começo apresentando livros que abordam um tema do qual gosto muito, que são as histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial, e devo confessar que não é nada fácil elencar apenas cinco, pois há ótimos livros sobre o assunto. 

Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra Mundial
O primeiro livro sobre o qual gostaria de falar é A bibliotecária de Auschwitz,  de Antonio G. Iturbe, obra que narra a história real de Dita Dorachova, uma menina checa que, em meio a Segunda Guerra, escondia livros para as 500 crianças do bloco 31, em Auschwitz. Com sua ajuda, foi possível improvisar uma escola clandestina e uma biblioteca, também clandestina, de apenas oito livros, para essas crianças judias. Uma história comovente de amor, solidariedade e, sobretudo, de muita coragem. 



Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra MundialOutro livro que me tocou bastante foi o clássico O diário de Anne Frank, relato sensível, em forma de diário, de uma menina judia que passou anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, durante a guerra, mas acabou sendo morta pelos nazistas. Consta que esse é um dos livros mais lidos no mundo. Este está entro os livros que mais me emocionaram na vida. 



Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra MundialA menina que roubava livros, obra que também me emocionou imensamente, é um livro narrado por ninguém mais, ninguém menos, do que a morte, o que, convenhamos, é bastante apropriado. A história de Liesel Meminger é contada pela narradora com certo afeto. Não é para menos, Liesel, a pequena ladra de livros é uma menina encantadora e, sobretudo, uma sobrevivente. 



Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra MundialUm livro que li recentemente, e que deixou uma belíssima impressão em mim, é O menino no alto da montanha, de John Boyne. A obra narra a história do menino Pierrot, que ao tornar-se órfão em Paris, é enviado para viver com sua tia Beatrix, que era governanta de Hitler. O menino chega no momento em que a guerra está prestes a iniciar e acompanha o seu desenrolar e desfecho, sempre vivendo no alto de uma montanha em Salzburg.  Acredito que uma das coisas mais comoventes e tristes no livro é ver como, aos poucos, a inocência do menino vai sendo corrompida. 



Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra MundialUma saga na Toscana é um livro que resolvi colocar nesta lista porque, embora seja ambientada na Segunda Guerra Mundial, o cenário é Florença, na Itália, o que nos dá uma visão das atrocidades cometidas por Mussolini, Il Duce, aliado de Hitler na guerra. É uma história repleta de tramas e conspirações, e através da belíssima narrativa de Belinda Alexandra,  e da história da jovem órfã Rosa Bellochi, acompanhamos a guerra do início ao fim. 



Top 5 - Livros ambientados na Segunda Guerra Mundial

Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara

Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez - Editora Alfaguara
Fabián e o caos
Autor: Pedro Juan Gutiérrez
Editora Alfaguara
Ano: 2016
Número de páginas: 195
Livro recebido em parceria com a editora

Fabián e Pedro Juan, dois rapazes com temperamentos completamente distintos, unidos por uma amizade mais que improvável, tentam sobreviver à ditadura comunista de Cuba, a ditadura do proletariado, cada um à sua maneira. Fabián e o caos, do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, é mais uma preciosidade da Editora Alfaguara. Dividido em cinco capítulos que intercalam o foco narrativo entre os dois protagonistas, o livro traz uma crítica ao regime de Fidel Castro, denunciando alguns abusos ocorridos no período. O personagem que dá nome ao livro, Fabián, foi inspirado em um amigo de juventude do autor, chamado Fábio Hernandez, que assim como o personagem do livro, era pianista exímio, e sonhava em compor uma sinfonia própria. O outro protagonista, homônimo do escritor, tem um toque de autobiográfico, não só no nome, mas em algumas características, uma espécie de alter ego, que inclusive já apareceu em outros livros de Pedro Juan Gutiérrez. 

Fabián e o caos é uma obra que nos mostra um mundo de contradições e antagonismos.  O jovem Fabian, que já possuía intimidade com o piano desde a barriga de sua mãe, sonha em tornar-se um grande concertista, o que, certamente, compensaria-o por viver de forma tão solitária, quase invisível, por não possuir atrativos físicos e viver escondido atrás de um par de óculos de grossas lentes, por sua imensa solidão. Delicado, sensível e efeminado, Fabián recebe desprezo do próprio pai, que o acha um inútil. Incapaz de mascarar a sua homossexualidade, passa a ser perseguido pelo governo cubano, que não tolera nenhum tipo de "desvio ideológico", e isso significa não tolerar, entre outras coisas, os "veados". Fabián tem alguns relacionamentos homoafetivos, mas o seu caminho é solitário, sobretudo depois de ter sido impedido pelo governo de continuar exercendo o ofício de pianista.

Pedro Juan é completamente o oposto de Fabián. É o protótipo do macho alfa, transbordando testosterona. É um rebelde, que não se ajusta ao sistema, gosta de passar os dias  andando de bicicleta, envolve-se com todo tipo de mulher, não importando a idade ou o tipo físico. É um adepto convicto da vagabundagem, o que também é considerado um "desvio ideológico" pelo governo cubano. Pedro Juan não tolera nada que o limite. Seus inimigos? A família, o governo e a religião. Seu maior desejo? Quebrar todas as regras. Fabián e Pedro Juan se conheceram, quando meninos, na escola. Não se tornaram amigos na época, e acabaram perdendo contato. Ao serem enviados para trabalhar em uma fábrica na qual trabalham os párias da sociedade, seus caminhos se cruzam novamente, e é então que nasce a amizade improvável entre os dois. É então que acontece o ponto alto da narrativa. 

Fabián e o caos possui uma escrita dinâmica e envolvente, que nos prende à leitura da obra, do início ao fim. Os capítulos cujo foco narrativo encontra-se em Fabián são narrados em terceira pessoa, passando-nos uma ideia de distanciamento, enquanto os capítulos que possuem o foco em Pedro Juan são narrados em primeira pessoa, conferindo um maior movimento à narativa. O personagem quem mais mexeu com meus sentimentos foi Fabián, despertando ora a minha piedade, ora a minha indignação. Essa obra foi, sem nenhuma dúvida, uma das minhas melhores leituras nos últimos meses. Recomendo!


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Morte em Veneza, de Thomas Mann - Editora Companhia das Letras

Morte em Veneza, de Thomas Mann - Editora Companhia das LetrasMorte em Veneza
Autor: Thomas Mann
Editora Companhia das Letras
Ano: 2015
Número de páginas: 188

No livro Morte em Veneza, publicado pela Editora Companhia das Letras, Thomas Mann nos apresenta o escritor von Aschenbach, um homem maduro que enfrenta uma séria e profunda crise criativa. O personagem, que exercia o ofício da escrita desde tenra idade, foi criado dentro de duras normas de moralidade, o que o obrigava a passar a vida em busca de uma forma de conciliar a sua arte com toda essa rigidez. Seus familiares paternos, definitivamente, não possuíam nenhuma sensibilidade artística, estavam muito longe de alcançar uma "espiritualidade mais profunda". A veia artística de von Aschenbach era uma herança da família materna.

Na tentativa de superar a crise, e encontrar inspiração, von Aschenbach decide deixar Munique e embarcar em uma viagem a Veneza. Essa viagem nada mais é, na verdade, do que uma busca por si mesmo. Mas antes da decisão do personagem por essa viagem, podemos acompanhar, com a ajuda do narrador, os conflitos e dilemas acerca da ética e da estética, tudo marcado por muita tensão e com um toque filosófico, como não poderia deixar de ser em um livro de Thomas Mann.

Ao chegar em Veneza, von Aschenbach depara-se com um jovem de beleza incomum, chamado Tadzio, e apaixona-se secreta e perdidamente pelo rapaz. Através dessa paixão, von Aschenbach começa a romper, aos poucos, com toda a rigidez moral de sua criação. Com a integridade corrompida, Aschenbach passa a fazer qualquer coisa, mudando e adaptando completamente a sua vida, para estar perto do jovem e poder admirar a sua beleza, durante os passeios feitos pela cidade de Veneza. Esse amor torna-se uma obsessão para von Aschenbach. Acredito que o jovem era o reflexo de tudo aquilo que o escritor buscava em si mesmo, de tudo o que ele não conseguia viver por conta de sua rígida criação. 

O livro é composto por poucas páginas (não chega a 200), porém muito intensas. Trata-se de uma narrativa de muita densidade dramática, com personagens complexos, sobretudo von Aschenbach. Morte em Veneza é uma leitura excelente para quem gosta de interpretar as entrelinhas. É um livro que nos envolve e nos toca por sua humanidade. Recomendo a leitura da obra, e aproveito para recomendar, também, o filme baseado no livro, do diretor Luchino Visconti.

Outros livros do autor resenhados pelo blog:
A montanha mágica
Os Buddenbrook


Morte em Veneza, de Thomas Mann - Editora Companhia das Letras


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O menino no alto da montanha, de John Boyne - Editora Seguinte

O menino no alto da montanha, de John Boyne - Editora Seguinte
O menino no alto da montanha
Autor: John Boyne
Editora Seguinte
Ano: 2016
Número de páginas: 225
Livro recebido em parceria com a editora

Comovente! Não há melhor palavra para definir essa leitura. O menino no alto da montanha, de John Boyne, publicado pela Editora Seguinte, é um livro profundo e emocionante. Geralmente, histórias que se passam no período da Segunda Guerra são tocantes porque tratam da dor humana elevada a máxima potência. Este livro, porém, possui uma peculiaridade: ele não nos mostra o que aconteceu nos campos de concentração, nos guetos ou no front, pois a reflexão que ele nos traz é sobre o poder e sua capacidade de envolver e de corromper os inocentes. O livro trata, ainda, do arrependimento frente as omissões ou ações irreversíveis, que geram culpas a serem carregadas por toda uma vida.

A narrativa inicia em 1936, na cidade de Paris, e conta a história de Pierrot, um menino de apenas sete anos, que se vê órfão de pai e de mãe. Émilie, a mãe do garoto, era francesa, mas o seu pai, Wilhelm, era um ex-soldado alemão que havia lutado na Primeira Guerra, e trazia, como herança, uma imensa dor por tudo o que vira e por tudo que fora obrigado a fazer na guerra. Esse trauma o levou ao alcoolismo, tornando-o, por vezes, um fardo difícil para a família carregar. Com a morte do pai, e logo depois da mãe, o menino se vê obrigado a separar-se de seu melhor amigo, Anshel, e de seu cachorro, D'Artagnan. A mãe de Anshel, que era judia, não quis ficar com Pierrot porque o menino era gói. Então, alegando falta de condições financeiras para criar o pequeno, ela o envia a um orfanato. 

Pierrot, no entanto, não fica por muito tempo no orfanato, indo morar no alto de uma montanha em Salzburgo, sob os cuidados de sua tia Beatrix, irmã de seu pai. A tia do menino logo compra roupas e sapatos novos para ele, corta os seus cabelos à maneira alemã e troca o seu nome, de Pierrot para Pieter, pois o garoto deve tornar-se um verdadeiro alemão. Além disso, Pierrot não pode mais receber cartas de seu amigo judeu, o Anshel, a não ser que utilizem um código que não denuncie a origem judaica de Anshel. O motivo? Tia Beatrix é governanta de ninguém menos do que Adolf Hitler. 

Logo Pierrot conquista a simpatia do nazista, e torna-se membro da Juventude Alemã. Conforme Pierrot vai se envolvendo com Hitler e ganhando a sua confiança, vão ocorrendo transformações na personalidade do menino. No decorrer da narrativa vamos acompanhando uma espécie de movimento circular que acontece com o joven, que nasce Pierrot, torna-se Pieter e, após as voltas que ocorrem em sua vida, reencontra-se novamente com o Pierrot que fora um dia, porém, agora, mais velho, carregando cicatrizes que o acompanharão pela vida. Pierrot é um personagem que desperta sentimentos antagônicos, pois ainda que, em alguns momentos, torne-se algoz, nunca deixa de ser uma vítima de todo um contexto. Em O menino no alto da montanha, John Boyne nos presenteia com uma trama intensa, repleta de segredos, traições, conspirações e arrependimentos. O livro é todo narrado em terceira pessoa, para no final, nos trazer uma bela surpresa acerca desse narrador. Asseguro que a obra consiste em uma excelente leitura para jovens e adultos de qualquer idade. 

O menino no alto da montanha, de John Boyne - Editora Seguinte

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Pulp, de Charles Bukowski - Editora L&PM

Pulp, de Charles Bukowski - Editora L&PM
Pulp
Autor: Charles Bukowski
Editora L&PM
Ano: 2014
Número de páginas: 175

Último livro escrito por Charles Bukowski antes de sua morte, Pulp, publicado pela Editora L&PM, faz referência (como uma espécie de homenagem) aos livros de bolso ou revistas impressos em papel barato, fabricados com a polpa da celulose, vendidos nas bancas de revista e considerados literatura menor. Esses livros/revistas surgiram na década de 1900 e se mantiveram populares até meados da década de 1970. O livro de Bukowski narra a história do detetive Nick Belane, homem de 55 anos, profissional decadente e fracassado, que sofre de crises depressivas e costuma exagerar no consumo de bebidas alcoólicas.  

Nick Belane, narrador/protagonista, que atua como detetive particular na cidade de Los Angeles, é procurado, certo dia, por uma cliente muito especial, uma mulher belíssima, sexy, de longas e lindas pernas, chamada Dona Morte. Ela o contrata para que ele encontre o escritor francês Celine, falecido em  1961, que teria sido visto em uma livraria. A partir daí segue-se uma narrativa cuja trama é repleta de situações bizarras, com direito a personagens alienígenas,  que nos fazem questionar a sanidade mental do protagonista. Nesta obra, Bukowski consegue juntar três ingredientes que funcionam muito bem: humor, acidez e senso crítico. Embora seja um livro que nos traga algumas reflexões, presenteia-nos com muito divertimento. Pode-se dizer que se trata de uma leitura leve e agradável.


Pulp, de Charles Bukowski - Editora L&PMAlguns críticos defendem que a perseguição da morte, sofrida pelo personagem Nick Belane na história seria uma referência do autor ao modo como ele se sentia no período em que escreveu a obra, pois nessa época Bukowski já lutava para sobreviver à leucemia. Apesar disso, esse livro não possui o mesmo caráter autobiográfico dos anteriores. Outro fator importante é a ausência de cenas fortes de sexo, como há em outros trabalhos do autor. Pulp está longe de ser o meu livro preferido de Charles Bukowski, ainda assim é muito bom. Garanto que vale a leitura. 

Pulp, de Charles Bukowski - Editora L&PM

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