Filhos do silêncio, de Elisa Marina - Editora Penalux

Filhos do silêncio, de Elisa MarinaDe tempos em tempos acontecem situações que trazem à baila o tema da violência contra a mulher. Recentemente houve o caso do estupro coletivo de uma adolescente em uma comunidade no Rio de Janeiro. Esses acontecimentos, geralmente, causam uma comoção em uma parte da população, mas em outra parte, bem significativa, surgem as mesmas acusações de sempre, culpabilizando a vítima pela violência sofrida. Em Filhos do silêncio, da autora Elisa Marina, publicado pelo selo Lampejos, da Editora Penalux, o leitor se depara com uma situação a que todas nós mulheres estamos sujeitas: uma gravidez originada por um estupro. 

Natália é uma mulher de 39 anos que, embora bem-sucedida no âmbito profissional, coleciona frustrações em sua vida amorosa. Como acontece com grande parte das mulheres, Natália sonha em encontrar o amor de sua vida e com ele ter um filho. Mas a última decepção amorosa deixou-a com medo de se apaixonar novamente, decidida a se dedicar somente a sua carreira. Não bastando a tristeza pela decepção sofrida, Natália descobre um problema no útero, que a obriga a uma cirurgia que diminui imensamente as suas chaces de gerar um filho. E caso consiga engravidar, um segundo filho será impossível. Após a cirurgia, tentando superar a tristeza, Natália aceita o convite para se encontrar com as amigas a fim de se distrair um pouco. Arruma-se com esmero, usando um lindo vestido. Sente-se bonita! Resolve deixar o carro em casa e ir de ônibus para poder consumir bebida alcoólica. No caminho de casa até o ponto de ônibus, Natália é atacada por um estranho que a leva para um prédio abandonado e a violenta covardemente.

Nada mais será como antes na vida de Natália. Depressão, isolamento, pesadelos constantes e a descoberta de uma gravidez mais que indesejada. Com a gestação vem a dúvida, abortar ou ter um bebê que sempre a lembrará da violência sofrida? E se tiver o bebê, deve criá-lo ou dar para adoção? O livro traz inúmeras reflexões sobre a condição feminina. Faz-nos refletir sobre o papel que desempenhamos nessa sociedade tão machista. Afinal, será mesmo que toda a mulher nasce com o desejo de ser mãe, ou isso é algo imposto pela sociedade, e que assumimos como nosso? Por que uma mulher precisa constituir família para ser feliz? Por que tanta desigualdade na esfera profissional se já provamos que somos tão competentes quanto os homens? Não vou mentir, Filhos do silêncio não é uma obra para quem busca uma leitura leve e divertida, apenas para passar o tempo ou dar boas risadas, mas é uma ótima pedida para aqueles que gostam de uma leitura mais reflexiva e humanizadora, que vai ao cerne do problema da mulher sem se utilizar de disfarces. É um ótimo livro para homens e mulheres que não se conformam, que acreditam que no futuro pode ser melhor.

Ah, já ia esquecendo, a Editora Penalux enviou um exemplar a mais da obra, portanto, em breve teremos sorteio do livro por aqui. Aguardem!


Filhos do silêncio, de Elisa Marina

Parceria com a autora Thaísa Lixa

Parceria com a autora Thaísa LixaAmigos e leitores, tenho a imensa alegria de anunciar a nova parceria firmada entre a autora Thaísa Lixa e Leituras Compartilhadas. Thaísa é natural da cidade de Niterói, Rio de Janeiro. Talvez por ter ouvido histórias contadas pela avó materna e pelo avô paterno na infância, a autora cresceu aprendendo a apreciar leituras e fantasia. Em virtude desse amor pelas histórias, Thaísa começou a escrever fanfics a partir dos nove anos, publicando os seus escritos na internet. Desde então, a autora não parou mais de escrever. Entrou para a Universidade Federal Fluminense, em 2011, para cursar Estudos de Mídia. Neste mesmo ano, começou a escrever o seu primeiro livro, Oposição, da série Stellium, publicado pela Chiado Editora. Em breve teremos a resenha de sua obra aqui no blog. Para quem quiser saber um pouco mais sobre o livro, deixo abaixo a sinopse retirada do Skoob

Em uma dimensão chamada Constelação, são os supremos Deuses do Inferno que controlam e ditam as regras da sociedade, amedrontando os humanos e os deixando dóceis perante seus poderes nessa e em todas as outras dimensões que existem pelo o universo. Entretanto, por conta de uma traição, o Deus principal e líder, Ahriman, decretou uma lei que jamais poderia ser quebrada: Ele definiu que as diversidades genéticas não existiriam; o que faria a população ter uma aparência padronizada de olhos e cabelo castanho-escuros ou negros.
E assim era, até o nascimento da jovem Lilith, uma menina de cabelo loiro e olhos azuis, acompanhada de uma beleza estonteante e que atraía olhares de todos à sua volta, por sua singularidade e magnetismo pessoal. Tratada desde perfeição até aberração pelas pessoas de seu mundo, Lilith tenta sobreviver em meio a tanta gente intolerante. De uma coisa ela não tinha dúvida: havia sido amaldiçoada. Só mesmo este fato explicaria o motivo de ter nascido com a aparência proibida e de ter macabros pesadelos todas as vezes que dormia. 
Lilith pensava isso consigo mesma, não tendo a real dimensão do quanto suas suposições eram verdadeiras.

Para saber mais sobre a autora:

Seres amazônicos, coletânea organizada por Maurício Coelho - Editora Darda

Seres amazônicos, de Maurício Coelho
O Brasil é um país muito rico e bastante diverso culturalmente. A quantidade de lendas e contos regionais que temos nas diferentes regiões brasileiras é imensa, e a maioria dos brasileiros não conhece grande parte dessa cultura fascinante. Em Seres amazônicos, livro organizado por Mauricio Coelho, como o próprio nome nos mostra, temos uma coletânea de contos amazonenses (ao menos em sua maioria). A obra reconta lendas já conhecidas por nós brasileiros, mas o faz de forma primorosa. É um deleite para os amantes de lendas e contos regionais ter a oportunidade de apreciar histórias como a de Yara, Curupira, Mula-Sem-Cabeça e Saci Pererê, personagem que ficou tão popular entre as crianças brasileiras (de várias gerações) em virtude da adaptação para TV de O Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. O bom desse livro é que ele faz com que recriemos a imagem pronta que já temos de alguns personagens, como acontece com o Saci.

Além destes citados acima, temos ainda as histórias de Matita Maria, da Suindara, do Piracuru e do Boto-Cor-de-Rosa, personagem que eu, particularmente, acho fascinante. Os contos são narrados de um modo que nos proporciona viajar por um mundo de fantasias, ora envolvidos com sereias, ora com lobisomens, e o que é melhor, descobrindo a origem dessas histórias que nos envolvem e encantam desde a infância. É muito interessante perceber que, apesar de se tratar de uma obra cujo foco são as lendas, ainda assim podemos encontrar uma visão crítica por parte de alguns dos autores da coletânea. Creio que Seres amazônicos é uma ótima pedida para quem quer conhecer um pouco mais sobre a cultura desse nosso país tão rico. É excelente para pais que querem ter lendas maravilhosas para contar aos seus filhos ou, simplesmente para aqueles que se sentem seduzidos por uma história bem contada.


Seres amazônicos, organizado por Maurício Coelho

Aquarelas: haicais, de Léo Prudêncio - Editora Penalux

Aquarelas: haicais, de Léo Prudêncio
Alguns livros nos ganham pela delicadeza. É o caso de Aquarelas: haicais, de Léo Prudêncio, publicado pela Editora Penalux. Não preciso dizer que se trata de um livro de haicais, pois isso o próprio nome da obra já indica. O que posso dizer é que se trata de um pequeno livro muito agradável de se ler. Mal sentimos o tempo passar e, quando vemos, acabou a leitura, deixando na boca um gostinho de doçura e de quero-mais. Além dos 99 haicais de autoria de Léo Prudêncio, o livro nos traz um posfácio do Poeta de Meia Tigela, no qual ele fala um pouco sobre o que é haicai. 

Para quem não sabe, haicai (ou haiku) é um poema de origem japonesa, extremamente sucinto, pois é formado por apenas três linhas. Este gênero de poesia chegou ao Brasil no início do século passado e já possui muitos poetas praticantes. Existem algumas pequenas regras de devem ser seguidas em relação às sílabas poéticas, ao tema abordado, entre outras coisas. No entanto, algumas dessas regras não são seguidas em outros países além do Japão, incluindo aí o Brasil, sobretudo no que diz respeito às sílabas poéticas, em virtude da diferença enorme entre os idiomas. De todo modo, são poemas minúsculos e encantadores, o que se confirma com o livro Aquarelas: haicais, livro que recomendo aos amantes de haicais e àqueles que ainda não conhecem o gênero mas que tenham interesse em conhecer. Abaixo deixarei alguns poemas retirados do livro para deixá-los com água na boca.

um pássaro pousou
no galho do pé de manga:
somos dois solitários

ela é tão linda
que a lua toda se alumia
quando a vê passar

diante do universo
o homem é apenas mero
grito silencioso

avessa a aparições
ela saiu de seu casulo
e nunca mais foi vista

Aquarelas: haicais, de Léo Prudêncio

Voltar para casa, de Toni Morrison: uma odisseia moderna - Editora Companhia das Letras

Voltar para casa, de Toni Morrison
A primeira vez que li o título do livro da Nobel de Literatura Toni Morrison, Voltar para casa, a imagem que veio à minha mente foi a de Ulisses retornando ao lar após vinte anos. Não que eu esperasse alguma relação entre as duas obras, mas é muito difícil pensar em retorno ao lar sem lembrar do herói de Odisseia. Agora, após a leitura concluída, volto a pensar em Ulisses, o herói que, após uma guerra de dez anos, precisou vagar por outros dez até que pudesse voltar ao lar, para os braços de sua Penélope. Em Voltar para casa, temos, em vez de Ulisses, Frank Money, que retorna da Guerra da Coreia com sérios problemas de neurose pós-guerra. 

Frank e a irmã Ci criaram-se na casa do avô paterno e de sua esposa, com quem ficavam enquanto os pais trabalhavam. Tratados com desprezo pela esposa do avô, os dois tornaram-se muito unidos. Até que o destino os separou. Frank foi para a guerra e Ci casou-se com um homem que a abandonaria logo em seguida, deixando-a entregue à própria sorte. Ambos tiveram que superar e suportar inúmeros sofrimentos, Frank viu de perto as atrocidades da guerra, Ci foi trabalhar com um médico que acabou por usá-la para algum tipo de experiência que a levou à beira da morte, além de deixá-la estéril. Eis a odisseia do nosso personagem: vítima de traumas pós-guerra, que o levam a ter pesadelos terríveis e a buscar esquecer tudo isso fazendo uso do álcool, ele terá de percorrer um longo caminho até a irmã, que se encontra entre a vida e a morte, para então resgatá-la e voltar com ela para a cidade onde cresceram. 

Nesse trajeto Frank encontra muitas pessoas que o ajudam, mas também encontra quem o faça mal, quem roube seu dinheiro e quem o machuque. Mas o mais importante é que, enquanto o acompanhamos em sua viagem, vamos descobrindo, aos poucos, um pouco mais sobre os fantasmas que o assombram e, certamente, em um dado momento do livro, nos surpreendemos bastante com Frank. Após voltarem para casa, Frank e Ci precisarão encontrar uma forma de atribuir um novo sentido a tudo o que viveram. Ela tenta unir os próprios pedaços, de forma simbólica, costurando uma colcha de retalhos; ele usa a colcha feita pela irmã faz para concluir algo que, anos antes, havia deixado para trás. 

Voltar para casa foi o primeiro livro de Morrison que li e, claro, por se tratar de uma Nobel da Literatura, as expectativas em relação à autora eram muitas. Devo dizer que tais expectativas foram todas superadas. Trata-se de mais uma preciosidade no catálogo da Companhia das Letras. Um livro profundo, intenso, que continua a nos acompanhar quando a leitura acaba. Não é uma obra de ação, portanto, não recomendo àqueles que apreciam leituras eletrizantes, daquelas de tirar o fôlego. Mas recomendo, e muito, às almas sensíveis, que se encantam com leituras que humanizam, que nos fazem refletir sobre os dramas humanos e sobre a capacidade que temos de transcender a nossa própria pequenez. Para esses, certamente, esta será uma obra inesquecível.


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[Divulgação] Edital para a coletânea de contos O Mundo ao Contrário, organizada por Maurício Coelho

O Mundo ao Contrário

Uma excelente oportunidade para quem gosta de escrever contos e pretende ver um de seus textos publicado. No dia 22 de maio abrirão as inscrições para quem quiser participar da coletânea de contos O Mundo ao Contrário, cujo tema será realidades paralelas. Abaixo deixo o edital e algumas dicas e links úteis àqueles que desejam participar da seleção. Boa sorte!

REGULAMENTO ANTOLOGIA O MUNDO AO CONTRÁRIO:

1. O conto deverá estar dentro do tema proposto (realidades paralelas).

2. Cada participante poderá concorrer com apenas 1 (um) conto.

3. O conto deverá ter no máximo 13 mil caracteres com espaço.

4. O autor selecionado se compromete a pagar o valor único de R$ 60,00 (sessenta) referente às despesas de publicação. Por esse valor, o autor levará um exemplar da antologia (frete incluso).

5. O conto deverá ser enviado em fonte Times New Roman, tamanho 12, justificado, espaçamento 1.5 entre linhas.

6. O conto e uma biografia do autor deverá ser enviado para o email: coletanea2016@gmail.com com cópia para  antologias@portodelenha.com  com o título CONTO PARA MUNDO AO CONTRÁRIO

7. Curta a página http://bit.do/b2YF7 e entre em contato para tirar dúvidas

8. Os nomes dos selecionados serão divulgados no site da Porto de Lenha-Editora e na página do organizador, Maurício Coelho.

PRAZO: 22/05/2016 até 23/09/2016

RESULTADO: Até o dia 30/09/2016

PARA SABER MAIS: 

História Alternativa. Disponível em:

MEDEIROS, A. Ponto reverso. São Paulo: 
Andross Editora, 2014.

Universo Paralelo. Disponível em: 

Algumas opções (por Leonardo Ribeiro):

  • O Brasil nunca deixou de ser monarquia.
  • Os povos americanos é que se expandiram e colonizaram Europa, Oceania e Ásia.
  • A China jamais abandonou as grandes navegações e colonizou o mundo todo.
  • Mouros e mongóis dominaram a Europa e depois o mundo. E o racismo funciona de forma reversa nessa realidade.
  • As outras espécies humanas jamais se extinguiram e temos Homo floresiensis (hobbits) na Oceania, Homo erectus na Ásia, Homo sapiens sapiens na África e Homo sapiens neandertalensis na Europa. Na América, as quatro espécies se digladiam, tendo vindo em migrações independentes.
  • O monoteísmo nunca passou de uma ou umas poucas seitas obscuras, com o politeísmo, panteísmo, panenteísmo, entre outras variantes sendo as religiões predominantes.
  • Todos os movimentos separatistas do Brasil foram bem sucedidos, havendo vários países lusófonos na América do sul. Enquanto isso, no Norte, Canadá são dois países (um que fala francês e outro que fala inglês) e a guerra civil americana realmente dividiu o país ao meio.
  • Nunca houve uma ditadura militar no Brasil, ocorreram as reformas de base, qualquer tentativa de golpe foi sufocada, o Brasil nunca passou por uma crise de hiperinflação e é um país de primeiro mundo e o Mercosul tem peso similar à União europeia, tendo o Real como moeda única.
  • A magia existe, é ensinada em cursos universitários e em cursos técnicos, e é usada em escala industrial, mudando totalmente a economia e as relações entre países.
  • O colapso ambiental correspondeu às previsões mais pessimistas e o mundo entrou em colapso ambiental irreversível em 21 de dezembro de 2012.
  • A preocupação com o meio ambiente se iniciou de forma forte já no início do processo de industrialização, de modo que a questão ambiental nunca chegou aos níveis críticos do mundo atual.
  • O istmo do Panamá nunca se formou, não alterando o clima pela alteração das correntes marítimas, de modo que o leste africano nunca ficou árido e a espécie humana nunca surgiu.
  • Humanos conseguem descobrir como viajar entre realidades alternativas, chegando a essa terra que não possui seres humanos.
  • O Brasil nunca saiu da ditadura militar, a hiperinflação continua a ser um problema e a Bolsonaro é o ditador do momento.
  • Em vez de uma ditadura militar, o Brasil passou por um período de ditadura comunista.
  • A família Real nunca veio ao Brasil, Portugal foi invadido por Napoleão, o Brasil passou a ser Colônia francesa e a língua oficial passou a ser o francês (que já era mesmo a língua mais falada, junto ao nheengatu, que nessa realidade, nunca foi extinta, existindo como segunda língua oficial, mas sendo cada vez menos usada).


O Mundo ao Contrário

A hora da estrela, de Clarice Lispector - Editora Rocco

A hora da estrela, de Clarice Lispector
A hora da estrela, de Clarice Lispector, da Editora Rocco, é, sem nenhuma dúvida, um dos livros mais comoventes que já li. A obra narra a história de Macabéa, mulher nordestina, feia e alienada, que vive há algum tempo no Rio de Janeiro. Após a morte da tia, a moça se vê sozinha no mundo. Trabalha como datilógrafa para se sustentar e o seu único lazer nas horas de folga é ouvir rádio. A história de Macabéa é, em certo sentido, igual a de muitas outras mulheres. Ela se apaixona por um metalúrgico chamado Olímpio de Jesus, nordestino como ela, que começa a traí-la com sua colega de trabalho. 

O livro é narrado pelo personagem Rodrigo S.M., escritor. Por exercer o ofício da escrita, Rodrigo faz inúmeros questionamentos sobre o ato de escrever. A percepção que o narrador tem de Macabéa é muito conflituosa, ora ele demonstra afeto pela protagonista, ora demonstra desprezo. Segundo Rodrigo, Macabéa é incompetente para vida. A moça mudou-se de Alagoas para o Rio assim que a tia morreu. Na Cidade Maravilhosa, Macabéa foi morar com as quatro Marias em uma pensão, levando uma vida de pobreza e de muitas restrições. Embora pobre, Macabéa orgulhava-se profundamente da profissão de datilógrafa, cujo aprendizado havia sido financiado por sua falecida tia. Além de ouvir rádio, as distrações da moça eram ir ao cinema e tomar Coca-cola, o que só ocorria quando ela recebia o seu salário. 

Macabéa é uma mulher insignificante, sem nenhum talento, que leva uma vida medíocre e que acaba conhecendo e apaixonando-se por Olímpio, metalúrgico, homem que não a supera em nada em termos de inteligência, mas fingia ser muito sabido e muito esperto. Macabéa tinha uma enorme dificuldade em lidar com as palavras, mas em alguns momentos da obra, podemos perceber que, ao contrário de Olímpio, ela tinha vida interior. Na verdade, por vezes, o narrador deixa transparecer até mesmo uma certa riqueza interior, que não pode ser expressa devido ao uso precário da linguagem por parte da protagonista. E a felicidade de Macabéa dura pouco, em virtude de duas descobertas: uma sobre a traição de seu amor com a colega de trabalho, a outra sobre a sua saúde. Triste, em uma tentativa de entender a si mesma e à vida, a moça resolve ir à cartomante recomendada pela colega. A vidente prevê maravilhas para a protagonista, fazendo-a sentir esperanças quanto ao futuro pela primeira vez em sua vida. Sai da consulta com a cartomante bastante esperançosa,  sem saber que está muito próxima a sua hora da estrela. Macabéa é uma personagem que nos toca profundamente, que nos comove. A hora da estrela é uma obra que diz muito mais nas entrelinhas do que no texto expresso. Recomendo aos leitores sensíveis e atentos aos significados que se escondem por trás do que é dito. 

A hora da estrela, de Clarice Lispector

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O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa - Editora Alfaguara

O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa
A obra que ora será resenhada não é um livro de poemas, mas é um poema em forma de livro. Tanto pelo texto impecável, quanto pelas ilustrações primorosas. Escrito por Mario Vargas Llosa, escritor peruano, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, e ilustrado por Zuzanna Celej, O barco das crianças, da Editora Alfaguara, é uma narrativa infanto-juvenil que nos apresenta o encontro entre os dois extremos da existência humana: infância e velhice. O livro conta como o menino Fonchito ficou intrigado por avistar de sua janela, todos os dias, enquanto aguardava o ônibus escolar, um certo velhinho sentado em um banco, apreciando o mar. Então, o garoto resolveu conversar com o velho para descobrir o quê, afinal, ele tanto olhava. Soube que o idoso mirava o mar na esperança de ver o barco das crianças, uma embarcação muito especial, pois só poderia ser enxergada por pessoas, também, muito especiais.

O barco das crianças, de Mario Vargas LlosaAo perceber o interesse de Fonchito pela história do barco das crianças, o velho começa a contá-la um pouquinho a cada dia, enquanto o menino aguarda o ônibus escolar. Cada conversa entre os dois, que dura breves minutos, vai revelando um pouquinho sobre os mistérios que envolvem o tal barco invisível, como se fosse um quebra-cabeças narrativo. No decorrer da história, o menino vai fazendo as suas descobertas, inclusive sobre qual a relação que existe entre o velho e o barco. 

O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa

O velho conta que, no tempo das Cruzadas, várias crianças, na Europa, seguiam em direção ao litoral a fim de tomarem embarcações que as levariam até Jerusalém. O intuito das crianças era o de libertar a cidade de Jesus. O barco pelo qual o velho espera todos os dias seria uma dessas embarcações, mas há um motivo que fez com que não pudéssemos mais enxergá-lo, algo que ocorre durante a viagem. Fonchito fica fascinado ao ouvir as aventuras vividas pela tripulação do barco, mas o seu maior deslumbramento é (e o de nós, leitores também) a forma encantadora que o velho utiliza para narrar a história. 

O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa

A leitura de O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa foi um prazer do início ao fim. Já mencionei o texto maravilhoso e as ilustrações magníficas, além disso, o livro tem capa dura, enfim, um projeto gráfico excelente. A Editora Alfaguara caprichou na edição da obra. Recomendo a leitura para adultos e crianças, sobretudo para lerem juntos.

O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa

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Mr. Mercedes, de Stephen King - Livro 1 da trilogia Bill Hodges - Editora Suma de Letras

Mr. Mercedes, de Stephen King - Livro 1 da trilogia Bill HodgesMr. Mercedes, publicado pela Editora Suma de Letrasé um thriller escrito por Stephen King. Trata-se do primeiro volume da trilogia Bill Hodges. A história inicia com uma tragédia. Um maluco, dirigindo um Mercedes, joga o carro em cima de uma fila de pessoas desempregadas que haviam madrugado para participarem de um feira de empregos. Oito pessoas morrem, entre elas uma jovem mulher com o seu bebê, e muitos ficam feridos. Na sequência da narrativa, somos apresentados ao policial aposentado Bill Hodges, e não demora muito para percebermos que o ex detetive está sofrendo de depressão pós-aposentadoria. Passa os dias bebendo cerveja, assistindo a programas de TV de qualidade duvidosa e flertando com o revólver de seu pai, sua única companhia nos últimos tempos.

É em um desses dias de marasmo e apatia que Hodges recebe uma carta assinada pelo assassino do Mercedes. Este caso estava entre os que não haviam sido solucionados antes de o policial se aposentar. Na carta, o assassino sugere que Hodges cometa o suicídio, o que leva o policial aposentado a acreditar que estava sendo observado pelo bandido, que saberia da arma mantida sempre próxima, e do desejo de suicídio que vinha acompanhando o policial desde a aposentadoria. Bem, a verdade é que o assassino está muito próximo, e observa Hodges, já há algum tempo. O detetive só descobrirá quem é o assassino no final do livro, mas os leitores ficam sabendo logo no início que se trata de Brady Hartsfield, podendo acompanhar os dois lados, verificando os erros e os acertos de Hodges na caçada ao bandido. Sim, porque a carta do assassino teve efeito contrário ao esperado por Brady, e o ex detetive começa a investigá-lo. Para isso, contará com a ajuda de Janelle, irmã da mulher de quem Brady roubara o Mercedes para cometer o crime, além de Jerome, adolescente que corta a grama e conserta o computador do policial, além de outros "servicinhos para o vizinho". Mais adiante, Hodges contará, também, com a ajuda de Holly, prima de Janelle. 

E claro que o assassino já planeja atacar novamente. E desta vez, ele pretende que a tragédia tenha proporções bem maiores que a anterior. O alvo é um show para pré-adolescentes. Hodges e seus aliados precisam correr contra o tempo se quiserem impedir mais essa ação de Brady.  A narrativa é fantástica! Mr. Mercedes é um livro muito gostoso de se ler. O narrador em terceira pessoa nos mostra os dois lados, proporcionando-nos o conhecimento de tudo o que se passa, tanto com Hodges, quanto com Brady, sabemos a visão que os dois têm da situação durante todo o tempo. Em alguns momentos, experimentei uma certa angústia, por perceber que o detetive estava tomando um caminho errado, ou não dando atenção ao que deveria dar. Angústia que não diminuía quando ele estava no caminho certo, pois o tempo era escasso para deter o psicopata. Tudo isso fazia com que eu não conseguisse desgrudar do livro. Mal posso esperar para ler o volume 2 da trilogia Bill Hodges. O que posso dizer sobre Mr. Mercedes, de Stephen King é que a leitura vale muito a pena. Valeu cada hora de sono que perdi varando a madrugada para concluir a leitura. É uma obra completamente diferente das que li anteriormente do autor, o que me deixou receosa, com medo de me decepcionar, o que não aconteceu, pois o livro foi além das minhas expectativas, que não eram poucas. Enfim, se você gosta de uma boa trama policial, atire-se de cabeça! 

Mr. Mercedes, de Stephen King - Livro 1 da trilogia Bill Hodges

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Parceria com a autora Valéria Martins

Parceria com autora Valéria MartinsÉ com muita alegria que anunciamos a nossa nova parceria com escritora Valéria Martins. A autora, segundo sua prórpia descrição, é carioca da gema. Formou-se em Jornalismo pela PUC-Rio e trabalhou para revistas femininas como a Marie Claire. Em 2004 migrou para o mercado editorial. Trabalhou nas editoras Campus/Elsevier e Grupo Editorial Record. Em 2008 fundou sua própria empresa, a agência literária Oasys Cultural. Como autora, publicou o livro de crônicas A pausa do tempo (Jaguatirica, 2013, disponível também em ebook) e Encontros com Deus – 21 personalidades narram sua busca espiritual (Mauad Editora, 1997), entre outros. Atualmente prepara um volume de contos a sair pela editora 7Letras em 2016. 

Em breve, teremos, aqui no blog, a resenha de seu livro A Matéria dos Sonhos, lançado em e-book pela editora Jaguatirica. A autora nos adianta que o livro conta a história de uma moça imatura e um pouco fútil que, com o passar do tempo, vai se transformando e se tornando alguém melhor. Para quem quiser saber um pouco mais sobre a obra, deixarei a sinopse retirada do Skoob e o booktrailer (lindo gente, assistam!), enviado pela autora. 

Parceria com autora Valéria MartinsSinopse: 

Jovem rica e mimada, Mariana sofre uma imensa decepção amorosa às vésperas do casamento e cai em depressão. Seu irmão aventureiro a incentiva a empreender uma viagem a Chapada Diamantina, na Bahia, a fim de espairecer e encontrar um novo rumo. Lá ela se depara com paisagens belíssimas, conhece um modo de vida bem diferente do que estava acostumava, envolve-se com o guia turístico Alex e desfruta a verdadeira amizade com Claudia, menina maluquinha a quem o destino a uniu para sempre.
A matéria dos sonhos é um romance sobre busca, amor, amizade e encontro.





Leituras Compartilhadas

A lua dentro do coco, obra infantil de Sérgio Capparelli - Editora Projeto

A lua dentro do coco, obra infantil de Sérgio Capparelli

Título: A lua dentro do coco
Autor: Sérgio Capparelli
Ilustrador: Eloar Guazelli
Editora: Projeto

A lua dentro do coco, obra infantil de Sérgio CapparelliO livro infantil A lua dentro do coco, de Sérgio Capparelli, com ilustrações de Eloar Guazelli, publicado pela Editora Projeto, conta, em forma de versos, a história de um macaquinho, serelepe como toda a criança, que tinha o sonho de pegar a lua. Para alcançar seus objetivos, o pequeno macaco, junto de seus companheirinhos de selva, não mede esforços. Como o próprio título da obra indica, em um dado momento, o macaquinho consegue capturar a lua, ou o reflexo dela, dentro de um coco (mais não direi, obviamente, mas asseguro que vale a leitura).   A narrativa é encantadora e, por ser toda rimada, possui um ritmo muito gostoso, o que torna a leitura extremamente divertida quando compartilhada por adultos e crianças.

Na beira da pirambeira,
Rindo e dizendo besteira:
- Essa lua não me engana,
Estou certo, é de banana.

A lua dentro do coco, obra infantil de Sérgio CapparelliSérgio Capparelli havia ouvido, em sua infância, no estado de Minas Gerais, uma lenda que falava de um macaquinho que queria alcançar a lua. Mais tarde, já aposentado e morando na China, ouviu a mesma história, em uma versão chinesa. Capparelli não deu importância para a origem da lenda, pois Minas ou China, tanto faz, já que a lua é a mesma em todo lugar. Por vezes, é muito difícil de se saber a origem de uma lenda, mas uma coisa é certa, o encantamento do autor por essa história, tenha a origem que tiver, rendeu-nos uma belíssima obra de poesia infantil. Mais do que isso, em suas surpresas e descobertas, o macaquinho apresenta-nos uma linda metáfora daqueles sonhos dos quais, por mais que pareçam inatingíveis, jamais desistimos. Recomendo o livro A lua dentro do coco, de Sérgio Capparelli, para pais, professores, padrinhos, madrinhas, irmãos mais velhos, enfim,  a todos os adultos que queiram encantar as suas crianças com o mundo mágico da leitura.

A lua dentro do coco, obra infantil de Sérgio Capparelli
Acho fantástica essa forma de integrar a ilustração com a história.


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[Divulgação] Teve início hoje a pré-venda de A última estrela!

A última estrela
Queridos amigos e leitores, tive hoje uma ótima notícia da Editora Fundamento: começou hoje a pré venda de A última estrela, terceiro livro da série A 5ª Onda. Para conferir a novidade, clique nos links acima e dê uma passadinha na loja da editora. Recomendo aos fãs da série que corram, fiquei sabendo que a procura está grande. Abaixo, deixo uma breve descrição da obra, retirada do site da Fundamento. 

O BRILHANTE FINAL DA TRILOGIA ÉPICA A 5ª ONDA!

A última estrelaO inimigo são os Outros. O inimigo somos nós mesmos. Eles vieram até nós porque querem a Terra. Vieram para acabar conosco. Vieram para nos salvar. Eles não inventaram a morte, mas a aperfeiçoaram. Deram um rosto a ela, porque sabiam que era a única maneira de nos exterminar. Por quê? Quem são eles realmente? O que
querem de verdade?
Atrás de tantas perguntas e enigmas, há uma verdade: Cassie foi traída. Zumbi, Especialista, Nugget também. E todos os 7,5 bilhões de habitantes da Terra. Traídos pelos Outros, traídos por si mesmos. E tudo terminará onde começou – no campo de batalha que é o coração humano.
Nos últimos dias da Terra, os sobreviventes precisarão decidir o que é mais importante: salvar a si mesmos... ou salvar o que nos torna humanos.
Do fenômeno mundial Rick Yancey, A Última Estrela invoca triunfo, perda e ações implacáveis nesta trama sensacional que narra como o destino da humanidade é decidido.

Desejo aos fãs uma ótima leitura!   

A última estrela

Drácula, de Bram Stoker - Editora Zahar


Drácula, de Bram StokerDrácula, de Bram Stoker, da Editora Zahar, é um romance epistolar, ou seja, é todo escrito em forma de cartas e de diários. Conforme vamos fazendo a leitura dessas cartas e diários, vamos construindo a história. Como essas cartas e diários não são escritos sempre pelas mesmas pessoas, há vários narradores no livro, cada um contribuindo com uma carta aqui, algumas páginas de um diário ali, fazendo com que a obra se torne quase um quebra-cabeça narrativo. Ao lermos esses documentos, entramos em contato com as vítimas do conde Drácula, e é em torno da luta desses personagens para derrotar o vampiro e para sobreviverem às suas maldades que a trama gira. 

A história inicia com o relato de Jonathan Harker em seu diário. O jovem é a primeira vítima do conde, tornando-se seu prisioneiro quando, por motivos de trabalho, chega à sua casa. Jonathan havia sido incumbido a ajudar o conde Drácula a comprar uma propriedade em Londres. Já na Terra da Rainha, o vampiro passa a fazer vítimas, aterrorizando a cidade. Como a narrativa se dá por meio das cartas e diários mencionados anteriormente, conseguimos ter uma ótima noção do ponto de vista dos personagens envolvidos e de como alguns deles são influenciados (dominados) pelo conde, sem que tenham ao menos noção de com quem lidam. Por vezes, a tensão do leitor é muito grande por saber do perigo ao qual os personagens estão expostos, sem que sequer desconfiem. 

A leitura é bastante agradável e rápida, pois o leitor se envolve com os relatos dos personagens a ponto de não sentir o tempo passar. Não se trata de uma obra de terror pesado, pois tudo no livro é muito bem dosado, mantendo o equilíbrio da narrativa. Além disso, há uma boa e equilibrada dose de romance e de amizade, sentimentos que ajudarão os nosso personagens no combate ao mal representado pelo conde Drácula. O livro é lindo, não é à toa que a obra vem influenciando, no decorrer dos anos, vários autores que tratam do tema vampiro, além de ter sido adaptado inúmeras vezes para o cinema. Essa edição da Zahar é comentada, e está belíssima, a capa, além de muito bonita, é impactante e extremamente sugestiva. Drácula, de Bram Stoker, é um clássico, um livro capaz de agradar a todos, independente de idade. 

Drácula, de Bram Stoker

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3 livros infantis recebidos: cortesia da Editora Projeto

Livros infantis

Recebi hoje, cortesia da Editora Projeto, três livros infantis maravilhosos, daqueles que enchem os olhos de crianças e adultos. Os livros são lindos, o projeto gráfico é excelente! Uma ótima pedida para pais e filhos divertirem-se juntos.  Abaixo deixarei a sinopse de cada livro, retirada do catálogo da editora. Aproveito para recomendar uma visitinha ao site da Projeto, AQUI, para dar uma conferida nas maravilhas que há por lá. Além de inúmeros títulos para o público infanto-juvenil, que vão desde poesia e textos narrativos, até peças teatrais, a editora ainda conta com publicações para pais e professores. Em breve teremos as resenhas destes três livros por aqui. Aguardem!

Livros infantisA lua dentro do coco
Autor: Sérgio Capparelli
Ilustrador: Guazelli
Um macaquinho quer pegar a lua. Esta seria uma história ouvida na infância do autor em Minas Gerais ou seria uma lenda que Capparelli ouviu contar em sua passagem pela China? Sem se importar muito com a resposta para essa pergunta, o autor nos apresenta A lua dentro do coco através de uma narrativa em versos. Guazzelli cria ilustrações ao mesmo tempo delicadas e fortes, enquanto Márcio Koprowski harmoniza o todo, trazendo movimentos divertidos e novos sentidos às páginas do livro.

Lua, ó lua, lua, cadê você?
Lua, lua, cadê, cadê?
Sem o luar ao fim do dia,
A noite, o que ela faria
Tão sozinha, tão casmurra,
No seu mundo de amargura?

Livros infantisMonstrotaro
Autora e ilustradora: Janaína Tokitaka
A partir de uma lenda japonesa – Momotaro ou O menino pêssego –, surge uma nova versão, muito divertida, para a história do casal de velhinhos que não tinha filhos. A narrativa é contada em versos e também através dos detalhes das ilustrações vibrantes feitas em nanquim, tinta acrílica e colagem.



Era uma vez um casal de velhinhos
Que não eram avô e avó
Nem pai e mãe ou mesmo sobrinhos
Vivendo assim muito sós.


Livros infantisO boto do arroto
Autor: Celso Gutfreind
Ilustrador: Guazelli
O personagem desta divertida história tem um problema: só sabe arrotar… Contada em versos, a narrativa do pequeno boto (ou é um garoto?) começa com uma brincadeira, vira uma grande preocupação e termina em… poesia!

Era uma vez um bicho bonito e maroto.
Não era palito, mas não era gordo: no ponto.
Era bem comprido, mas era garoto



Livros infantis

A comédia mundana, de Luiz Biajoni - Chiado Editora

A comédia mundana, de Luiz BiajoniHá muito tempo não lia nada que me surpreendesse tanto nem me tirasse da zona de conforto como o livro A comédia mundana, de Luiz Biajoni, da Chiado Editora.  Ao ler os comentários sobre a obra no site da Editora Chiado, logo percebi que se tratava de um livro forte. O título sugerindo, talvez, uma relação de intertextualidade como A comédia mundana, de Balzac, livro do qual gosto muito. Solicitei o livro à editora, que o enviou gentilmente. A primeira impressão não chegou a ser uma surpresa, mas a comprovação de que, como mostra o site da editora, veja AQUI, a capa é muito bonita. Já sabia que o livro é composto por três novelas policiais (sacanas) que podem ser lidas separadamente sem nenhum prejuízo na compreensão do texto. Então, eis que abro o livro no sumário e tenho a primeira surpresa: o nome das novelas. 

A comédia mundana, de Luiz Biajoni
Sim, surpreendi-me com a linguagem crua do autor, e nessa surpresa, percebi que precisaria sair da minha zona de conforto para fazer essa leitura, pois já não sabia muito bem o que esperar da obra. Obviamente, aceitei o desafio, já que cá estou resenhando o livro. E querem saber de um segredo, que só contarei a vocês? Amei ler A comédia mundana! É simplesmente impossível desgrudar da leitura. São quinhentas e poucas páginas que passam voando. Sim, há sexo e muitos palavrões no livro, mas em nenhum momento isso se dá de forma apelativa, ao contrário, cada palavra dita e cada ação praticada pelos personagens são absolutamente necessárias à coerência interna da obra.

As três novelas iniciam-se da mesma forma: alguém anuncia que fará uma cirurgia. Na primeira, Virginia diz ao namorado, Luiz, que operará as hemorroidas para que eles possam continuar fazendo coisas de que gostam muito; na segunda, um grande empresário da cidade, casado e pai de uma menina, comunica ao namorado que fará uma operação de troca de sexo; e na terceira, Carol avisa à mãe (a Virgínia da primeira novela) que fará um procedimento de recomposição da virgindade. Embora possa dar a impressão de que o foco do livro é o sexo, garanto que não é, ao menos não só isso. Na verdade, a questão toda é o poder: o poder da imprensa marrom, o poder do mais forte sobre o mais fraco, o poder de quem usa a fé para manipular, o poder do dinheiro, dos vícios, da chantagem e, claro, o poder de quem usa o sexo como forma de alcançar os seus objetivos.


A comédia mundana, de Luiz Biajoni

Na primeira novela, além dos conflitos amorosos de Virginia e Luiz (entre outros envolvidos, como o Dr. Julio, Luciana e Ana), a história gira em torno de um estupro, praticado por Santos e outros dois garotos, menores. Virginia, que trabalha em um jornal cuja ênfase é dada para notícias policiais, é chamada para auxiliar o experiente jornalista Geraldo Assis na cobertura da matéria. No desenrolar da narrativa, vamos vendo como pessoas acima de qualquer suspeita podem ter o seu lado sombrio, o que, aliás, acontecerá também nas outras duas novelas. Na seguinte, Descobrimos que um personagem da novela anterior tem uma relação homoafetiva com um empresário (aquele da troca de sexo) que morre no início da história. Na sequência, há uma sucessão de crimes que deixam a cidade em polvorosa. Por trás dos crimes, uma mulher rica, linda e sedutora, porém amarga por não ter conseguido conquistar o único homem a quem realmente amou. A terceira e última novela acontece alguns anos depois. Virginia tem uma filha adolescente que parece ter puxado à mãe no que se refere ao furor sexual. A menina fica noiva de um pastor da igreja evangélica que a família frequenta, por interesse, claro, pois a família do pastor é rica, graças aos donativos dos fiéis. O que Virginia e a filha não sabem é que o pastor é gay e tem um relacionamento homoafetivo, além de ser traficante. A menina e o pastor casam-se e um crime acontece. Em meio a essa trama, conhecemos um desejo de vingança por abusos cometidos no passado de um dos personagens.

A obra é repleta de críticas sociais, do início ao fim. Mas muito mais do que isso, é uma crítica à natureza da humanindade, eu diria até que as três novelas policiais sacanas de Luiz Biajoni fazem um raio X da alma humana, mostrando o que ela possui de pior e, em alguns momentos, de melhor também. A narrativa possui um ritmo dinâmico e os personagens conseguem nos envolver. Aliás, a construção dos personagens é feita de forma primorosa pelo autor, fazendo com que, por vezes, fiquemos penalizados por algo que ocorra com um determinado "vilão". Para ser mais exata, eu diria que Biajoni simplesmente subverte a noção que temos de herói e de vilão. Apesar de entender que para algumas pessoas não seja muito agradável uma leitura em que as palavras (e as verdades sobre a sociedade em que vivemos) sejam ditas de forma tão crua, recomendo a leitura de A comédia mundana para todos que apreciem uma obra verdadeiramente crítica, que vá ao cerne da natureza humana, sem nenhum medo ou falso pudor, uma obra, enfim, verdadeira.


A comédia mundana, de Luiz Biajoni

Lançamentos de maio do Grupo Editorial Pensamento


Mais um mês inicia, e mais uma vez compartilho, com os meus queridos amigos e leitores, os lançamentos do Grupo Editorial Pensamento. Preparem as canetas para anotar, porque neste mês de maio está difícil escolher um livro só. Fica aqui a minha dica para o dia das mães, pois uma mulher que recebe livros de presente, sente-se valorizada em sua inteligência e, convenhamos, entre os lançamentos há livro para todos os gostos, para todas as mães.

Editora Jangada




Editora Cultrix



Editora Pensamento



Editora Seoman