A rainha vermelha, de Victoria Aveyard - Editora Seguinte

A rainha vermelha, de Victoria Aveyard - Editora Seguinte
A rainha vermelha
Editora Seguinte
Ano: 2015
Número de páginas: 422

“Eletrizante” é, na minha opinião, a melhor palavra para descrever o livro A rainha vermelha, de Victoria Aveyard, lançado em 2015 com muito sucesso pela Editora Seguinte. Nele, conhecemos a história de Mare Barrow, uma adolescente que vive em um país chamado Norta, onde a sociedade é dividida pela cor do sangue: vermelho ou prateado. Os vermelhos são pessoas simples, humildes, obrigadas a trabalhar duro para garantir o sustento da elite prateada. Já os prateados possuem poderes extraordinários (como manipular elementos e ler mentes) e vivem em palácios, com criados de sangue vermelho para servi-los. Nunca lhes falta nada.

Mare está prestes a completar dezoito anos, idade em que todo vermelho desempregado é obrigado a lutar na guerra que os prateados empreendem com países vizinhos. Ela sabe que lhe resta pouco tempo antes do recrutamento, e para ajudar sua família e tentar conseguir dinheiro para fugir do país, a garota rouba tudo que pode. Até que, um dia, tenta roubar um jovem misterioso e falha. 

A rainha vermelha, de Victoria Aveyard - Editora SeguinteApós seu encontro nada casual com o rapaz, Mare consegue um emprego no palácio real. Lá, é posta para trabalhar como criada do rei. Em seu primeiro dia de trabalho, sofre um acidente e acaba descobrindo que possui um poder inimaginável. Isso não agrada a corte – afinal, como poderiam explicar ao reino sobre uma vermelha com poderes que somente prateados deveriam possuir?

Para ocultar tal impossibilidade, o rei e a corte obrigam Mare a se passar por uma prateada desaparecida há muitos anos, passando a treiná-la para cumprir a tarefa com êxito. Mesmo sentindo-se desamparada, a garota aceita os termos, em troca da segurança de sua família. Entretanto, ela jamais poderia imaginar as coisas que aconteceriam naquele palácio…

A rainha vermelha é o livro ideal para aqueles que gostam de histórias eletrizantes, com traições, mortes, romances e reviravoltas, numa narrativa envolvente e com um desfecho que fará o leitor se surpreender.

A rainha vermelha, de Victoria Aveyard - Editora Seguinte

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Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Chegou o momento  de falarmos um pouco sobre  os lançamentos de outubro das nossas editoras parceiras, que fazem parte do Grupo Editorial Pensamento. Embora, por motivos alheios à nossa vontade, o post esteja um pouquinho atrasado, já que os lançamentos são do mês passado, posso assegurar que vale a leitura, já que os livros são de primeira e, como sempre, atendem a todos os gostos. Para os fãs da série Acampamento Shadow Falls ao Anoitecer, a boa notícia é que agora temos um box com os livros. Em breve traremos também os lançamentos de novembro. Aguardem! 

 Editora Seoman

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

 Editora Jangada

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
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 Editora Pensamento

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

 Editora Cultrix

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento
Leia o primeiro capítulo AQUI.

Lançamentos de outubro do Grupo Editorial Pensamento

Mega Sorteio de Fim de Ano

Mega Sorteio de Fim de Ano

Olá galera!
O ano já está terminando e, pensando nisso, nós, dos blogs Rillismo, I Love my Books, Um Oceano de Histórias, Leituras Compartilhadas juntamente com outros blogs parceiros, presentearemos vocês com muitos livros no Mega Sorteio de Final de Ano. Vai ficar de fora? Leia as regrinhas e participe!



REGRAS:

- O sorteio tem início hoje e termina dia 21/01/2017;
- Você precisa ter endereço para o envio em território brasileiro;
- Cada Blog é responsável pelo envio do seu respectivo prêmio, ou seja, os prêmios chegarão individualmente e em prazos diferentes;
- O prazo de envio dos prêmios será de 60 dias após a divulgação dos vencedores;
- O sorteio terá ao todo oito ganhadores, cada kit terá um sorteado; caso um mesmo individuo seja contemplado em mais de um kit só será considerado ganhador do kit cujo nome apareceu primeiro e no outro será realizado um novo sorteio;
- O resultado será divulgado em no máximo 15 dias após o término das inscrições neste mesmo post;
- O ganhador receberá um e-mail e terá 3 dias para entrar em contato. Caso não haja resposta dentro desse prazo faremos um novo sorteio;
- Não nos responsabilizamos por extravio dos correios e endereços incorretos;
- No sorteio as regras obrigatórias precisam ser cumpridas para que você possa participar, as regras que abrirem em seguida serão opcionais.
ATENÇÃO: Onde está "Visitar essa página" significa "Curtir a página". Lembrando que todas as entradas serão verificadas!
- Após preencher o formulário deixe um comentário que se refira a sua participação no sorteio.

Mega Sorteio de Fim de Ano


KIT 1: Autora Beatriz Cortes (livro: Por uma questão de amor); Blog I Love my Books (livros: Paixão de Cativeiro e As duas faces da lua); Blog Rillismo  e Editora Rocco (livro: Seeker)


Mega Sorteio de Fim de Ano

KIT 2: Autora Béatrice T. Dupuy (livro: Ecos o mar é a nova lua); Blog Amores e Livros (kit de marcadores); Blog Coisas da Juu (livro: O Lado bom da vida); Blog Leituras Compartilhadas (livro: As amigas da casa do Sol); Blog Leitura Descontrolada (livro: Estudo Independente)


Mega Sorteio de Fim de Ano

KIT 3: Blog Canteiro de obras Literárias (livro: Essa luz tão Brilhante); Blog Coisas de Diane (livro: Namorado de Aluguel); Blog Enjoy Books (kit de marcadores); Blog Fundo Falso (livro: Louca por Você - Autografado); Blog Um Oceano de Histórias (livro: Esperando por Doggo)


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KIT 4: Blog Blogando Livros (livro: Quero ser seu); Blog Conversas de Alcova (livro: Dias Perfeitos); Blog Faces em Livros (kit marcadores); Blog Tudo que motiva (livro: Pequeno Príncipe em inglês)


Mega Sorteio de Fim de Ano

KIT 5: Blog Guilda dos Leitores (kit marcadores); Blog Histórias sem Fim (livro: Cinco Dias); Blog  Livros, Vamos devorá-los (livro: Desvende meu coração); Blog Meu Amor pelos Livros (livro: Não quero ser lembrado)


Mega Sorteio de Fim de Ano

KIT 6: Blog Caprichos by Neli (livro: Meio Rei); Blog Fadas Literárias (kit marcadores); Blog Livros e Marshmallows (livro: Um novo amanhã); Blog No mundo dos livros (livro: A Oportunista)


Mega Sorteio de Fim de Ano

KIT 7: Blog da Fê (livro: Descomplicando a maternidade); Blog Livros e Encantos (livro: Rainha da Fofoca); Blog MilkShake de Palavras (livro surpresa); Blog Paraíso das Ideias (kit marcadores)


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KIT 8: Blog Eu Pratico Livroterarpia (livro: Eterna); Blog Viajando entre Citações (livro: O duque e eu); Blog Respire Literatura (livro: O menino que acreditava em milagres); Blog Estante Mineira (livro: Mulheres que não sabem chorar)

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Boa sorte a todos! 

The 42nd St. Band, de Renato Russo - Editora Companhia das Letras

The 42nd St. Band, de Renato Russo - Editora Companhia das Letras
The 42nd St. Band
Autor: Renato Russo
Editora Companhia das Letras
Ano: 2016
Número de páginas: 224
Livro recebido em parceria com a editora.

Uma das leituras que mais me tocaram em 2015 foi Só por hoje e para sempre,  diário escrito por Renato Russo durante sua internação em Vila Serena para tratar-se da dependência química. Lembro-me que na época, fiquei bastante feliz em saber que Editora Companhia das Letras publicaria outros textos inéditos do autor, do qual, creio que não preciso nem dizer, sou fã eterna desde a adolescência. Logo que soube do lançamento de The 42nd St. Band fiquei ansiosa pela leitura. Não me decepcionei, nem como fã, nem como leitora.

O livro foi escrito todo em inglês por Renato entre os 15 e os 16 anos, enquanto se recuperava de uma doença óssea rara chamada epifisiólise, e de uma cirurgia cujo resultado fora problemático. O material que compõe o livro encontrava-se todo disperso em cadernos e folhas soltas que iam sendo escritas pelo jovem Renato enquanto convalescia, e conta a história de uma banda imaginada pelo rapaz, cujo líder era Eric Russell, uma espécie de alter ego de Renato. O resultado é um romance fragmentado, que narra a história da banda através de cronologias, entrevistas, canções, linha do tempo, árvore genealógica, além de histórias e de imagens com capas de discos da banda, entre outros elementos, tudo isso se juntando para formar a história da The 42nd St. Band, como se fosse um quebra-cabeça que, pouco a pouco, o leitor vai montando. 

The 42nd St. Band, de Renato Russo - Editora Companhia das LetrasA história inicia mostrando o relacionamento dos três primos que deram início à banda, Eric, Nick e Jesse. Através dos elementos que são trazidos, podemos acompanhar o crescimento dos meninos, bem como o relacionamento dos garotos com a música desde o início, apresentando-nos a trajetória da The 42nd St. Band. Para quem espera uma narrativa formal, aviso que a obra subverte o convencional, sem com isso perder em qualidade, trazendo-nos personagens bem construídos, quase palpáveis, de tão consistentes. Por apresentar-nos uma composição em fragmentos, tal como uma colcha de retalhos, o livro não possui um único narrador definido. 

The 42nd St. Band é a prova cabal da criatividade e, por que não dizer, genialidade de Renato Russo. O projeto gráfico da obra, assim como aconteceu com Só por hoje e para sempre, está magnífico. A obra apresenta inúmeras gravuras, algumas, inclusive, representando capas de discos da banda. Embora em menos quantidade, aqui também temos passagens em que podemos apreciar a própria letra do músico, como acontece no livro anterior. Para os fãs de Renato Russo, essa publicação é um presente da Editora Companhia das Letras. Recomendo a leitura aos fãs de Legião Urbana e de Renato Russo, obviamente, mas também, aos apreciadores da boa literatura, recomendo, sobretudo, aos amantes de obras desafiadoras, que nos tiram da nossa zona de conforto.

The 42nd St. Band, de Renato Russo - Editora Companhia das Letras

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1222, de Anne Holt - Editora Fundamento

1222, de Anne Holt - Editora Fundamento
1222
Autora: Anne Holt
Editora Fundamento
Ano: 2013
Número de páginas: 303
Livro recebido em parceria com a editora.

Após um acidente de trem, a 1222 metros de altitude, em Finse, na Noruega, a ex-policial Hanne Wilhelmsen vê-se impossibilitada de sair do hotel Finse 1222 devido à forte nevasca que assola a região. Segundo os moradores, jamais houve tempestades tão intensas e tamanha destruição no lugar. Assim inicia o livro 1222, da escritora norueguesa Anne Holt, publicado no Brasil pela Editora Fundamento

Contrariada, Hanne descobre que terá de passar mais tempo no hotel do que gostaria, já que o resgate não consegue chegar até os sobreviventes por causa da nevasca. A situação piora quando um pastor é assassinado na primeira noite que passam no hotel, e piora ainda mais quando um segundo pastor é assassinado na noite seguinte.  Os passageiros do trem descarrilado terão de conviver com um assassino até que o resgate chegue. Associado a isso, uma série de pequenos acontecimentos no desenrolar da trama vão deixando a narrativa mais dinâmica. Com um faro agussadíssimo, e muita intuição, a ex-policial deixa para trás o trauma em virtude de um tiro que, no passado, a deixou paraplégica e vai, aos poucos, desvendando esse mistério, até chegar a quem cometeu os crimes e seus reais motivos.

1222, de Anne Holt - Editora Fundamento
Anne Holt tem uma escrita sedutora, que ao nos envolver em mistério, transporta-nos para dentro da narrativa. Os personagens são muito convincentes, transmitindo muita verdade ao leitor. Não obstante toda insociabilidade de Hanne, gostei dela desde o início quando, ainda no trem, após o acidente, ela tentava proteger um bebê, apesar de de toda a sua limitação física. Além disso, a ex-policial passou-me uma ideia de sinceridade, o que sempre ajuda no estabelecimento do vínculo entre leitor e personagem. Outro ponto que considerei bastante positivo na escrita da autora é que ela consegue usar o espaço narrativo para nos envolver na história sem precisar apelar para descrições excessivas desse espaço, o que faria da leitura algo maçante e cansativo e comprometeria o dinamismo da obra. Posso dizer que 1222 foi uma leitura que me proporcionou muito prazer. Recomendo o livro, sem nenhuma dúvida, sobretudo aos amantes do suspense policial.


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A espiã, de Paulo Coelho - Editora Paralela

A espiã, de Paulo Coelho - Editora Paralela
A Espiã
Autor: Paulo Coelho
Editora Paralela
Ano: 2016
Número de paginas: 183
Livro recebido em parceria com a editora.

A espiã, de Paulo Coelho, publicado pela Editora Paralela,  conta a história real de Margaretha Gertruida Zelle (recebeu este nome por causa de uma atriz muito respeitada na época), que  nasceu em 1876, na Holanda, era filha do empresário Adam Zelle e de Antje Van der Meuller.  Em 1889, sua família vai à falência, sua mãe adoece e morre dois anos depois. Com 15 anos, Margaretha  foi para um internato, e aos 16, foi violentada pelo diretor da instituição. Em meio a este acontecimento, Margaretha ouve uma conversa entre as internas, que também haviam sido violentadas. Percebendo que estão sozinhas, com medo, preferem esconder o fato e viver em silêncio (já que naquela época iriam ser escandalizadas perante a sociedade, caso alguém as expusessem). Um dia,  ao folhear o jornal, Margaretha vê um anuncio que dizia: "Rudolf Macleod, oficial do exercito holandês, de descendência escocesa, atualmente servindo na Indonésia, procura jovem noiva para casar-se e morar no exterior."

A espiã, de Paulo Coelho - Editora ParalelaEla então resolve trocar cartas com Rudolf, tendo nele sua salvação, após algumas cartas Rudolf resolve vir até o internato para conhecer Margaretha. Os dois conversam e ela está convencida de que será sua oportunidade para libertar-se, por Rudolf ser um oficial e morar em java. Eles ainda se encontram mais duas vezes e depois se casam. Mas o que ela não sabe é que Rudolf era um homem violento e que vivia bêbado, e assim começam as humilhações e o desprezo. E pra piorar, ele fazia com que ela contasse em detalhes o abuso que havia sofrido no passado, repetindo cada detalhe, como se sentisse prazer em humilhá-la. 

Margaretha teve dois filhos com Rudolf, uma menina e um menino, o qual foi envenenado por uma empregada que achava que matando o filho, estaria se vingando de Rudolf, porque era violentada por ele. Um dia, cansada de tudo e de todos, Margaretha resolve fugir, embarcando em um trem que vai para Paris, onde deixa de ser Margaretha (com medo de ser procurada por seu marido, sendo um oficial muito influente) e passa a usar o nome de Mata Hari. Finge ser uma dançarina e faz sua primeira apresentação usando véus. No meio da dança, ela começa a tirá-los, um a um, ficando nua e chamando a atenção, tanto dos homens, quanto das mulheres que estão na plateia, e em pouco tempo, torna-se a bailarina mais exótica e desejada da época.

Mata Hari passa a ser amante dos homens mais ricos e influentes, frequenta  festas da alta sociedade, tem joias, dinheiro, muitos shows  e Paris aos seus pés, mas esta  cansada de ser bajulada e não sentir amor. Um dia, sentada do lado de fora de um café em Paris, ela recebe um convite de um admirador para dançar na Alemanha, entusiasmadíssima ela resolve aceitar o convite, mal sabendo que seria seu fim. Ao chegar na Alemanha, há toda uma movimentação de soldados pela cidade e Mata Hari não consegue entender, mal consegue fazer seu primeiro show, de uma temporada de 6 meses, e os restantes são todos imediatamente cancelados. Há soldados e armas por toda a parte.

Através de uma narrativa envolvente,  o autor reconstitui a história dessa mulher admirável, ao utilizar ficcionalmente as cartas trocadas entre ela e o advogado que cuidava do caso, enquanto Mata Hari aguardava julgamento na prisão de Saint-Lazare, em Paris. Seu único crime foi ser uma mulher livre. “Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim, mas, caso isso ocorra jamais me vejam como uma vítima, mas sim como alguém que deu passos corajosos e pagou sem medo o preço que precisava pagar”. (Mata Hari)

A espiã, de Paulo Coelho - Editora Paralela

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Prometida: uma longa jornada para casa, de Carina Rissi - Verus Editora

Prometida: uma longa jornada para casa, de Carina Rissi - Verus Editora
Prometida: uma longa jornada para casa
Verus Editora
Ano: 2016
Número de páginas: 476

Esta resenha contém spoilers da série Perdida, de Carina Rissi (Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo, Encontrada: à espera do felizes para sempre, Destinado: as memórias secretas do Sr. Clarke). 

Alguns livros nos prendem de tal maneira que não conseguimos largá-los até ler sua última frase. Foi o que aconteceu comigo em Prometida: uma longa jornada para casa, lançamento mais recente de Carina Rissi pela Verus Editora. Como nos outros livros da série Perdida, a história de Prometida se passa no século dezenove. Desta vez, narrada pela doce e decidida irmã de Ian Clarke, Elisa. 

No início do livro, a jovem Elisa Clarke, de vinte anos, está muito desanimada. Os bailes, para os quais sempre recebe um convite por vir de uma das famílias mais influentes da região, não lhe dão mais prazer, devido ao fato de que, sempre que ela está presente, algo dá errado e os eventos se tornam um desastre. Elisa sente que está perdida no mundo, e quer viver – não apenas respirar e possuir um coração batendo. 

Prometida: uma longa jornada para casa, de Carina Rissi - Verus Editora
Mas ela sabe que seu desejo não irá se realizar, pois arruinou qualquer chance de felicidade há três anos, quando viu-se forçada a partir o coração do Dr. Lucas Guimarães, o único rapaz que já amou na vida. Na verdade, ele começou a desprezá-la assim que o irmão da jovem, Ian Clarke, os fez ficarem noivos apenas por causa de um beijo! 

Assim, Lucas foi para a Europa e passou três anos no continente, com a desculpa de que estava fazendo importantes pesquisas médicas. Para Elisa, porém, a viagem do noivo foi apenas uma desculpa para evitá-la e humilhá-la. Afinal, que tipo de casal fica noivo e demora três anos para se casar? Por outro lado, é melhor assim. Ela não conseguiria encará-lo sem se lembrar do que fez. 

Infelizmente para Elisa, seu noivo está voltando ao Brasil, disposto a casar-se com ela para honrar o compromisso assumido – não por amor, o que só abala ainda mais seu coração despedaçado. Mas nenhum dos dois sabe o que o destino lhes reserva…

Em Prometida: uma longa jornada para casa, Carina Rissi nos apresenta um casal destinado a ficar junto, mas separado pelo coração. Pouco a pouco, Elisa e Lucas trazem à tona sentimentos, intrigas e segredos do passado, em uma história linda e emocionante. 

Prometida: uma longa jornada para casa, de Carina Rissi - Verus Editora


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Branco, de Priscila Baroni - Editora Autografia

Branco, de Priscila Baroni - Editora Autografia
Branco
Autora: Priscila Baroni
Editora Autografia
Ano: 2016
Número de páginas: 372
Livro recebido em parceria com a editora.

Raramente paramos para pensar na importância da memória em nossas vidas, mas o fato é que ela é que define o que somos perante nós mesmos. Se esqueço quem sou, passo a ser ninguém, ou quase isso. Branco, de Priscila Baroni, publicado pela Editora Autografia, nos apresenta a situação de pessoas que vivem completamente sem a memória de um determinado ponto de suas vidas para trás, ou seja, não sabem quem são, que nomes têm, de onde vieram, e outras informações que são tão básicas em nossas vidas.

O livro inicia com uma garota acordando em um bosque, completamente assustada e sem memória. Ao ser encontrada por três simpáticos jovens, Mandisa, Damian e Theodore, a menina descobre que é uma neonata, o que não a ajuda muito já que ela não sabe o que isso significa. Logo descobre que neonatos são as pessoas que são deixadas sem memória nas aldeias que compõem o reino, e que todos ali, um dia, já foram neonatos, ou seja, ninguém que vive nesse reino possui memória. Mas há algo de incomum com a menina, pois ela tem lapsos de memória e foi encontrada sozinha no Bosque das Vozes, o que não condiz com o procedimento padrão de chegada de neonatos, que são sempre conduzidos pelos Homens Lupus, soldados do rei. Por isso eles resolvem esconder a moça até descobrirem algo sobre sua origem e como devem proceder nessa situação. Ao ser descoberta, a menina, que agora se chama Alice, é adotada por Nicolini, um comerciante da aldeia. Após envolver-se em uma situação conflituosa, Alice torna-se prisioneira do rei, mas antes de ser executada, é salva por um desconhecido, refugiando-se em um lugar misterioso.


Branco, de Priscila Baroni - Editora AutografiaÉ então que alguns segredos começam a ser revelados sobre o reino e sobre a falta de memória de seus moradores. É nesse momento, em que mistérios são desvendados, que uma revolução começa a se desenhar e a tomar forma. Se depender de Alice e de seus novos amigos da Resistência, a tirania do rei está com os dias contados. Mas Matteo Lupino, o rei déspota, não entregará o reino de mão beijada aos rebeldes. No final, somente um lado poderá vencer. Branco é um livro que nos leva a levantar várias hipóteses durante a leitura, algumas são confirmadas, outras descartadas, mas a nossa atenção, em nenhum momento se perde da obra. Narrado em terceira pessoa, o foco narrativo permanece em Alice na maior parte da história, embora, em alguns momentos, seja desviado para os demais personagens, conforme a necessidade do enredo. Posso dizer que o final foi muito diferente do que eu havia imaginado, surpreendeu-me positivamente. Gostei bastante do livro e recomendo a leitura.


Branco, de Priscila Baroni - Editora Autografia

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record
Grito
Autor: Godofredo de Oliveira Neto
Editora Record
Ano: 2016
Número de páginas: 160
Cortesia de Stéphane Chao, agente literário.

No decorrer de nossa vida como leitores, são vários os livros que, por diferentes motivos, nos agradam. E cada um desses livros tem, para nós, o seu encanto. Grito, de Godofredo de Oliveira Neto, publicação da Editora Record, ganhou-me, antes de tudo o mais, pela forma, lindamente elaborada, embora o conteúdo, devo dizer, não deixa nem um pouco a desejar. Percebe-se que o autor  possui uma incrível consciência linguística, tratando a obra literária como algo que vai muito além de uma história para contar. É uma espécie de alquimia, em que se transformam palavras em obra de arte.

A narrativa gira em torno da amizade improvável entre Eugênia e Fausto. Improvável porque a ex-atriz Eugênia, sendo uma octogenária, apaixona-se platonicamente pelo ator iniciante Fausto, de quase vinte anos, e passa a viver com ele uma amizade em que realidade e ficção misturam-se. Fausto convive mais com a velha atriz do que com pessoas da sua idade, e os dois juntos criam e encenam peças teatrais em seus próprios apartamentos. Eugênia é viúva e aposentada, enquanto o jovem rapaz não para em emprego algum. O que os une e mantém o relacionamento é uma admiração mútua. A questão é que Eugênia sente muito ciúme de seu jovem amigo, a ponto de criar alguns problemas e, até mesmo, espioná-lo nas redes sociais. 

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora RecordGrito é um daqueles romances sobre os quais não conseguimos parar de pensar durante um bom tempo após o término da leitura, pois é necessário que se processe tudo o que foi vivido durante o contato com persongens tão incomuns. O final é surpreendente, embora eu deva admitir que, de certa forma, tudo se encaminhava para esse desfecho. Embora trate-se de um romance, a obra apresenta, em alguns momentos, um formato que se aproxima do gênero dramático, inclusive os capítulos são chamados de atos, e há passagens em que a história é contada por meio de diálogos. É uma leitura muito agradável, desafiadora e rápida, embora por ser densa, faça-nos parar algumas vezes para refletir e processar o que lemos. Recomendo a leitura de Grito, sobretudo àqueles que apreciam literatura de qualidade.

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record

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Pequod, de Vitor Ramil - Editora L&PM

Pequod, de Vitor Ramil - Editora L&PM
Pequod
Autor: Vitor Ramil
Editora L&PM
Ano: 1995
Número de páginas: 120

O que existe de verdadeiro na imagem que possuímos de nós mesmos? Assim como é difícil responder a essa pergunta, também o é responder a questões referentes à arte produzida no nosso tempo. Essa dificuldade não é privilégio do ser atual. Houve equívocos em todos os tempos. Isso pode ser facilmente comprovado se pensarmos que Kafka, em sua época, foi considerado um excêntrico, ou que mestres da pintura como Van Gogh e Gauguin tiveram suas telas valorizadas somente depois da morte, levando uma vida de privações. Da mesma forma, não podemos, hoje, estabelecer de maneira definitiva a validade artística das obras de autores atuais, como Vitor Ramil, pois futuramente, tudo o que for dito agora, poderá ser negado. Entretanto, podemos tentar descobrir o valor de uma obra como Pequod, e entendê-la melhor, se compararmos com obras que permaneceram e se consagraram. É evidente que cada tempo produz a sua arte. Mas está claro, também, que há algo de comum dialogando em tudo que é produzido pelo homem em todos os tempos. Há elementos, como os mitos, por exemplo, que fazem parte do inconsciente coletivo da humanidade e nos falam de verdades interiores com as quais perdemos o contato e das quais necessitamos para que mantenhamos o equilíbrio interior. O que existe de diferente entre a arte produzida nos diversos períodos é o contexto em que foi criada, pois um determinado elemento arquetípico será comum a todos os homens, mas será expresso de acordo com a visão de mundo e os padrões de comportamento de cada época. Existem, portanto, fatores que são universais e outros que são sociais em uma obra de arte. Ambos têm sua importância, mas o que faz com que uma obra permaneça é o que ela possui de universal, aquilo que independe do tempo, do espaço e dos padrões sociais vigentes.

O pintor surrealista Salvador Dalí, em 1939, encontrou-se com Freud, que estava exilado em Londres, para mostrar ao psicanalista seu quadro A metamorfose deNarciso. Freud observou a artificialidade do quadro, já que tentava forjar, de forma artística, a realidade do inconsciente. O comentário do médico foi: “Não é o inconsciente o que eu vejo em suas pinturas, e sim o consciente”. Isso deixa claro que há duas “vontades” do artista agindo sobre a obra, uma consciente e a outra inconsciente. Freud não poderia psicanalisar o quadro do ponto de vista do mito de Narciso porque os autores surrealistas recorrem a métodos e temas retirados da psicanálise para dar a seus trabalhos a aparência do inconsciente; mas poderia identificar o que foi “dito” pelo pintor inconscientemente. Nesse jogo entre a vontade consciente e a inconsciente do artista pode-se identificar uma relação entre a primeira com os elementos sociais, externos, e a segunda com os elementos universais, arquetípicos que influenciam a obra. A literatura, como as outras artes, também possui essa duplicidade; também sofre os reflexos das vontades consciente e inconsciente do autor. Além disso, há as projeções de imagens inconscientes do leitor na obra. Assim como em A metamorfose de Narciso vemos uma imagem que pode se tornar outra, nas obras literárias encontramos símbolos que nos levam além do significado mais evidente.

É transcendendo esse significado mais evidente e superficial que conseguimos encontrar um significado maior, um sentido para a vida. Da mesma forma que ao escrever uma obra literária o autor expressa aspectos do inconsciente, o leitor busca identificar no texto literário esses aspectos, dando, assim, um significado à vida.

Pequod, de Vitor Ramil, apesar de possuir uma estrutura absolutamente inovadora, é um texto repleto de símbolos e elementos arquetípicos que podem ser encontrados em outras obras desde as origens da literatura. Como os demais escritores, Ramil expressa-se de acordo com o seu tempo, entretanto, o que existe “por trás” do texto é universal. O autor de Pequod, ao apresentar-nos uma estrutura complexa, que exige um leitor mais maduro, atende a um anseio do homem atual, acostumado aos desafios da vida moderna e angustiado com a falta de respostas para questões existenciais e, ao mesmo tempo, dialoga com textos de outras épocas, através dos elementos universais que possuem em comum: mitos e arquétipos presentes no inconsciente coletivo da humanidade. Essa interdiscursividade acontece tanto em um nível consciente, quanto inconsciente, pois percebe-se uma intenção de estabelecer esse diálogo com Moby Dick e com textos da Bíblia Sagrada, não acontecendo o mesmo com outras obras e com alguns mitos com os quais, embora sem o intuito, ainda assim, Pequod comunica-se. Isso é o que faz com que se encontre significado no texto de Vitor Ramil. Se a intertextualidade faz o texto significativo, não o faz original, pois uma obra literária já não pode ser considerada original; se o fosse, não poderia ter sentido para seu leitor. É apenas como parte de discursos anteriores que qualquer texto obtém sentido e importância.

Um dos temas presentes em diversas obras no decorrer dos séculos é o da luta do homem contra a natureza, na tentativa de dominá-la, simbolizando a luta arquetípica para dominar a sua própria natureza instintiva. Em várias obras essa luta se dá em ambiente marítimo, o que não acontece por acaso, pois o mar é um elemento de incontestável valor simbólico, representativo da vida e da morte. Da vida porque é na água que ela começa; da morte porque, solvente universal, a água tudo dissolve. Elemento de purificação, a água, através do batismo, também pode simbolizar a transformação do homem em um ser melhor.

Essa luta arquetípica aparece em obras como a Odisseia, de Homero; a Bíblia Sagrada; A divina comédia, de Dante; Moby Dick, de Herman Melville; Os trabalhadores do mar, de Vitor Hugo e O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Em todas elas encontramos alguma relação, intencional ou não, com Pequod. Em cada uma das obras referidas percebemos a tentativa do homem de resolver essas questões de luta interna de acordo com as crenças e a visão de mundo vigentes na época. O ser projeta no mundo seus conflitos internos, tentando resolvê-los em batalhas contra a natureza.

Em Odisseia — século VII a.C. — percebemos uma humanidade intelectual e emocionalmente imatura. O homem, de forma infantil, tenta encontrar explicações para os fenômenos da natureza através de seres fantásticos, resolve seus conflitos projetando-os nas guerras entre os deuses. Toda a angústia existencial de Ulisses resume-se em encontrar ou não o caminho de volta para Ítaca. Aí nos deparamos com um reflexo do “Mito da Caverna”, de Platão, segundo o qual o homem, originário de um plano ideal e vivendo em um plano real, sente a angústia de uma vaga recordação de suas origens. A questão é resolvida com a volta de Ulisses a Ítaca.

A Bíblia Sagrada, na história de Jonas e a baleia, apresenta-nos uma humanidade que, embora ainda imatura, já superou a crença em deuses que controlam os fenômenos da natureza, porém, acredita em um Deus punitivo, um Pai severo. Aí também observamos a luta do homem contra a natureza, representada pela baleia que engole Jonas. Da mesma forma que a angústia existencial do homem, na Odisseia, foi projetada na busca de Ítaca, aqui a crise do ser encontra a sua concretização no empenho de Jonas em conseguir o perdão de Deus. Assim se equaciona o conflito interno do homem da época: ser temente a Deus é igual a ser feliz.

Dando-se um salto de alguns séculos na história encontramos uma humanidade mais madura. A divina comédia— 1321 — demonstra-nos que o homem dessa época já era capaz de interiorizar os seus conflitos, embora ainda necessitasse de projeções. Dante criou uma viagem que começou no Inferno, passou pelo Purgatório, terminando no Céu, para representar as dificuldades pelas quais passava e a esperança que tinha de uma recompensa. Para Dante os conflitos internos eram resolvidos com o castigo de seus adversários e uma convivência ditosa com Beatriz no Céu. Embora ele tenha internalizado seus conflitos, ainda assim, projetou-os em fatos do mundo externo, trazendo-os para dentro de si mesmo para que pudesse resolvê-los.

Um pouco mais adiante, duas outras obras mostraram a mesma luta arquetípica, porém com abordagens diferentes. Moby Dick — 1851 — e Os trabalhadores do mar —1866 — também possuem seres que lutam contra forças da natureza. Hugo cria um personagem que representa o bom selvagem e, como é comum nos heróis românticos, possui uma força de caráter inabalável, além de grande força física e muita inteligência. Somando suas qualidades ele vence, quando em confronto com a natureza, todas as batalhas. Enfrenta a fúria do mar, a fome a sede e, até mesmo, uma lula imensa que quase o devora. Entretanto, é derrotado por uma outra força da natureza: o amor. Rejeitado pela mulher amada, o herói suicida-se. O romance de Melville nos oferece um ser igualmente derrotado, porém sem a nobreza de sentimentos do personagem de Hugo. Acab, protagonista de Moby Dick, é um homem cujo único interesse é vingar-se do animal que o mutilou, simbolizando o homem moralmente mutilado pela vida, que se torna ressentido e infeliz. No romance de Hugo, a angústia da existência é projetada na busca pelo amor; no de Melville, tal sentimento é identificado na perseguição a Moby Dick. Santiago, protagonista de O velho e o mar — 1952 — também é derrotado pela natureza. A diferença é que suas angústias são projetadas em algo mais simples, pois sua luta é pela sobrevivência, pelo sustento.

Pequod — 1999 — embora também trate de uma batalha arquetípica para controlar a natureza interna do ser, não faz projeções em questões externas. O seu principal conflito resume-se em "manter sob controle a impossibilidade de controlar a vida". Assim como Acab, de Moby Dick, Ahab é um homem mutilado, mas o que lhe falta não é um pedaço do corpo, e sim da alma.

Ahab é um homem de muitos conflitos e um deles é a sua dificuldade de aceitar aspectos de sua anima, componente feminino da personalidade do homem, mas ao mesmo tempo a imagem do ser feminino que este de modo geral traz em si; em outras palavras, o arquétipo do feminino. Podemos observar em vários momentos a dificuldade que Ahab encontra para lidar com essa parte de sua natureza. Na passagem em que ele brinca com o filho e, subitamente, irrita-se quando o menino o derruba, percebemos a oscilação do humor de Ahab, o que vem a ser uma confirmação de seus limites quanto ao feminino. Os homens que têm dificuldade para integrarem suas animas à personalidade, geralmente apresentam crises repentinas de mau humor, justificadas por uma postura destrutiva que esses aspectos do ser podem assumir em tais casos. Dessa forma, a anima equivale a uma bruxa que pode lançar feitiços de desalento e irritabilidade ou depressão. Como as sereias gregas, ou a Lorelei alemã, a anima pode induzir o homem à destruição. O comportamento de Ahab faz-nos pensar em uma versão masculina do mito de Lilith, representação destrutiva da anima no inconsciente coletivo da humanidade. Nas primeiras versões da Bíblia, não traduzidas para o português, Lilith teria sido a primeira mulher de Adão. Ao contrário de Eva, que fora feita de um pedaço da costela do homem, Lilith tinha sua origem no mesmo barro do qual fora feito seu parceiro, sendo, portanto, igual a ele e não uma “cria” sua. Diz o mito que, durante o ato sexual, Lilith pediu a Adão que a deixasse ficar por cima. Ele ignorou o pedido, irritando-a e fazendo com que ela o abandonasse, indo viver isolada às margens do Mar Vermelho para cuidar de suas cobras e escorpiões. O mito de Lilith possui várias versões em todos os tempos e civilizações. Um exemplo disso é o monstro Lâmia, da mitologia grega. Revoltada com Hera por matar os filhos que tivera com Zeus, a fera tornou-se uma devoradora de crianças, negando assim, um aspecto importante do feminino. No mito de Lilith percebe-se o que aconteceu no interior de Ahab. Não dando liberdade de expressão para sua anima, ele fez com que esse aspecto de sua psique, recolhido ao inconsciente, assumisse uma forma destrutiva. Isso fez com Ahab se isolasse do mundo, como Lilith no Mar Vermelho, e, como ela cuidava de suas cobras e escorpiões, ele cuidava de suas aranhas. Lilith lutava contra Adão, um ser masculino; Ahab luta contra sua anima, um ser arquetípico feminino. Talvez a origem dessa luta interior do personagem de Pequod esteja em um conflito entre seus pais, que aparece em alguns momentos na obra. A mãe de Ahab menino queria que ele usasse os cabelos longos, mas ele os cortou, dando como justificativa: “No soy un maricón”. A mãe ficou desolada, o pai, orgulhoso, conforme relata, mais tarde, um amigo da família: “¿Te acuerdas cuando eras pequeño y, por tu cuenta, te pelaste la cabeza? Él me contó después, riendo; y decia: ¡Éste sabe lo que quiere, éste sabe lo que quiere!” (p.60). Há, além disso, uma passagem em que, depois de morto o pai de Ahab, a mãe e a esposa vão à missa. A mãe demonstra desapontamento porque o pai não a deixava ir à igreja quando vivo.

Como podemos perceber, a luta arquetípica de Ahab para controlar a natureza também acontece nos demais textos mencionados, porém, enquanto nas outras obras os personagens projetam seus conflitos em algo que existe fora deles, Ahab interioriza-os, tentando controlar a si próprio e à vida. Pequod, assim como os outros textos, mostra, em sua forma, um pouco do homem da época. O texto é todo fragmentado; o tempo e o espaço têm uma importância subjetiva, pois são psicológicos. Interessa-nos pouco saber em quanto tempo a história desenrola-se, tampouco nos importa situar o acontecimento dos fatos em um espaço fixo, pois o que vale é o espaço interno de Ahab, é onde o conflito mortal acontece. Poderíamos consultar um mapa de Satolep (Pelotas) ou de Montevidéu, mas isso não acrescentaria nada à nossa leitura. O mais interessante nos espaços são os símbolos que neles aparecem, como o navio afundado, representando o “naufrágio” de Ahab; a água que invade a casa pelas goteiras, mostrando a lenta “diluição” psicológica pela qual passou o personagem ou, importantíssima, a fotografia, que tanto o perturbava, e que exerceu a função de ilustrar um pouco mais sobre o temperamento de Ahab, um homem atormentado pela própria imobilidade diante da vida. O que se torna interessante nessa fotografia é que, sendo um objeto pertencente ao espaço, traz em si a imagem de outro espaço. É a representação de um espaço da memória que é significativo para o personagem. A fotografia de Ahab nos é apresentada na capa do livro, mostrando que o texto interage, não só como outros textos e com mitos, mas também, com elementos externos a ele. As fronteiras de um livro nunca são bem definidas: por trás do título, das primeiras linhas e do último ponto final, por trás de sua configuração interna e de sua forma autônoma, ele fica preso num sistema de referências a outros livros, outros textos, outras frases: é um nó dentro de uma rede. Esse nó dentro de uma rede lembra-nos as teias das aranhas de Ahab. A estrutura da obra vai toda sendo “tecida” através de relações interdiscursivas que vão se estabelecendo na leitura.

A visão que temos do personagem central, Ahab, dá-se toda a partir da visão do menino sobre o pai. Podemos distinguir duas formas de autobiografia: as recordações, nas quais o autor esforça-se por estar ‘com’ aquele que foi um dia, e as memórias, nas quais o autor procura rever-se a fim de julgar, justificar e polemizar, o que supõe que ele se separa de si mesmo e se vê ‘por detrás. Sob esse ponto de vista podemos afirmar que enxergamos pelos olhos do narrador. A nossa visão é, de certa forma, vinculada à sua, portanto, vemos Ahab conforme ele é visto por seu filho.

Middelkoop fala-nos de um outro arquétipo que pode ser reconhecido no livro de Vitor Ramil: o mito do velho sábio. Aquilo que, na Antiguidade, era chamado de o espírito guia, é geralmente vislumbrado e visto internamente como um Velho Sábio, um personagem arcaico da alma coletiva que vive profundamente enterrado em todas as pessoas. Assim como outros arquétipos, esse também aparece em diversas obras. Percebe-se essa presença tanto nos velhos que servem de guia aos personagens quanto nos cuidados dos jovens com seus idosos. Em Odisseia, Penélope preocupa-se em tecer a mortalha do sogro Laertes; na Bíblia, há a presença de vários profetas, que servem como guias, inclusive na história do rei Acab; em A divina comédia, Dante é guiado pelo seu ídolo Virgílio; Moby Dick apresenta-nos um Starbuc empenhado em fazer com Acab desista de perseguir o leviatã; O velho e o mar mostra essa relação entre o jovem e o velho de forma poética, pois o menino Manolim, grato ao velho que o ensinou tudo o que sabe, toma conta dele como se fosse seu próprio pai. Pequod traz-nos esse mito de forma avessa, pois o “guia” do narrador é alguém que não consegue se ajustar à vida. Virgílio, arrumando o espelho retrovisor, Virgílio colocando seus óculos escuros, Virgílio engatando primeira: vamos lá. Ahab guia o menino em uma viagem ao inferno, porém, sem o equilíbrio com que Virgílio guiou Dante. Isso não chega a ser uma novidade, pois, na Bíblia já encontramos profetas nos quais não podemos confiar. Esses exemplos demonstram de maneira chocante a ambígua natureza enganadora do inconsciente. No caso de Pequod era o menino quem tomava conta do pai. “(…) tive medo de acordá-lo. Então, juntando nas mãos em concha a água fria, fiz o que pude para mantê-lo protegido.” (p. 102).

Outro arquétipo apresentado no livro de forma avessa é o mito de Édipo. Ahab, talvez pela forma mal resolvida com que lida com seus aspectos femininos, é um Édipo que já tomou consciência de sua maneira dependente de viver em relação às mulheres de sua vida: mãe e esposa. O personagem depende de que elas resolvam tudo para ele, chegando ao ponto de, quando o seu processo destrutivo já estava mais adiantado, precisar que elas colocassem a comida em frente à porta do quarto das aranhas, onde ele se encontrava. Entretanto, o protagonista não aceita esse fato, tentando libertar-se sem, contudo, conseguir. Como Édipo, Ahab vive vagando, sem nada enxergar, como ser imaturo que é: “Não vejo nada. Não posso andar se não sei por onde ir.”

Pequod é um espelho da alma humana. Um espelho que, ao ser lido, nos faz enxergar para dentro, ajudando-nos, assim, a encontrarmos aquele sentido para a vida do qual falou Bettelheim. O leitor da atualidade, influenciado pelo contexto em que vive, busca desafios ao ler uma obra, mas, além disso, ele busca, como todos os outros leitores, em todos os tempos, encontrar na obra um espelho do que lhe vai na alma. Um espelho que o possa ajudar nas transformações pelas quais precisa passar, lembrando-nos A metamorfose de Narciso.

Pequod, de Vitor Ramil - Editora L&PM

Os bons segredos, de Sarah Dessen - Editora Seguinte

Os bons segredos, de Sarah Dessen - Editora Seguinte
Os bons segredos
Autora: Sarah Dessen
Editora Seguinte
Ano: 2015
Número de páginas: 408

       “Você sempre acha que quer ser notada. Até ser notada.”

Da rainha do YA contemporâneo americano, Sarah Dessen, o livro Os bons segredos, publicado pela Editora Seguinte, é um romance muito profundo sobre família, amizade, amor, e sobre aprender a assumir o papel de protagonistas de nossas próprias vidas. Sydney, uma garota de dezessete anos, cresceu à sombra do irmão mais velho, Peyton, um rapaz que vivia aprontando e só escapava de ser punido por conta da superproteção que seus pais lhe davam. Até que ele atropela um garoto, deixando-o paraplégico, e é preso. Dessa vez, seus pais não encontram meios de livrá-lo da cadeia e ele tem de cumprir sua pena.

Enquanto a família se preocupa apenas com o filho mais velho, Sydney sente-se deixada de lado e rejeitada. Sentindo que precisa mudar o rumo de sua vida, a garota pede transferência do colégio particular onde estuda – já que lá todos conhecem seu irmão – e muda-se para um colégio público. Lá, conhece Layla, que se torna sua melhor amiga e confidente, e a família Catham, donos de uma deliciosa pizzaria na cidade. 

Os bons segredos, de Sarah Dessen - Editora Seguinte
A amizade entre as duas vai se intensificando ao longo do livro, e Sydney acaba conseguindo um emprego como entregadora da pizzaria dos Catham. Para ela, isso é um alívio imenso, um meio para escapar do clima tenso que se estabelece em sua casa, e uma oportunidade de espiar a vida de outras pessoas. Aos poucos, ela descobre a amizade verdadeira, o amor, e percebe que não é invisível e deve ser a protagonista de sua própria vida. O livro Os bons segredos aborda temas profundos de forma leve e muito sutil, com cenas bem escritas e personagens carismáticos, fazendo-nos devorá-lo até a última página. 

Os bons segredos, de Sarah Dessen - Editora Seguinte

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