quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record
Grito
Autor: Godofredo de Oliveira Neto
Editora Record
Ano: 2016
Número de páginas: 160
Cortesia de Stéphane Chao, agente literário.

No decorrer de nossa vida como leitores, são vários os livros que, por diferentes motivos, nos agradam. E cada um desses livros tem, para nós, o seu encanto. Grito, de Godofredo de Oliveira Neto, publicação da Editora Record, ganhou-me, antes de tudo o mais, pela forma, lindamente elaborada, embora o conteúdo, devo dizer, não deixa nem um pouco a desejar. Percebe-se que o autor  possui uma incrível consciência linguística, tratando a obra literária como algo que vai muito além de uma história para contar. É uma espécie de alquimia, em que se transformam palavras em obra de arte.

A narrativa gira em torno da amizade improvável entre Eugênia e Fausto. Improvável porque a ex-atriz Eugênia, sendo uma octogenária, apaixona-se platonicamente pelo ator iniciante Fausto, de quase vinte anos, e passa a viver com ele uma amizade em que realidade e ficção misturam-se. Fausto convive mais com a velha atriz do que com pessoas da sua idade, e os dois juntos criam e encenam peças teatrais em seus próprios apartamentos. Eugênia é viúva e aposentada, enquanto o jovem rapaz não para em emprego algum. O que os une e mantém o relacionamento é uma admiração mútua. A questão é que Eugênia sente muito ciúme de seu jovem amigo, a ponto de criar alguns problemas e, até mesmo, espioná-lo nas redes sociais. 

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora RecordGrito é um daqueles romances sobre os quais não conseguimos parar de pensar durante um bom tempo após o término da leitura, pois é necessário que se processe tudo o que foi vivido durante o contato com persongens tão incomuns. O final é surpreendente, embora eu deva admitir que, de certa forma, tudo se encaminhava para esse desfecho. Embora trate-se de um romance, a obra apresenta, em alguns momentos, um formato que se aproxima do gênero dramático, inclusive os capítulos são chamados de atos, e há passagens em que a história é contada por meio de diálogos. É uma leitura muito agradável, desafiadora e rápida, embora por ser densa, faça-nos parar algumas vezes para refletir e processar o que lemos. Recomendo a leitura de Grito, sobretudo àqueles que apreciam literatura de qualidade.

Grito, de Godofredo de Oliveira Neto - Editora Record

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