Animus e Anima, de Emma Jung: os opostos que vivem em nós - Editora Cultrix


 Todos nós, em algum momento, já ouvimos falar em Sigmund Freud ou em alguma de suas teorias do inconsciente, como o complexo de Édipo, por exemplo, que se tornou bastante popular. Um pouco menos mencionado pelo grande público, mas não menos importante, o psiquiatra Carl Gustav Jung, que foi discípulo de Freud, mas rompeu com o mestre para seguir o seu próprio caminho, desenvolveu o conceito de animus e anima, que nada mais são do que aspectos inconscientes de um indivíduo, em oposição à consciência. É o que chamamos popularmente de "lado feminino" do homem e "lado masculino" da mulher. Masculino e feminino são tratados aqui, não como gênero, mas como polaridades com características próprias.

Em sua obra, Animus e Anima,  Emma Jung, esposa de C.G. Jung e também psiquiatra, apresenta-nos dois excelentes ensaios sobre o assunto. O primeiro, intitulado Uma contribuição ao problema do animus, mostra-nos como essas características femininas atuam na psique masculina; o segundo, denominado A anima como ser natural, apresenta-nos, ao contrário do caso anterior, a influência dos aspectos masculinos na psique feminina. Esse outro lado, feminino no homem e masculino na mulher, formam-se a partir de nossas experiências com o sexo oposto, desde a mais tenra infância. A mãe, as tias, as avós, ou quaisquer outras mulheres que convivam com o menino, e o pai, os tios, os avôs e os demais homens que façam parte da vida da menina poderão contribuir na formação do animus e da anima. Por outro lado, esses aspectos, nos adultos, determinam a escolha dos parceiros amorosos, o que pode servir para explicar o famoso "dedo podre" de algumas pessoas. 

Recomendo o livro para todos aqueles que quiserem saber um pouco mais a respeito de si mesmos, pois é uma leitura bastante reveladora. Quem nunca se perguntou por que repete sempre o mesmo padrão (e os mesmos erros) no que se refere à escolha do(a) parceiro(a)? Um dos grandes méritos da obra é tratar de um tema complexo, de forma extremamente acessível mas sem cair na armadilha das simplificações. É um livro pequeno, pouco mais de 100 páginas, mas grande na qualidade. Embora teórico, pode ser lido, tranquilamente em um ou dois dias. Trata-se, sem sombra de dúvidas, de uma obra prima da literatura psi. 


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