sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret

Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret
A obra Crime e castigo, de Dostoievski, tem como protagonista um jovem estudante de direito que muda para uma cidade grande a fim de frequentar a universidade. Não possui recursos financeiros e vive em uma pensão decadente recebendo ajuda da mãe e da irmã. Ródion Românovitch Raskolnikof havia parado com seus estudos por razões financeiras e já não tinha meios de pagar a pensão onde morava. Um dia, ouvindo uma conversa entre dois cavalheiros, na qual um deles dizia que a velha usurária Alena deveria ser assassinada, pois era uma pessoa desprezível e tratava muito mal a irmã Isabel, Ródion concebeu o seu plano. 

Após algum tempo de isolamento e premeditação, Raskolnikof assassinou Alena com machadadas na cabeça, e como Isabel chegasse quando ele ainda estava no local do crime, matou-a também. Roubou alguns objetos e dinheiro da velha, porém não deu importância alguma a isso, escondendo o produto do seu roubo embaixo de uma pedra. Após o crime, ele adoeceu e foi cuidado por seu amigo Razumikine e o médico Zózimof. Ao receber uma intimação, Raskolnikof foi, mesmo doente, ao comissariado para ver do que se tratava e, lá chegando, constatou que a dona da pensão onde morava estava reclamando os aluguéis atrasados. Durante a sua estada no comissariado, ouviu comentarem sobre a morte da velha e sua irmã e, não aguentando, passou mal e desmaiou. Tal atitude fez com que começassem a desconfiar dele.

Certa vez, após voltar ao local do crime e levantar suspeitas nas pessoas que estavam presentes, resolveu ir ao comissariado, porém foi desviado de seu destino ao encontrar Marmêladof, o seu amigo alcoólatra, atropelado na rua. Como ninguém mais o conhecesse, levou-o para casa e disse a Catarina, sua esposa, que chamasse um médico, pois ele estava disposto a pagar tudo. Marmêladof acabou por morrer e isto fez com que as relações entre Raskolnikof e a família do morto se estreitassem, pois o jovem ofereceu-se para pagar as despesas do funeral e, para isso, deu a Catarina todo o dinheiro que ganhara de sua mãe. 


Raskolnikof resolve contar sobre o crime a Sônia, filha de Marmêladof, porém, não imagina que Svidrigailof, homem casado que pretende seduzir a sua irmã, está escutando atrás da porta. Sônia desespera-se e pede a ele que se entregue. Na casa de Sônia, Svidrigailof demonstra a Raskolnikof que sabe de toda da verdade. Ródion procura Svidrigailof, que tenta esconder-se, mas não consegue. Conversam longamente e Raskolnikof percebe que o outro tenta livrar-se dele, e então o segue. Mas Svidrigailof consegue enganá-lo e fica sozinho para procurar Dúnia, irmã de
Raskolnikof. Os dois encontram-se na rua, mas Svidrigailof convence a moça a ir até o seu quarto. Lá chegando, ele conta sobre o crime de seu irmão e tenta possuí-la com chantagem, mas ela resiste e ele acaba por desistir, suicidando-se horas depois, mas não sem antes resolver o problema dos órfãos de Marmêladof e dar uma boa quantia em dinheiro para Sônia.

Por se tratar de uma obra da literatura russa, o mais difícil é não se confundir com tantos nomes diferentes dos personagens e, como se isso não bastasse, cada personagem tem vários nomes. Fora isso, o livro é fantástico no sentido de mostrar um raio-X da alma humana. Os personagens são extremamente complexos do ponto de vista psicológico e, mesmo o mais cruel ou degenerado, em algum momento mostra algo de bom, como Raskolnikof, que mata uma velha a machadadas, mas doa todo o seu dinheiro à viúva de Marmêladof para que ela faça o funerak do marido; ou como Svidrigailof, que tenta abusar de Dúnia, chantageando-a, mas antes de morrer ajuda financeiramente os órfãos. Por se tratar de uma obra realista, não podemos esperar finais extremamente felizes, ainda assim, o final da obra traz uma mudança que acontece de modo sutil em Raskolnikof, que pode ser interpretada como uma forma realista de regeneração. A obra é belíssima, está entre as minhas melhores leituras. Recomendo 
Crime e castigo para quem gosta de narrativas com forte teor psicológico.


Crime e Castigo, de Dostoiévski: uma história de regeneração - Editora Martin Claret


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