quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Breve comentário sobre o texto "Quem forma o professor leitor" de Luzia de Maria



Ao organizar alguns textos antigos guardados, encontrei um do qual gostei muito de ler, há alguns anos. O texto chama-se “Quem forma o professor leitor?”, De Luzia de Maria. Ao lê-lo, recordei-me do meu primeiro semestre no curso de Letras. A primeira aula de Teoria da Literatura, foi extremamente marcante, pois ao dizer-nos que teríamos de ler Édipo Rei, de Sófocles, a professora resolveu contar-nos a história antes. Isso foi feito com tal emoção por parte dela, que emocionou, também, a nós, alunos, que escutávamos. Ao terminar a aula, fomos nós, colegas, conversando no ônibus sobre a história e pude comprovar que a boa impressão foi geral. No outro dia, fui a biblioteca pegar o livro de Sófocles emprestado e, lá chegando, encontrei três colegas que também foram retirá-lo, todos interessadíssimos em ler a obra. 

Mais tarde, o mesmo aconteceu em uma aula de Literatura Ocidental, em que a professora nos contou duas histórias, uma de Moacyr Scliar (História Porto-Alegrense) e a outra de Marina Colasanti (Entre as folhas do verde O.). Percebia-se o prazer da mestra ao contar as histórias e isso fazia com que os alunos escutassem fascinados. A partir dessas duas experiências, decidi que gostaria de mostrar às pessoas (em especial aos meus alunos) o quanto a literatura pode fazer-nos feliz. Isso foi bem antes do boom dos blogs literários, mas a ideia de compartilhar leituras já estava latente

Essas experiências ficaram em um nível muito emocional. Ao reler os textos contados pelas professoras, sinto novamente aquele imenso prazer causado naquele primeiro momento, mas custei um pouco a pensar sobre isso de forma puramente racional. O texto da doutora Luzia de Maria forneceu-me subsídios para organizar esses sentimentos em forma de ideias e creio que isso tem me acompanhado na minha trajetória de leitora e, sobretudo, de professora. A partir dos argumentos apresentados pela autora foi provado que as experiências vivenciadas por mim e meus colegas não são um fato isolado. Podemos nós, também, com o nosso entusiasmo por um determinado livro, influenciar positivamente outras pessoas, contribuindo para a sua formação leitora.