Paulo Leminski: alguns de seus melhores poemas

      

Seguidamente acontece de eu acordar pela manhã com uma certa música "tocando" em minha cabeça. Infelizmente, nem sempre é uma música de que eu goste ou que tenha algum significado para mim. E ela fica lá, em modo repeat, muitas vezes me enlouquecendo! Até aí, nada de mais. Afinal, creio que isso acontece com todo mundo. Quem já não ficou cantando, desesperadamente, todas as músicas que viessem à memória só para se livrar daquele jingle em época de campanha eleitoral? Mas hoje aconteceu algo inusitado, e posso dizer que, sinceramente, gostei. Acordei com um poema de Paulo Leminski na cabeça. Um poema que está, seguramente, entre aqueles que considero os melhores, sendo "declamado" dentro de mim. Adorei!!!
         
o novo
não me choca mais
nada de novo 
sob o sol

apenas o mesmo 
ovo de sempre 
choca o mesmo novo
       
Então, ocorreu-me que poderia compartilhar no blog um pouco de Paulo Leminski e alguns de seus melhores poemas, segundo o meu ponto de vista. Considero este um dos dos melhores poetas brasileiros. Textos simples, leves e, ao mesmo tempo, profundos em significado. Escolhi, além do poema acima, mais quatro. Deixo, ainda, um link para quem quiser o seu livro, Toda Poesia, e dois vídeos de documentário sobre o poeta. Divirtam-se!!!


Sem título

Eu tão isósceles
Você ângulo 
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração



Razão de ser
                                        
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu,
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias,
O peixe beija e morde o que vê,
Eu escrevo, apenas.
Tem que ter por quê?


eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha.




Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora


e outros pequenos probleminhas.


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Documentários:

Paulo Leminski - Um coração de poeta




Paulo Leminski - Ervilha da fantasia