segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pureza, de Jonathan Franzen - Editora Companhia das Letras

Pureza, de Jonathan Franzen - Editora Companhia das Letras
O livro Pureza, de Jonathan Franzen, da Editora Companhia das Letras, apresenta-nos a jovem Purity Tyler, ou simplesmente Pip, de 23 anos, que fora criada pela mãe, Penélope Tyler, completamente protegida do mundo. Mas a moça, após formar-se em jornalismo, resolve viver por conta própria em Oaklan, na Califórnia. O problema é a imensa dívida de Pip, 130 mil dólares, por conta do crédito estudantil, dívida essa que não pode ser quitada, já que a jovem trabalha em um subemprego, como operadora de telemarketing, em uma empresa que vende soluções no âmbito da energia elétrica. Pip vive em uma casa ocupada por integrantes do movimento ocupy. Não sabe quem é o seu pai. Sequer sabe o verdadeiro nome de sua mãe, pois Penélope Tyler é um nome falso. Embora Pip pergunte à mãe, inúmeras vezes, sobre a identidade de seu pai, Penélope recusa-se a revelar a verdade para a moça.

Embora Pip Tyler seja a nossa protagonista, a narrativa não fica todo o tempo centrada nela, passando a narrar sobre outros personagens de grande importância dentro da trama, todos relacionados à Pip. Na casa em Oaklan, que divide com outras pessoas que, como ela, não têm onde morar, Pip conhece uma ativista alemã que a apresenta ao Projeto Luz do Sol, liderado por Andreas Wolf, um filho da Alemanha comunista, que saiu de seu país após a queda do muro de Berlim. O Projeto Luz do Sol seria uma organização que espiona e divulga informações confidenciais de todo tipo, uma espécie de Wikleaks. Pip é convencida a estagiar nesta organização, passando uma temporada na Bolívia, levando consigo a esperança de descobrir os segredos que envolvem o seu passado e nome de seu pai. Temos ainda, como personagens importantes na trama, Tom e Leila, sua namorada, ambos jornalistas. Tom tem uma séria dificuldade de livrar-se da sombra de sua ex esposa, o que atrapalha o relacionamento com Leila.

Jonathan Franzen, em sua trama, faz-nos viajar entre o passado e o presente dos personagens e, ao narrar suas histórias, apresenta-nos um mundo de aparências e de papeis desempenhados, levando-nos a alguns questionamentos acerca do que é bem e do que é mal. Mostra-nos o quanto somos vulneráveis em tempos de internet. Seus personagens são intrigantes e bem construídos, demonstrando uma complexidade psicológica que poucos ficcionistas conseguem alcançar. A narrativa é densa, mas nem por isso deixa de ser agradável em suas reviravoltas. Não é uma leitura para se fazer correndo, pois é cheia de detalhes significativos que não devem ser ignorados, a fim de manter a riqueza da interpretação. Posso dizer que essa foi uma leitura que me despertou sentimentos diversos e, por vezes, antagônicos. Em alguns momentos, senti-me profundamente irritada com algumas atitudes da protagonista, Pip, mas em outros momentos, senti muita empatia por ela, o que considero um ponto positivo do livro, pois revela o quão humana é a personagem, e o quanto ela nos parece real. Pureza, de Jonathan Franzen, é uma ótima leitura para quem aprecia narrativas inteligentes e desafiadoras.

Para quem tiver interesse de ler um trecho da obra, a Editora Companhia das Letras disponibilizou em seu site, AQUI.

Pureza, de Jonathan Franzen - Editora Companhia das Letras

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