terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma saga na Toscana, de Belinda Alexandra - Editora Fundamento

Uma saga na Toscana, de Belinda Alexandra
Embora eu seja uma pessoa com um gosto bastante eclético no que se refere às minhas leituras, nunca escondi o enorme apreço que tenho por romances históricos e, em virtude desse gosto, foi que solicitei à parceira do blog, Editora Fundamento, dois livros deste gênero (conforme mencionado AQUI), para resenhar entre os meses de junho e julho. O primeiro que li, dos livros gentilmente cedidos pela editora, foi Uma saga na Toscana, da escritora australiana Belinda Alexandra. Desde que li a sinopse do livro fiquei encantada pela história, por tratar-se de uma trama cujo ápice se dá durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália de Mussolini, Il Duce. 

A história, ambientada em Florença, tem seu início no ano de 1914, quando um homem misterioso chega ao Convento de Santo Spirito e entrega à Irmã Maddalena uma menina recém nascida. Após entregar o bebê à freira, o homem vai embora sem nada dizer sobre a origem da criança. Deixa como futura pista somente uma chave, que se encontra entre as roupinhas da pequena.  No capítulo seguinte, encontramos a menina abandonada, cujo nome é Rosa Bellochi, já com 15 anos, prestes a deixar o convento para tornar-se preceptora da pequena Clementina, filha do marquês e da marquesa Scarfiotti. Não é uma mudança que Rosa deseje, porém, são as regras do convento, e ela precisa ir embora. É interessante mencionar que a jovem Rosa Bellochi, embora não possua conhecimento algum sobre suas próprias origens, tem um dom natural para intuir a origem de seres animados e inanimados, o que a faz sentir repulsa por carne, já que, de alguma forma que não se explica, a jovem "vê" a agonia do animal que deu origem à refeição. A Vila Scarfiotti revela-se um lugar de muitos mistérios e segredos (e algumas maldades veladas), mas Rosa gosta de dar aulas à pequena Clementina e, embora não aprecie a marquesa, que é seguidora do ditador Mussolini, sente uma certa simpatia pelo marquês. 

Mas as coisas não continuarão bem para a jovem preceptora. Quando Rosa está prestes a ouvir uma revelação acerca da chave que carrega consigo, como um talismã, é cruelmente envolvida em uma trama que fará com que sua vida mude radicalmente para pior. A jovem passa a ser considerada "inimiga do estado" e, de súbito, vê-se sozinha no mundo. Rosa aprende a sobreviver, pois agora tem um filha que, embora nascida de uma situação nada desejável, é muito amada. Rosa é acolhida pela família Montagnani, composta pelos irmãos Luciano, Carlo, Piero e Orietta, e logo vê-se apaixonada por Luciano. Mas o que a moça não poderia esperar era que no futuro se visse entre o amor de dois homens. Rosa casa-se com um, mas em meio à guerra, reencontra o outro, dessa vez como uma mãe de família dedicando-se ao trabalho voluntário de enfermeira. A vida de Rosa é cheia de reviravoltas e de revelações, mas a principal é sobre sua origem, sobre a verdadeira identidade de sua mãe. Revelação que a levará de volta à Vila Scarfiotti.

Uma saga na Toscana é dividido em três partes, na primeira, conhecemos Rosa bebê e, logo em seguida, adolescente; na segunda, uma jovem que luta para sobreviver com uma filha e apaixona-se por um rebelde, que busca uma Itália melhor, livre de Mussolini; na terceira parte Rosa já é mulher feita, com marido e filhos, e a Segunda Guerra estoura, fazendo com que sua família separe-se e ela tenha que exercer o ofício de enfermeira e lutar por um país mais justo. Durante toda a obra, acompanhamos, junto com os personagens, o peso que representaram para a humanidade, o Fascismo de Mussolini e o Nazismo de Hitler. Somos testemunhas das crueldades e atrocidades cometidas neste período, pois embora trate-se de uma história ficcional, com personagens criados pela autora, a narrativa baseia-se em situações que ocorriam na época, dando-nos uma boa visão do quão difícil foi esse período da história da humanidade. 

Ao final do livro, Belinda Alexandra traz um breve relato sobre o que há de real na narrativa. Sobre lugares que existem e outros que foram inventados ou modificados. Então, descobrimos que há um personagem real, cuja participação é muito rápida, que foi incluído na lista de heróis da cidade de Luco após a guerra acabar. Trata-se do cão Fido (que em italiano significa fiel). Embora seja uma passagem muito rápida, como já mencionei, não revelarei o que fez do cão um herói, pois deixarei para que os futuros leitores da obra descubram por si, mas garanto que o cãozinho conseguiu me emocionar, de fato. Uma saga na Toscana é uma narrativa muito bonita,  de uma riqueza imensa, que traz uma mensagem repleta de superação, de amor e de lealdade. Uma história que evidencia o valor do caráter. O trabalho de pesquisa da autora, no que se refere aos fatos históricos, bem como a construção dos personagens, foi excelente. Por vezes conseguimos nos enxergamos vivendo em meio à guerra, convivendo com aquelas pessoas. É um livro maravilhoso para quem aprecia uma boa história de amor, conspiração e guerra.

Uma saga na Toscana, de Belinda Alexandra