Dicas de poesia infantil: pensando nos leitores do futuro


Dificilmente encontraremos alguém que negue os benefícios da leitura na formação de uma criança, afinal, é  de senso comum afirmar que  a criança que lê se tornará um adulto que pensa. No entanto, nós adultos, convictos dos benefícios da leitura, não costumamos parar para pensar sobre o que devemos fazer para despertar nos pequenos o gosto de ler. A minha aposta? Um colo amoroso para ouvir histórias e muita poesia. Por quê? Bem, creio que só podemos atestar sobre algo que conhecemos. Foi assim que me tornei leitora! As primeiras lembranças que tenho quando penso em meus contatos iniciais com esse universo são meu pai me contando histórias e um livro de poemas, cujo nome não me recordo, que ganhei de presente de uma professora no quarto ano das séries iniciais. Era uma coletânea com poemas de autores diversos, mas lembro-me até hoje do meu preferido: A Estrela, de Manuel Bandeira. 

Vi uma estrela tão alta, 
Vi uma estrela tão fria! 
Vi uma estrela luzindo 
Na minha vida vazia. 

Era uma estrela tão alta! 
Era uma estrela tão fria! 
Era uma estrela sozinha 
Luzindo no fim do dia. 

Por que da sua distância 
Para a minha companhia 
Não baixava aquela estrela? 
Por que tão alto luzia? 

E ouvi-a na sombra funda 
Responder que assim fazia 
Para dar uma esperança 
Mais triste ao fim do  meu dia.

Desde então, a poesia tem feito parte de minha vida. Hoje tenho meus poetas e poetisas preferidos, mas nunca me esqueci do poema de Bandeira, o primeiro que tocou meu coração. Por isso, acredito que os adultos que pretendem despertar o prazer da leitura em seus pequenos, devam olhar com olhos mais atentos para os livros de poesia infantil. Há belíssimos livros desse gênero no mercado. Abaixo, sugiro três que estão entre os meus preferidos. Acreditem, a escolha não foi fácil, pois temos verdadeiras pérolas publicadas, prontas para serem degustadas pelos nosso leitores do futuro.

Um elefante no nariz, de Sérgio Capparelli: Com uma linguagem contemporânea e refletindo os conflitos e o cotidiano da cidade grande, Capparelli estabeleceu um diálogo com as novas gerações, combinando lirismo e irreverência, num estilo elogiado generalizados da crítica especializada. Recebeu o prêmio 'Odylo Costa, Filho - Melhor Livro de Poesia - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil' com o livro '33 Ciberpoemas e uma fábula virtual'. ' Um elefante no Nariz' é um livro de poemas com desenhos de Alcy cheios de humor para o jovem leitor. O livro procura captar os anseios e a alma desta geração 'cibernética'.


Abre a boca e fecha os olhos, de Ricardo Azevedo: A dor de dente começa devagarzinho, vai aumentando e logo deixa a mais dócil das pessoas tremendamente emburrada. Todo mundo já passou por isso e sabe como é ruim, mas Ricardo Azevedo transforma esse e outros temas inusitados em deliciosas poesias e adivinhações. Abre a boca e fecha os olhos fala com bom humor sobre os dentes, a língua, as aftas e outros assuntos geralmente destinados à cadeira do dentista. As ilustrações de Graça Lima acompanham a brincadeira.


O bicho alfabeto, de Paulo Leminski: O bicho alfabeto tem vinte e três patas, ou quase. Por onde ele passa, nascem palavras e frases. Só que quando ele encontra o Paulo Leminski, das palavras nascem versos e poemas, que falam sobre o mar, o vento, a chuva, uma estrela, uma pedra, um cachorro, um sapo, uma formiga. Coisas que todo mundo conhece do dia a dia, mas que podem se transformar em outras quando entram na poesia do Leminski. Selecionados a partir do livro Toda poesia e com ilustrações de Ziraldo, os vinte e seis poemas de O bicho alfabeto convidam o pequeno leitor a um passeio surpreendente pela natureza, pelo humor e pela linguagem. E quem decidir se aventurar por essas páginas nunca mais vai ver o mundo do mesmo jeito.



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