segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Traição do Destino, de MaryLu Tyndal: uma reflexão sobre a liberdade - Editora Fundamento

Uma das coisas que mais me agradam em uma obra literária, é a sua capacidade de nos fazer refletir sobre temas universais. Traição do Destino, de MaryLu Tyndal, da Editora Fundamento, é um desses casos. Trata-se de um belíssimo romance de época cujo tema principal é a liberdade. Creio que não há como questionar o valor da liberdade, já que, em vários momentos da história da humanidade, houve pessoas que deram a própria vida, nosso bem maior, lutando por ela, lutando pela liberdade.

O ano é 1812. A história inicia em Barbados, no Caribe, com uma escrava branca, chamada Althea Claymore, fugindo de seu senhor, o cruel fazendeiro Walter Miles. A jovem consegue uma vaga em um navio com destino a Charleston. Tudo o que possui, além de uma quantia irrisória em dinheiro, é um colar de pérolas negras, herança de sua mãe. Chegando a Charleston, Althea, que agora se chama Adália Winston, é acolhida pelo padre, que consegue para a jovem um trabalho como assistente do médico da cidade, o doutor Willaby, já que a moça tem conhecimentos sobre ervas que curam.

Adália jamais esteve tão feliz, com um lar e um trabalho digno. Porém, a jovem não imaginava que, em um atendimento a um escravo doente, conheceria o amor de sua vida, e que, por ironia do destino, ele seria filho de um rico fazendeiro, proprietário de muitos escravos. Após resistir muito ao sentimento que considera inadequado, devido à sua condição, Adália assume-se apaixonada por Morgan Rutledge.  Adália passa a frequentar bailes, concertos e outros eventos com a elite de Charleston, mas nunca chega a ser completamente aceita pelos amigos de Morgan, sobretudo por Emerald, que pretende casar-se com o jovem. 

Emerald descobre o segredo de Adália e a denuncia. Descoberta, a escrava branca é entregue a seu dono, e repudiada pela sociedade de Charleston. E então, surge a dúvida: será que Norman vai aceitar a condição de sua amada e lutar por ela, ou vai continuar sendo, também, um escravo, porém, não de um fazendeiro, mas escravo de uma posição social que o limita e que o impede de ser feliz e realizar os sonhos de sua vida: casar-se com a mulher amada e tornar-se um marinheiro.

Traição do Destinotraz uma reflexão sobre a liberdade, sim, mas não somente sobre a liberdade de uma escrava, em um determinado momento histórico. A obra vai além disso, e nos faz pensar sobre a escravidão nossa de cada dia, sobre uma sociedade escrava das convenções sociais, das opiniões alheias e de tudo aquilo que nos obrigam a ser, que nos impingem desde a mais tenra infância, nos forçando a creditar que é natural que sejamos o que a sociedade determina, mesmo que para isso tenhamos que abrir mão do que somos em essência. É uma bela obra, com um final mais belo ainda. Recomendo aos sensíveis, aos românticos e, sobretudo, recomendo aos inconformados.

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