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Mario Quintana: a força da simplicidade

Leia Mario Quintana e conheça a força da simplicidade.



"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu." 


Mario Quintana, homem espirituoso, poeta de uma singeleza profunda. Sempre encontrava a forma mais simples e bela de falar sobre coisas que, embora importantes, acabamos por nos acostumar. Quintana não precisava de grandes temas para fazer um poema. Uma formiguinha que atravessasse uma folha de papel em branco era mais do que suficiente. 

Antologia poética, de Mario Quintana - Editora Nova Fronteira

A coleção  Saraiva de Bolso é uma parceria da Livraria Saraiva e da Editora Nova Fronteira e é um projeto do qual gosto muito, pois a coleção é composta por obras de altíssimo nível ofertadas a um preço bastante acessível. Embora trate-se de publicações populares, as edições apresentam uma qualidade muito boa. Eu, particularmente, sou fã dessas iniciativas que, em um país onde os livros são tão caros, aproximam obras e leitores, facilitando a aquisição de exemplares. E as capas dos livros são maravilhosas em sua simplicidade, trazendo sempre uma caricatura do autor. Adoro!

Gostei muito de ter encontrado, entre os títulos desta coleção, a Antologia Poética, de Mario Quintana. Quem me conhece sabe que este é um dos meus poetas favoritos. Inclusive, já havia escrito sobre ele aqui. Gosto muito desta antologia do Quintana porque, embora não seja um livro muito extenso, nele estão presentes muitos dos melhores poemas do autor. Nenhum dos poemas que compõem o livro foram novidade para mim, pois já havia lido todos, mas ainda assim, foi muito gratificante reler estas pérolas, das quais gosto tanto. Recomendo o livro para todas as almas sensíveis e de bom gosto. Abaixo deixo uma prévia do que encontramos n obra.

Da Vez Primeira...

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!”

Vídeo que fala sobre o processo de criação das capas.