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Dez clássicos modernos imperdíveis
Os clássicos sempre fizeram parte da minha vida de leitora. Não só pela minha formação, que exigia isso, mas sobretudo, pelo profundo prazer que essas leituras me causam. Não costumo desprezar nenhum tipo de leitura, creio que cada um escolhe os seus livros de acordo com suas necessidades, anseios, gostos pessoais e, muito importante, o seu momento de vida. Uma péssima leitura, em um dado momento, pode ser ótima em outra fase da vida e vice-versa. Mas até mesmo aqueles que torcem o nariz para os clássicos hão de reconhecer que uma obra que sobrevive ao tempo tem lá o seu valor.
Há algum tempo venho pensando em organizar postagens que deem conta de apresentar aos leitores do blog os meus clássicos preferidos. Resolvi começar pelas obras mais atuais por serem mais acessíveis à maioria dos leitores, mas pretendo, mais adiante, apresentar uma lista dos livros mais antigos que moram no meu coração, que por já terem caído em domínio público, podem ser baixados de forma gratuita sem ferir nenhuma lei de direitos autorais, embora também possam ser adquiridos por aqueles que preferem a versão física da obra. No caso dos livros listados abaixo, como ainda não são obras de domínio público, deixo links para compra. O que fiz neste post, na verdade, foi escolher um livro de cada um de meus autores clássicos modernos preferidos. São livros ótimos, mas recomendo a leitura de outras obras dos mesmos escritores.
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Espero que tenham gostado das dicas. Fiquem à vontade para complementá-las, deixando sugestões de leitura nos comentários.
A hora da estrela, de Clarice Lispector - Editora Rocco
A hora da estrela - Autora: Clarice Lispector - Ano: 2008 - Número de páginas: 88 - Skoob
A hora da estrela, de Clarice Lispector, da Editora Rocco, é, sem nenhuma dúvida, um dos livros mais comoventes que já li. A obra narra a história de Macabéa, mulher nordestina, feia e alienada, que vive há algum tempo no Rio de Janeiro. Após a morte da tia, a moça se vê sozinha no mundo. Trabalha como datilógrafa para se sustentar e o seu único lazer nas horas de folga é ouvir rádio. A história de Macabéa é, em certo sentido, igual a de muitas outras mulheres. Ela se apaixona por um metalúrgico chamado Olímpio de Jesus, nordestino como ela, que começa a traí-la com sua colega de trabalho.
O livro é narrado pelo personagem Rodrigo S.M., escritor. Por exercer o ofício da escrita, Rodrigo faz inúmeros questionamentos sobre o ato de escrever. A percepção que o narrador tem de Macabéa é muito conflituosa, ora ele demonstra afeto pela protagonista, ora demonstra desprezo. Segundo Rodrigo, Macabéa é incompetente para vida. A moça mudou-se de Alagoas para o Rio assim que a tia morreu. Na Cidade Maravilhosa, Macabéa foi morar com as quatro Marias em uma pensão, levando uma vida de pobreza e de muitas restrições. Embora pobre, Macabéa orgulhava-se profundamente da profissão de datilógrafa, cujo aprendizado havia sido financiado por sua falecida tia. Além de ouvir rádio, as distrações da moça eram ir ao cinema e tomar Coca-cola, o que só ocorria quando ela recebia o seu salário.
Macabéa é uma mulher insignificante, sem nenhum talento, que leva uma vida medíocre e que acaba conhecendo e apaixonando-se por Olímpio, metalúrgico, homem que não a supera em nada em termos de inteligência, mas fingia ser muito sabido e muito esperto. Macabéa tinha uma enorme dificuldade em lidar com as palavras, mas em alguns momentos da obra, podemos perceber que, ao contrário de Olímpio, ela tinha vida interior. Na verdade, por vezes, o narrador deixa transparecer até mesmo uma certa riqueza interior, que não pode ser expressa devido ao uso precário da linguagem por parte da protagonista. E a felicidade de Macabéa dura pouco, em virtude de duas descobertas: uma sobre a traição de seu amor com a colega de trabalho, a outra sobre a sua saúde. Triste, em uma tentativa de entender a si mesma e à vida, a moça resolve ir à cartomante recomendada pela colega. A vidente prevê maravilhas para a protagonista, fazendo-a sentir esperanças quanto ao futuro pela primeira vez em sua vida. Sai da consulta com a cartomante bastante esperançosa, sem saber que está muito próxima a sua hora da estrela. Macabéa é uma personagem que nos toca profundamente, que nos comove. A hora da estrela é uma obra que diz muito mais nas entrelinhas do que no texto expresso. Recomendo aos leitores sensíveis e atentos aos significados que se escondem por trás do que é dito.
Meus livros inesquecíveis
Já há algum tempo que penso em fazer uma lista com os livros da minha vida, os melhores que já li, pois é muito comum que as pessoas me peçam sugestões de leitura ou perguntem sobre os meus livros de preferência. Isso para mim é um problema, pois quando penso que a lista já terminou, lembro-me de mais algum que não poderia ficar de fora. Então, para acrescentar mais um, penso em retirar outro, mas não consigo, pois todos que vão para a lista são importantes. Quanto mais penso, mais a lista aumenta. Pretendia que fossem cinco livros, achando que seria o suficiente. Cheguei em dez e ainda faltam livros. Então resolvi deixar assim e, futuramente, fazer listas diversas, agrupando os livros por gênero, temas, períodos, etc. Tenho uma quedinha por clássicos, por isso aparecerão alguns nesta primeira lista. Vamos a ela:
Cem Anos de Solidão, de Gabriel Gacía Márquez
Sinopse: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer a fábrica de gelo”... Com essa frase antológica, García Marquéz, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, introduz a fantástica Macondo, um vilarejo situado em algum recanto do imaginário caribenho, e a saga dos Buendia, cujo patriarca, Aureliano, fez trinta e duas guerras civis... e perdeu todas. Em Macondo, os mortos envelhecem à vista dos vivos e os anjos chegam, sempre, em dezembro. Entretanto, García Marquéz nunca aceitou que suas narrativas fossem rotuladas como fantasia. Talvez porque isso exilasse Macondo num outro mundo, que nem a solidão ou a liberdade pudessem alcançar. Cem Anos De Solidão é a mais pura história do povo latino-americano. Mas ultrapassa o momento e expõe a alma dessa história - ou como é vivenciada.
O Processo, de Franz Kafka
Sinopse: A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século XX acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas. Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio.
Crime e castigo, de Dostoiévski
Sinopse: Um dos maiores romances de todos os tempos, narra a história do estudante Raskólnikov, que, vendo-se na miséria, assassina uma velha usurária e não consegue livrar-se do peso do remorso. Obra da maturidade de Dostoiévski, pela primeira vez traduzida no Brasil diretamente do original russo.

Dom Casmurro, de Machado de Assis
Sinopse: Um romance que ficará pra sempre na memória dos leitores. Conheça o solitário Bentinho e a bela e intrigante Capitu, personagens principais desse grande clássico. Se envolva na trama de amor e paixão entre estes dois antagônicos personagens!
Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe
Sinopse: Nestes contos - selecionados e traduzidos por José Paulo Paes - Edgar Allan Poe imaginou algumas das mais conhecidas histórias de terror e suspense da literatura, tramas que migraram da ficção direto para o imaginário coletivo do Ocidente. É o caso de "O gato preto", a tenebrosa história de um assassinato malogrado, ou de "O poço e o pêndulo", que apresenta uma visão macabra da ansiedade da morte. Pioneiro dos contos de mistério, como "A carta roubada" e "O escaravelho de ouro", Poe deu a seus personagens notável profundidade psicológica. Usando de diversos artifícios narrativos inovadores, criava climas e situações aterrorizantes.
O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
Sinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” - no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor.
Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central - um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado - tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.
Orgulho e preconceito, de Jane Austen
Sinopse: Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: "É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa". O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.
Misto Quente, de Charles Bukowski
Sinopse: O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994).
Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.
Madame Bovary, de Gustav Flaubert
Sinopse: Reconhecido por autores como Henry James como “o romance perfeito”, Madame Bovary é a obra fundamental de Gustave Flaubert (1821-80). Trata-se de um raridade, mesmo em um clássico, um exercício meticuloso de escrita que igualmente desafiava as estruturas literárias e as convenções sociais. Não à toa, a época de lançamento o impacto foi duplo: um sucesso de público e a reação feroz do governo francês, que levou o autor a julgamento sob a acusação de imoralidade.
Flaubert inventou um estilo totalmente novo e moderno, praticando uma escrita que, ao longo dos cinco anos que levou para terminar o livro, literalmente avançou palavra a palavra. Cada frase devia refletir o esforço em obtê-la, sendo reescrita e reescrita ad infinitum . Mestre do realismo, o autor documenta a paisagem e o cotidiano da segunda metade do século XIX, ironizando os romances sentimentais e folhetins, gêneros que considerava obsoletos.
A história faz um ataque à burguesia, desmoralizando-a com a descrição exuberante de sua banalidade. Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura.
Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1971, "Felicidade Clandestina" reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos.
Cem Anos de Solidão, de Gabriel Gacía MárquezSinopse: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer a fábrica de gelo”... Com essa frase antológica, García Marquéz, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, introduz a fantástica Macondo, um vilarejo situado em algum recanto do imaginário caribenho, e a saga dos Buendia, cujo patriarca, Aureliano, fez trinta e duas guerras civis... e perdeu todas. Em Macondo, os mortos envelhecem à vista dos vivos e os anjos chegam, sempre, em dezembro. Entretanto, García Marquéz nunca aceitou que suas narrativas fossem rotuladas como fantasia. Talvez porque isso exilasse Macondo num outro mundo, que nem a solidão ou a liberdade pudessem alcançar. Cem Anos De Solidão é a mais pura história do povo latino-americano. Mas ultrapassa o momento e expõe a alma dessa história - ou como é vivenciada.
O Processo, de Franz KafkaSinopse: A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século XX acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas. Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio.
Crime e castigo, de DostoiévskiSinopse: Um dos maiores romances de todos os tempos, narra a história do estudante Raskólnikov, que, vendo-se na miséria, assassina uma velha usurária e não consegue livrar-se do peso do remorso. Obra da maturidade de Dostoiévski, pela primeira vez traduzida no Brasil diretamente do original russo.

Dom Casmurro, de Machado de Assis
Sinopse: Um romance que ficará pra sempre na memória dos leitores. Conheça o solitário Bentinho e a bela e intrigante Capitu, personagens principais desse grande clássico. Se envolva na trama de amor e paixão entre estes dois antagônicos personagens!
Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan PoeSinopse: Nestes contos - selecionados e traduzidos por José Paulo Paes - Edgar Allan Poe imaginou algumas das mais conhecidas histórias de terror e suspense da literatura, tramas que migraram da ficção direto para o imaginário coletivo do Ocidente. É o caso de "O gato preto", a tenebrosa história de um assassinato malogrado, ou de "O poço e o pêndulo", que apresenta uma visão macabra da ansiedade da morte. Pioneiro dos contos de mistério, como "A carta roubada" e "O escaravelho de ouro", Poe deu a seus personagens notável profundidade psicológica. Usando de diversos artifícios narrativos inovadores, criava climas e situações aterrorizantes.
O Retrato de Dorian Gray, de Oscar WildeSinopse: Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” - no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor.
Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central - um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado - tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.
Orgulho e preconceito, de Jane AustenSinopse: Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: "É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa". O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.
Misto Quente, de Charles BukowskiSinopse: O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994).
Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século XX. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.
Madame Bovary, de Gustav FlaubertSinopse: Reconhecido por autores como Henry James como “o romance perfeito”, Madame Bovary é a obra fundamental de Gustave Flaubert (1821-80). Trata-se de um raridade, mesmo em um clássico, um exercício meticuloso de escrita que igualmente desafiava as estruturas literárias e as convenções sociais. Não à toa, a época de lançamento o impacto foi duplo: um sucesso de público e a reação feroz do governo francês, que levou o autor a julgamento sob a acusação de imoralidade.
Flaubert inventou um estilo totalmente novo e moderno, praticando uma escrita que, ao longo dos cinco anos que levou para terminar o livro, literalmente avançou palavra a palavra. Cada frase devia refletir o esforço em obtê-la, sendo reescrita e reescrita ad infinitum . Mestre do realismo, o autor documenta a paisagem e o cotidiano da segunda metade do século XIX, ironizando os romances sentimentais e folhetins, gêneros que considerava obsoletos.
A história faz um ataque à burguesia, desmoralizando-a com a descrição exuberante de sua banalidade. Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura.
Felicidade Clandestina, de Clarice LispectorSinopse: Publicado pela primeira vez em 1971, "Felicidade Clandestina" reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos.
Sua voz dentro de mim, relato corajoso de Emma Forrest - Editora Rocco
Sua voz dentro de mim, de Emma Forrest, foi, de certa forma, uma grata surpresa. Não que eu esperasse pouco do livro, ao contrário, já imaginava que seria bom, mas a obra ultrapassou todas as minhas expectativas. Quando comecei a ler, sabia que se tratava de uma história real, sabia que encontraria o relato de uma mulher diagnosticada com bulimia e transtorno maníaco-depressivo, uma mulher emocionalmente frágil e vulnerável, que se propunha a abrir a alma em um relato sincero e corajoso. O que não sabia era que tinha em mãos um livro que me marcaria para sempre pela sua grandeza e humanidade. Inicialmente, parecia ser apenas mais um livro que, como todos os outros, possui seus altos e baixos, seus momentos de fluidez alternados com outros bem menos interessantes. Até que, na página 140, o livro me ganhou para sempre.
Emma Forrest é uma jovem que, apesar de possuir o emprego dos sonhos de muitos, pois sendo jornalista desde os 16, aos 22 já escrevia para o jornal inglês The Guardian, escondia uma alma atormentada por uma enfermidade emocional que teve origem em um estupro sofrido aos 16 anos. Após uma tentativa de suicídio, Emma inicia o tratamento com o psiquiatra, a quem ela chama no livro de Dr. R, que morreu de câncer em meio a uma das piores crises de Emma, o rompimento de seu relacionamento com o ator hollywoodiano Colin Farrel, chamado no livro de MC (marido cigano). Conforme narra a sua história, a autora homenageia esse médico que tanto a ajudou, inclusive trazendo pequenos relatos de outros pacientes dele.
Bem, vamos à pergunta que não quer calar: por que o livro me "pegou" para sempre na página 140? Tentarei responder sem spoiler (difícil, mas vamos lá!). Como disse anteriormente, Emma perdeu o seu psiquiatra para um câncer bem no momento em que enfrentava o término de um relacionamento. Sentindo-se desamparada, enche a banheira, pega o frasco de comprimidos, e prepara-se para mais uma tentativa de suicídio. Então, nesse momento, ela ouve a voz de Dr. R pedindo que espere, que não faça isso. Aqui aparece, claramente, a razão pela qual o médico mereceu ser homenageado nesta obra. Seu tratamento havia deixado marcas em Emma, marcas que a salvaram mesmo depois de sua morte. "Se eu fizer isso, a morte do Dr. R terá sido em vão."
Pelo tema abordado no livro, podemos até achar que se trata de uma leitura pesada. O que não é verdade, pois a escrita de Emma é extremamente leve e agradável, ainda que trate de algo com tamanha seriedade e carga emocional. Em 2013 saiu notícia de que o livro viraria filme, cujo roteiro seria escrito pela própria Emma Forrest, que hoje trabalha como roteirista em Hollywood. Emma Watsom protagonizaria o filme. Recomendo a leitura de Sua voz dentro de mim a todos que queiram entender um pouco mais sobre a alma humana e suas dores. Sobre a capacidade que temos de superar nossos problemas emocionais, por piores que sejam.
Primeiras leituras de 2016
Não sou o tipo de pessoa que costuma estabelecer metas de leitura, mas tenho a minha lista de livros (cada vez maior) e procuro segui-la. Para começar 2016 mais organizada, defini as minhas sete primeiras leituras, as quais pretendo que sejam feitas ainda em janeiro. Espero que o ano que inicia traga muitas conquistas e, claro, muitas leituras a todos nós. Feliz 2016!
A pesquisadora científica Evelyn Edwards e sua equipe descobrem um corpo de 40 mil anos enterrado sob a calota polar da Antártida. Mas, quando começam a extrair o corpo do gelo, o sonho se transforma em um horrível pesadelo, quando todos são marcados para a morte por alguém que quer manter enterrado esse segredo. Evelyn mal consegue escapar com vida. Ela pede ajuda a seu ex-marido Matt Adams, antigo membro de uma unidade de elite do governo. Logo eles se veem envolvidos em uma corrida alucinante contra o tempo, que os leva ao Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, enquanto tentam desvendar a maior conspiração de todos os tempos, antes que seja tarde demais para a espécie humana. Se a humanidade achava que conhecia suas origens, chegou a hora de repensar tudo, por que todas as crenças estão a ponto de ser questionadas.
Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Vencedora do Prêmio Pulitzer de melhor ficção, a coleção de contos de estreia de Jhumpa Lahiri marcou, em 2000, sua entrada no mundo da literatura. Além disso, Intérprete de males também faz parte de uma primeira leva de certo tipo de literatura que tem ganhado cada vez mais espaço nas livrarias de todo mundo e cujos olhos estão voltados para a vivência entre duas culturas distintas, e para as relações determinadas por este processo: o exílio, a saudade, o desarraigamento, a inadequação, a esperança, a adaptação. A autora, uma das vozes mais importantes da literatura em língua inglesa, é convidada da Flip em 2014.
Nos nove contos que compõem o livro, o leitor verá sempre certo incômodo, certa maneira de estar num lugar de um modo desconfortável, uma espera sem nome e sobressaltos do entendimento desse processo. (...)
Nos nove contos que compõem o livro, o leitor verá sempre certo incômodo, certa maneira de estar num lugar de um modo desconfortável, uma espera sem nome e sobressaltos do entendimento desse processo. (...)
Aos 22 anos, a jornalista, escritora e roteirista Emma Forrest havia trocado Londres por Nova York. Por trás do aparente sucesso, havia uma jovem autodestrutiva. Reunindo as memórias de Emma desde a infância, passando pelo complicado relacionamento com o ator Colin Farrell, que a levou finalmente a buscar ajuda, até as sessões com o discreto Dr. R - psiquiatra que a salvou e que morreu de câncer em meio ao tratamento de Emma -, Sua voz dentro de mim é um relato sincero e corajoso. O livro recebeu críticas positivas e a história chegará aos cinemas com Emma Watson e Stanley Tucci.
Quando Felipe Teixeira – o jovem de olhar descontraído, apaixonado por poesia, blues e vinho tinto – é preso por um crime o qual não é culpado, ele é somente uma vítima? E quando ele rebate ao sistema opressor da penitenciária e se torna igualmente perverso em um plano de vingança, ele é simplesmente culpado? O que fazer, então, quanto tudo que lhe resta é uma cela, contendo apenas um beliche com colchões surrados, uma pequena fissura na parede coberta por grades e que insistem em chamar de janela, e a ruptura total com sua identidade e com os ideais os quais carregou por toda a vida até que os muros da penitenciária lhe limitassem o mundo? Em “Os olhos do condenado” o escritor Fernando Bins nos arrasta junto com nosso protagonista até as mais perversas e naturais faces de um homem a um novo modelo de sociedade e aos mais assombrosos fantasmas que a humanidade poderia apresentar.
A 5ª Onda , de Ricky Yancey
A Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas.
Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos.
Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz) precisa proteger seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.
A 5ª Onda , de Ricky YanceyA Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas.
Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos.
Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz) precisa proteger seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.
Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance para passar uma temporada em Buenos Aires.
Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevem histórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo, 'Cordilheira' gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver com seus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é. Diferentemente dos romances anteriores de Daniel Galera, a perspectiva não é a do universo masculino, e sim a de uma narradora sem receio de encarar os próprios abismos emocionais.
'Tive vontade de desenvolver uma protagonista mulher', explica o autor, 'porque as mulheres modernas me parecem bem mais interessantes e complexas do que os homens. A decisão de narrar o livro em primeira pessoa só veio mais tarde, depois da viagem a Buenos Aires, quando comecei a escrevê-lo.'
Além de uma história de perdas, encontros e desencontros, 'Cordilheira' também é uma reflexão sobre vida e arte, seus limites nem sempre definidos e a maneira como essa sobreposição, em meio aos sonhos e impasses de quem cedo ou tarde precisará enfrentar a realidade, pode acabar mudando os destinos individuais.
Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevem histórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo, 'Cordilheira' gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver com seus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é. Diferentemente dos romances anteriores de Daniel Galera, a perspectiva não é a do universo masculino, e sim a de uma narradora sem receio de encarar os próprios abismos emocionais.
'Tive vontade de desenvolver uma protagonista mulher', explica o autor, 'porque as mulheres modernas me parecem bem mais interessantes e complexas do que os homens. A decisão de narrar o livro em primeira pessoa só veio mais tarde, depois da viagem a Buenos Aires, quando comecei a escrevê-lo.'
Além de uma história de perdas, encontros e desencontros, 'Cordilheira' também é uma reflexão sobre vida e arte, seus limites nem sempre definidos e a maneira como essa sobreposição, em meio aos sonhos e impasses de quem cedo ou tarde precisará enfrentar a realidade, pode acabar mudando os destinos individuais.
Reze pelas mulheres roubadas, de Jennifer Clement - Editora Rocco
Em uma aldeia nas montanhas, no estado de Guerrero, México, vive a pequena Ladydi Garcia Martínez e sua mãe. A miníscula aldeia é composta basicamente de mulheres, crianças e escorpiões. Os homens vão todos deixando a aldeia em busca de uma vida melhor para suas famílias, e geralmente atravessam a fronteira com os Estado Unidos atrás de trabalho. Costumam enviar dinheiro para as esposas no início, mas por fim, muitos deles acabam sumindo de vez e constituindo nova família nos Estados Unidos. Então, as mulheres acabam tendo que lutar pela sobrevivência sozinhas.
Muito triste, não? Mas isso não é o pior! Essas mulheres precisam proteger as suas jovens filhas dos narcotraficantes que roubam as meninas para transformá-las em escravas sexuais. Dificilmente uma menina roubada retornará para casa, pois quando o seu dono cansar dela, sempre poderá vendê-la para outro narcotraficante e, dessa forma, a mesma mulher pode ser vendida muitas vezes.
As mulheres da aldeia criam as meninas como se fossem meninos, até certa idade, e quando não dá mais para esconder a natureza feminina das jovens, elas começam a ser enfeiadas, quanto mais feias forem, melhor, pois serão menores as chances de serem roubadas. Além disso, as mães fazem buracos no chão para esconderem as suas filhas assim que percebem a presença dos raptores. As meninas precisam ficar, por vezes, horas a fio escondidas em um buraco, na presença de escorpiões, para fugir do triste destino de tornar-se uma das tantas mulheres roubadas.
Paula, uma das melhores amigas de Ladydi, é a menina mais bonita da aldeia, e não consegue tornar-se feia, apesar dos esforços de sua mãe, e um dia é levada. Entretanto, a menina consegue fugir e volta para casa depois de um ano. Obviamente, a jovem já não é mais a mesma, traz consigo marcas da experiência vivida. Uma dessas marcas é uma tatuagem em que se lê "garota do canibal", além de algumas queimaduras de cigarros. Paula em, estado de choque, chega a relatar alguns fatos ocorridos durante o seu cativeiro, mas depois de algum tempo, ela e sua mãe fogem da aldeia para evitar que a menina seja levada novamente. Ladydi acaba sendo presa injustamente e, na prisão, fica sabendo de mais alguns detalhes sobre o infortúnio de Paula.
Claro, trata-se de uma narrativa ficcional, mas o mais chocante é que essa ficção foi elaborada a partir de entrevistas feitas pela autora, durante mais de dez anos, com mulheres que vivem nas regiões mais violentas do México, e que passam por situações semelhantes. Apesar de abordar um tema tão pesado, Jennifer Clement brinda-nos com uma obra de leitura agradável, conseguindo, por vezes, mostrar o lado cômico de algumas situações, sem deixar de tratar o tema com seriedade. O livro é muito bem escrito e, na minha opinião, um de seus principais méritos consiste em trazer a público uma situação que, apesar de extremamente séria, é desconhecida por muitos.
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