quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Pergunte ao poetinha... pergunte a Vinicius de Moraes


"Mas, afinal, o querem as mulheres? Pergunte aos poetas." Palavras de Sigmund Freud. Não sei até que ponto essa afirmação é verdadeira na prática, mas convenhamos, não há nada que descreva melhor e toque mais profundamente a alma de uma mulher do que um belo poema. E disso, o poetinha entendia! Seus poemas elevavam a mulher a um status de deusas, mexendo com o imaginário feminino, mostrando a musa como uma mulher desejada, admirada, para falar o mínimo.Vinicius de Moraes deixou-nos, entre canções e livros, uma obra vasta. Recomendo aos iniciantes a sua Antologia Poética, por tratar-se de um livro que dá uma visão geral de todo o seu trabalho. 


Abaixo, deixo alguns de meus poemas preferidos:

Soneto do corifeu


A mulher que passa 
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

Soneto da separação

 Soneto da fidelidade