Menina má, de William March - Editora DarkSide

Menina má, de William March - Editora DarkSide
Menina má
Editora DarkSide
Ano: 2016
Número de páginas: 272

Pense em um livro sobre o qual não conseguimos parar de pensar após o término da leitura, que nos prende, não só enquanto o lemos, mas por um bom tempo após passarmos os olhos pelo último parágrafo. Menina má, de William March, publicado pela Editora DarkSide, é esse livro. Claro que isso se deve a uma soma de fatores, mas creio que o principal deles é que, realmente, o livro é muito bom, muitíssimo bem escrito e estruturado. Aliado a isso, está o tema da psicopatia, que é sempre muito fascinante, despertando em nós imensa curiosidade, o que explica a grande quantidade de livros e filmes que tratam do assunto.

Menina má, de William March - Editora DarkSide
Rhoda é uma bela e encantadora menina de oito anos, que esconde, por trás de seu rostinho infantil, uma alma perversa. Christine, sua mãe, é uma mulher gentil e amorosa, que vai, pouco a pouco, percebendo que há algo de errado com a filha. Em um passeio escolar do qual Rhoda participa, acontece uma tragédia, e um coleguinha da menina é encontrado morto. Alguns dias depois, Christine recebe uma carta da escola comunicando que não haverá vaga para Rhoda no próximo ano letivo. Suspeitando de que algo aconteceu, Christine começa a investigar, o que a levará a descobertas aterradoras, não só sobre Rhoda, mas sobre o seu próprio passado. A mãe sente que precisa fazer algo para conter as maldades da filha. A narrativa é conduzida de forma que Christine se veja diante de uma única saída. Ainda assim, apesar de sabermos qual é essa única saída, o desfecho consegue surpreender.

Menina má, de William March - Editora DarkSide

Menina má foi um livro escrito originalmente no ano de 1954, e fez bastante sucesso na época em que foi lançado, resultando em um filme, que também fez sucesso, chamado A tara maldita, em 1956. Para os padrões da época, a obra foi considerada aterrorizante. Para os padrões atuais, no entanto, o livro não chega a causar medo, embora traga uma leitura bastante densa. Os personagens são bem construídos, mas não possuem muita complexidade do ponto de vista psicológico, mesmo Rhoda, que é uma psicopata, mostra uma certa linearidade. A história se passa em um momento em que a psicanálise, de Sigmund Freud, estava começando a se consolidar, e isso pode ser percebido no desenrolar da narrativa, inclusive nos diálogos da personagem Mônica, vizinha e grande amiga de Christine. O projeto gráfico da obra é sensacional, como geralmente são os livros da DarkSide, a capa é uma obra de arte. Menina má apresenta-nos uma narrativa ágil e envolvente. Leitura mais que recomendada!

Menina má, de William March - Editora DarkSide


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O mistério de Boa Esperança, de Dan Folter - Chiado Editora

O mistério de Boa Esperança
Autor: Dan Folter
Chiado Editora
Ano: 2016
Número de páginas: 248
Cortesia do autor.

O mistério de Boa Esperança, livro de suspense de Dan Folter, publicado pela  Chiado Editora, conta a história de Daniel e seus amigos, Fernando, Valter (o magro) e Wagner (o japa), que resolveram passar alguns dias na pequena cidade de Boa Esperança da Serra, com suas cachoeiras, belezas naturais e... vampiros? É o boato que corre pela cidade, desde que animais, e posteriormente garotas, começaram a desaparecer misteriosamente.

Ainda no ônibus, a caminho de Boa Esperança, Daniel conhece a jovem Adriane, que o convida a se hospedar em casa de sua família, o que o jovem aceita. Ao acordar, após sua primeira noite em Boa Esperança, Daniel descobre que Adriana sumiu e que ele é suspeito de seu desaparecimento. Além de Adriana, há outras moças desapareceidas. Começa então, uma corrida contra o tempo para que os quatro rapazes descubram o que está, de fato, acontecendo. Para isso, contarão com a ajuda da repórter Juliana, enviada para a cidade a fim de fazer a cobertura dos acontecimentos misteriosos. Pouco a pouco vão surgindo indícios da existência de vampiros na região. As opiniões se dividem, alguns acreditam que são mesmo esses seres das trevas que estão atacando, mas outros defendem que isso não é possível, pois vampiros não existem. E nós, meros leitores, ficaremos na dúvida, pois ora nos parece que são mesmo vampiros, ora temos a impressão de que isso é algo muito absurdo. No fim do livro, podemos tirar nossas próprias conlcusões (ou não!).


O mistério de Boa Esperança é todo narrado em primeira pessoa, mas com o foco narrativo sendo alternado entre os personagens, o que nos dá uma noção boa de tudo o que se passa no decorrer da história. A trama é muito dinâmica, fazendo com que a leitura transcorra de modo rápido e agradável. O autor joga com as informações, de tal forma que o leitor ficará até o final em dúvida sobre a existência ou não de vampiros, o que ajuda a prender a atenção. Os personagens são, em sua maioria, jovens, e alguns bastante misteriosos, como Anaíse, menina cheia de segredos, por quem Valter sete-se atraído, embora acredite tratar-se de uma vampira. O livro nos proporciona uma leitura muito gostosa e envolvente, podendo ser concluída em um ou dois dias, seguramente. Recomendo a leitura para quem gosta de mistério, suspense e aventura.

O mistério de Boa Esperança, de Dan Folter - Chiado Editora

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Próxima parada: teu coração, de Jefferson Almeida - Editora Autografia

Próxima parada: teu coração, de Jefferson Almeida - Editora Autografia
Próxima parada: teu coração
Autor: Jefferson Almeida
Editora Autografia
Ano: 2016
Número de páginas: 173
Livro recebido em parceria com a editora.

Quando li a sinopse de Próxima parada: teu coração, escrito por Jefferson Almeida, enviado pela Editora Autografia, imaginei tratar-se de uma história de amor entre dois jovens, como é, de fato. E devo dizer que se fosse apenas isso, já seria bom. Mas surpreendi-me ao constatar que é muito mais do que isso. Ao contar a história de amor entre Murilo e Letícia, o autor vai apresentando dramas humanos aos quais todos estamos sujeitos: morte de entes queridos, separações traumáticas, depressão, luto, medo de viver e de amar. 

Murilo e Letícia conheceram-se no ônibus, ele indo para o quartel e ela para a escola. Ele logo se apaixonou, mas tímido que era, custou a puxar conversa com a garota. Ela, por sua vez, não entregou o jogo logo de início, deixando o rapaz em dúvida quanto aos seus sentimentos, o que acabou por ocasionar alguns mal-entendidos que atrapalharam um pouco o início desse relacionamento. Inicialmente, temos a impressão de que Letícia não passa de uma menina imatura buscando autoafirmar-se, alimentando a admiração que o rapaz tem por ela.  Porém, no decorrer da narrativa percebemos que a jovem é um personagem um pouco mais complexo que isso, uma menina cujos traumas resultantes de tragédias familiares fazem com que ela tenha algumas atitudes que Murilo não compreende. 


Próxima parada: teu coração, de Jefferson Almeida - Editora AutografiaO livro é narrado em primeira pessoa, alternando o foco narrativo entre os dois protagonistas, o que nos dá uma boa possibilidade de entender o que cada um leva na alma. Embora a obra trate de dramas humanos, e tenha o luto como um elemento forte na narrativa, é uma leitura bastante leve e gostosa. E como o livro não é muito grosso, e a leitura flui muito bem, ele pode ser lido, tranquilamente, em um ou dois dias. Os personagens possuem, em sua maioria, uma carga emocional que faz com que nos vejamos envolvidos com seus sentimentos e com suas dores (confesso que me emocionei), o que nos faz sentir solidários e muito próximos deles. Próxima parada: teu coração nós mostra o quanto o amor é capaz de regenerar almas feridas, de restaurar e cicatrizar corações que sangram. Se tivesse que definir a obra em uma palavra, esta seria: emocionante. Recomendo a leitura!

Próxima parada: teu coração, de Jefferson Almeida - Editora Autografia

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Cidade dos fantasmas, de Daniel Waters - Editora Jangada

Cidade dos fantasmas, de Daniel Waters - Editora Jangada
Cidade dos fantasmas
Autor: Daniel Waters
Editora Jangada
Ano: 2016
Número de páginas: 317
Livro recebido em parceria com a editora.

Após uma catástrofe, que ficou conhecida pelo nome de "Acontecimento", que fez com que milhões de pessoas morressem no mesmo dia, abre-se uma fenda entre as dimensões e a cidade é invadida por fantasmas. A obra Cidade dos fantasmas, de Daniel Waters, Editora Jangada, Conta a história de Verônica, uma jovem que tenta sobreviver a esse caos, sem saber que, quanto mais próximo o dia de seu aniversário, mais sua vida corre risco.

Verônica, assim como a maioria dos moradores da cidade, já não estranha mais quando se depara com um fantasma, afinal, isso faz parte do seu cotidiano, da sua realidade atual. Começando por sua casa, em cujo banheiro aparece o fantasma de um garoto todas as manhãs. Além disso, há a visita de seu pai morto, que vem todos os dias tomar café da manhã com ela e sua mãe, enquanto lê jornal e, após um sorriso, desaparece. O curioso é que esses fantasmas chegam sempre à mesma hora, agem do mesmo jeito e vão embora no ar, sem tomar conhecimento de nada ou ninguém à sua volta. No caminho para a escola, Verônica e sua amedrontada amiga Janine veem, todos os dias, o fantasma de Mary Greer batendo na porta do professor August Bittner. Há especulações sobre as razões pelas quais o fantasma da menina aparece à porta de seu antigo professor. 

Cidade dos fantasmas, de Daniel Waters - Editora JangadaVerônica completará, em poucos dias, 16 anos (ou quatro, como ela gosta de brincar, já que nasceu no dia 29 de fevereiro). O que a jovem não sabe é que Bittner pretende assassiná-la nesse dia, pois acredita que assim conseguirá trazer de volta a sua filha, que morreu em um dia bissexto. Bittner já havia estrangulado outras três meninas (entre elas Mary Greer), sempre em um dia 29 de fevereiro. Ao ajudar Kirk, o seu namorado, em uma pesquisa sobre fantasmas, a fim de conseguir nota extra na disciplina do professor Pescatelli, carinhosamente chamado de Peixe pelos alunos, Verônica começa a suspeitar do comportamento de Bittner. É então que inicia uma corrida de Verônica para fugir do professor assassino, e de Kirk para proteger a sua amada. 

Ao iniciar a leitura da obra, imaginei tratar-se de um texto assustador, o que não corresponde à verdade. Não me senti assustada com a leitura, em nenhum momento. Mas posso dizer que fiquei muito envolvida com a narrativa. Cidade dos fantasmas é o tipo de leitura que não nos larga. Sim, a leitura não nos larga, pois quando deixamos o livro, continuamos pensando na história, ou melhor, continuamos presos à história. O livro é narrado, quase todo, em terceira pessoa, com o foco narrativo em Verônica, na maioria das vezes. No decorrer da narrativa há um ou outro capítulo, todos pequenos, em que o narrador é Brian, o fantasma do banheiro de Verônica, e quando isso ocorre, temos a oportunidade de tomar conhecimento de coisas sobre as quais Verônica nada sabe. O livro apresenta um ritmo dinâmico, que faz com que a leitura flua de forma rápida e agradável. O teor psicológico da trama, somado ao elemento sobrenatural, também é algo que me agradou bastante. Senti falta, apenas, de uma explicação sobre o que foi, exatamente, o "Acontecimento", o que o gerou e por que morreram tantas pessoas. Ainda assim, foi uma leitura excelente, que valeu cada minuto que passei em companhia do livro e de seus personagens. Os direitos de filmagem do livro foram vendidos para a Gold Circle Films, e a previsão é de que o filme seja lançado em 2017. Creio que tem tudo para ser um ótimo filme. Recomendo a leitura!

Cidade dos fantasmas, de Daniel Waters - Editora Jangada

[Divulgação] Lançamento do livro "A vadia", de Gislaine Oliveira

[Divulgação] Lançamento do livro "A vadia", de Gislaine Oliveira

A autora Gislaine Oliveira acaba de liberar a sinopse de seu novo livro, que entrará em pré-venda no dia 4 de novembro. A capa, que já conhecíamos, está muito bonita, como é possível constatar na imagem abaixo. 

Confira a sinopse:

[Divulgação] Lançamento do livro "A vadia", de Gislaine OliveiraEsta não é uma história de amor comum, destas que você está acostumado a ler. Existe a menina boazinha? Sim! O menino bonzinho? Sim! A menina invejosa que quer separar os dois? Claro! Então o que é que esse livro tem de tão especial? Você já vai descobrir. 
Esta história não será contada por um narrador desconhecido, nem pelo casal apaixonado. Contrariando todas as expectativas dos românticos de plantão, quem contará a história será ela: A Vadia. 
Apresentações não serão necessárias. Você já conhece A Vadia. A garota alta, loira, peituda e fútil. Ela é a rival, a arqui-inimiga da garota tímida e do bem por quem o cara se apaixona. A piranha que dá em cima do mocinho e que também abandona um namorado só porque ele é pobre.
Você já conhece esta trama. Mas deve saber que toda história tem dois lados. Você já conhece um. Agora vai conhecer o outro!




[Divulgação] Lançamento do livro "A vadia", de Gislaine Oliveira

Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin - Editora Fundamento

Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin - Editora Fundamento
Minha última Duquesa
Autora: Daisy Goodwin
Editora Fundamento
Ano: 2013
Número de páginas: 379
Livro recebido em parceria com a editora.

A história inicia em 1893, nos Estados Unidos, com a Sra. Cash planejando uma viagem à Inglaterra a fim de conseguir (comprar) um marido com título de nobreza para a sua filha Cora, uma rica e linda herdeira de 18 anos. Minha última Duquesa, de autoria de Daisy Goodwin, publicado pela Editora Fundamento, apresenta-nos um retrato dos costumes e da sociedade do século 19. A aristocracia inglesa tinha os seus títulos, mas nenhum dinheiro e muitas dívidas. Por outro lado, os novos ricos americanos tinham muito dinheiro mas não possuíam títulos de nobreza. Em razão disso, eram muito comuns os casamentos por interesse entre nobres e novos ricos.

Cora Cash não desejava casar-se por conveniências, não tinha nenhuma intenção de comprar um marido, pois estava apaixonada pelo jovem Teddy Van der Leyden, mas após ser rejeitada pelo rapaz, e após um acidente horrível em sua festa de despedida, cuja vítima fora sua mãe, Cora embarca para a Inglaterra com a Sra. Cash. As primeiras impressões da garota sobre o Velho Mundo não foram muito positivas, mas tudo começou a mudar em uma caçada da qual participou. Embora a jovem americana montasse muito bem, seu cavalo, após assustar-se, derrubou-a, deixando-a desmaiada. Cora foi encontrada e socorrida por Ivo Maltravers, Duque de Warehan, um homem charmoso e misterioso, que causou ótima impressão na jovem. Seguindo recomendações médicas, a garota fica, com sua mãe, hospedada na propriedade do Duque até se recuperar. 

Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin - Editora FundamentoCora e o Duque aproximam-se aos poucos, até que ele a pede em casamento e ela aceita, para felicidade da Sra. Cash e desgosto da Duquesa Fanny, mãe de Ivo. Fica acordado que o casamento ocorrerá nos Estados Unidos, onde Cora recebe uma visita apaixonada de Teddy, seu antigo amor, mas agora é tarde, pois ela ama o Duque. No entanto, as coisas não correm como Cora planejou, pois Ivo se aborrece com o acordo pré-nupcial e sai para uma caçada, voltando somente para o casamento. Após a lua de mel, Cora assume a sua vida de Duquesa, e envolve-se, sem perceber, em um mundo completamente diferente daquele em que fora criada, acabando por tornar-se vítima de tramas e intrigas que botam em risco a sua reputação. Ingênua, mimada e imatura, a jovem Duquesa precisará aprender a sobreviver em uma sociedade fútil na qual predominam a falsidade e a hostilidade disfarçada.

Em Minha última Duquesa, Daisy Goodwin apresenta-nos uma narrativa leve, de fácil leitura, mas que traz uma visão bem rica e consistente dos costumes no início do século 19. Através da leitura, é possível traçarmos um paralelo entre as sociedades norte-americana e inglesa na época, e percebermos os conflitos entre o Velho e o Novo Mundo, o que é reforçado na forma como os personagens constituem-se. Cora é transparente, acredita no casamento por amor, é uma mulher autêntica e sincera, defrontando-se com pessoas opacas, cujo interior não é possível alcançar completamente.  O livro é todo narrado em terceira pessoa, mas o que chama a atenção é que o foco narrativo permanece em Cora durante quase todo o tempo, com exceção de alguns curtos e poucos momentos, em que a narrativa foca em outros personagens. No entanto, em nenhum momento temos o foco no Duque, o que o torna um personagem bastante dúbio, pois nunca sabemos o que se passa com ele, o que pensa ou sente, se ama Cora ou tem apenas interesse em seu dinheiro. Os espaços e o vestuário, em alguns momentos, são descritos com riqueza de detalhes, o que nos faz sentir, por vezes, dentro da história. Minha última Duquesa foi uma leitura muito leve e gostosa, que proporcionou momentos agradáveis, recomendo.

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Chegou a hora de mudar, de Beatriz Hasegawa - Editora Autografia

Chegou a hora de mudar, de Beatriz Hasegawa - Editora AutografiaChegou a hora de mudar
Autora: Beatriz Hasegawa
Editora Autografia
Ano: 2016
Número de páginas: 78
Livro recebido em parceria com a editora

Chegou a hora de mudar, de Beatriz Hasegawa, gentilmente cedido em parceria com a Editora Autografiatraz o relato corajoso e sincero de uma mulher que resolveu transformar completamente a sua vida, superando o seu maior inimigo: o medo de mudar. É um livro curtinho, mas muito rico em conteúdo, excelente leitura para quem sofre com a obesidade e com os problemas de saúde que dela advêm. 

Beatriz cresceu em uma família em que a obesidade era uma constante. Já na infância, ao participar de um festival de música na escola, a menina percebeu-se diferente, pois a roupa escolhida para uma apresentação com as colegas, não lhe caía bem. Desde então, mergulhou em um mundo de frequentes consultas a endocrinologistas e inúmeras dietas. Emagrecia, mas sempre voltava a engordar. Talvez para poder continuar em sua zona de conforto, tentava justificar o excesso de peso com a genética. Foi quando, ao acompanhar sua mãe a uma cirurgia no joelho, percebeu que precisava fazer algo para mudar essa situação, pois muito em breve os seus joelhos também reclamariam.

Chegou a hora de mudar, de Beatriz Hasegawa - Editora AutografiaBeatriz era muito resistente em relação à cirurgia bariátrica, mas terminou por entender que seria a sua melhor alternativa. No livro, podemos acompanhar todas as etapas desse processo, todas as suas dúvidas e medos, e a forma corajosa com que Beatriz enfrenta a situação. Além de relatar toda a fase anterior à cirurgia, o livro nos apresenta um relato do procedimento e da fase posterior, que é muito importante, pois nenhuma bariátrica funcionará se não houver uma mudança de hábitos, o que requer uma transformação interior. E é nesse ponto que a autora demonstra ser, de fato, uma vencedora, pois conseguir manter o resultado, superando os percalços do pós-operatório, talvez seja o mais difícil. 

Gostei muito do tom utilizado pela autora ao relatar a sua experiência, pois conseguiu transmitir os seus sentimentos sem deixar de tratar o tema com a seriedade necessária. Ouvimos e lemos nos meios de comunicação, diariamente, sobre o crescimento assustador da obesidade, mas nunca paramos para pensar que são os nosso hábitos da atualidade que nos levam a isso e, portanto, estamos todos sujeitos a desenvolver a obesidade. Acredito que esse livro é muito importante para aqueles que sofrem com esse problema e pensam na possibilidade de realizar a cirurgia bariátrica. Mas é uma excelente leitura, também, para aqueles que ainda não chegaram nesse ponto, pois muitas das informações trazidas pela autora servem como dicas valiosas para mudar hábitos prejudiciais. 

Chegou a hora de mudar, de Beatriz Hasegawa - Editora Autografia

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Parceria com a escritora Gislaine Oliveira

Parceria com a escritora Gislaine de Oliveira
É com imensa alegria e muita satisfação que o blog Leituras Compartilhadas anuncia aos seus amigos e leitores a nova parceria firmada, com a escritora Gislaine Oliveira. A autora é gaúcha, tem 23 anos, e vê na literatura a sua forma de salvar o mundo, sobretudo dos esteriótipos e preconceitos que contaminam a nossa sociedade. Para levar adiante essa luta, usa a palavra como arma. 

A autora está com um projeto de primeiras impressões no Wattpad. Quem curte comédia romântica e gosta de ler na plataforma, pode ler os primeiros onze capítulos do livro Justa causaAQUI,  e postando suas primeiras impressões nas redes sociais, convidando todos a conhecerem a obra, ganhará um kit de marcadores. Além disso, a autora está com um sorteio do livro Se eu fosse Cinderela acontecendo. Para participar, basta preencher o formulário, AQUI

Aqueles que desejarem saber um pouco mais sobre a escritora podem fazer isso através de seu blog ou das redes sociais, cujos links deixarei abaixo:


Livros publicados:



Para comprar os seus livros:


Parceria com a escritora Gislaine de Oliveira

Cartas Portuguesas, romance epistolar de Mariana Alcoforado - Editora L&PM

O romance epistolar Cartas Portuguesas, de Mariana Alcoforado,  clássico da literatura portuguesa, publicado pela Editora L&PMconta a história de uma moça que vivia em um convento desde os doze anos. Ao conhecer um oficial francês, apaixonou-se imediatamente por ele. Seduzida e abandonada, a jovem religiosa começa, então, a enviar cartas arrebatadas ao seu amor. A obra é composta de cinco cartas, nas quais se percebe uma transformação que vem ocorrendo, gradativamente, no entendimento que a moça tem da situação. Embora haja controvérsias quanto ao fato de as cartas terem, realmente, sido escritas por uma mulher ou, então, se teriam sido produzidas por um homem, vai-se considerar, para esta análise, a primeira hipótese, já que é o único elemento que se tem: uma obra cuja autoria é atribuída a uma mulher.

Na primeira carta, embora chorosa, ela demonstra que acredita no amor do oficial e tem esperanças de que ele volte:

"De modo nenhum quero imaginar que me tenhas esquecido. (…) E por que razão havia de me esforçar por esquecer todos os desvelos que puseste em me testemunhar amor? Tão encantada fiquei com tais desvelos que bem ingrata seria se não te amasse com o mesmo arrebatamento que a minha paixão me dava, quando me era dado gozar o testemunho da tua. (p. 15).
(…) poderei alguma vez viver sem males, enquanto não voltar a ver-te? (p. 16).
(…) só acuso a dureza da minha sorte. Parece-me que, ao separar-nos, ela nos fez todo o mal que tínhamos a temer: os nossos corações não os podia ela separar! O amor, mais poderoso do que ela, uniu-os para toda a vida!" (p. 18).

A passagem acima demonstra, claramente, que a jovem acredita que não sofre sozinha, pois pensa que a distância causa a mesma dor no oficial. Na segunda correspondência enviada pela noviça, a dúvida quanto ao amor do oficial e quanto ao seu possível retorno começa a corroê-la:

"(…) e olho sem cessar o teu retrato, que me é mil vezes mais caro do que a vida. É ele que me dá alguma alegria; mas provoca-me também um grande sofrimento, quando penso que talvez nunca mais te volte a ver. E por que há de ser possível que nunca mais te veja? Ter-me-ás abandonado para sempre? (p. 27)."

Todavia, ela ainda crê na possibilidade de sensibilizá-lo, de forma a fazê-lo voltar atrás na decisão de ficar afastado. Para isso, tenta algo que se aproxima de uma chantagem emocional, fazendo-lhe ver o quanto ela padece, o quanto o ama, ou seja, ela sofre, mas ainda acredita que a situação desfavorável em que se encontra pode ser revertida por meio da demonstração de dor presente em suas cartas:

"(…) a tua disposição para me atraiçoar acaba por levar a melhor sobre a justiça que deves a quanto fiz por ti. (p. 22).
Serão, então inúteis todos os meus desejos? E não hei de tornar a ver-te no meu quarto com todo o ardor e impetuosidade que me manifestavas?" (p. 22).

A terceira carta mostra o auge da amargura e da desilusão da jovem religiosa. Esse é o momento em que ela se dá conta da realidade, percebendo que o amor que nutre pelo oficial não é correspondido. É aqui que a crise da moça atinge o topo e que se percebe mais claramente a transformação que está ocorrendo em seu modo de enxergar o romance:

"Enfureço-me contra mim própria quando penso em tudo quanto te sacrifiquei: perdi a minha reputação, expus-me ao furor dos meus parentes, à severidade das leis deste país contra as religiosas e à tua ingratidão, que me parece a maior de todas as desgraças. (p. 34).
Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar muitas vezes em mim. A minha memória ser-te-ia cara, e talvez fosses sensivelmente tocado por uma morte fora do comum. Não valerá mais a morte do que o estado a que me reduziste?" (p. 36).

Percebe-se, através do tom depressivo das passagens acima, o momento de crise expresso nas palavras da menina, o que aumenta na quarta carta, pois então, ela já não acredita mais, definitivamente, no amor do oficial. É nesta parte da obra que ela demonstra mais clara e abertamente a sua mágoa:

"Consumiste-me com a tua assiduidade! Inflamaste-me com os teus transportes! Encantaste-me com as tuas complacências! Tranquilizaste-me com as tuas juras! A minha violenta inclinação me seduziu, e o que se seguiu a estes inícios tão agradáveis e tão felizes são apenas lágrimas, suspiros e uma morte atroz, sem que a isso possa dar remédio algum. (p. 42 – 43).
Acompanha-me constantemente, e é para mim desagradável em extremo o ódio e o desgosto que sinto por todas as coisas. A minha família, os meus amigos, este con­vento, tudo me é insuportável! Tudo o que sou obrigada a ver e tudo o que tenho de fazer por absoluta necessidade me é odioso. Sou tão ciumenta da minha paixão que até me parece que todas as minhas ações e que todos os meus deveres a ti se referem." (p. 46).

Por fim, a quinta e última carta apresenta a total transformação sofrida pela garota, que não só não acredita mais neste amor, como, também, está determinada a esquecê-lo. Este capítulo representa a determinação de um rompimento definitivo da moça com o seu passado. Nesse intuito, ela se torna agressiva, em vez de amorosa como antes. Passa a desfazer do antigo amante, na tentativa de se convencer de que ele nada vale:

"Deixei-me seduzir por qualidades bem medíocres! Que fez, afinal, que me pudesse agradar? Que é que me sacrificou? Não procurou antes mil outros prazeres? Acaso renunciou ao jogo e à caça? Não foi o primeiro a partir para a guerra? Não foi o último a voltar de lá? Nela se expôs loucamente, apesar de lhe ter pedido que se poupasse por amor de mim. Não fez nada para se fixar em Portugal, onde era estimado: bastou uma carta do seu irmão para o fazer partir daqui sem hesitar um momento. E não vim mesmo a saber que, durante toda a viagem, mostrou sempre uma extraordinária boa disposição? É forçoso reconhecer que sou obrigada a odiá-lo mortalmente! (p. 66).
Que perfídia! Julga que pôde enganar-me impunemente? Se algum acaso o trouxer a esta terra, juro-lhe que o entregarei à vingança dos meus parentes." (p. 67).

Essa transformação, mencionada acima, fica evidente, ainda, se compararmos o final de cada carta:

"Adeus! Não posso mais! Adeus! Ama-me sempre e faze-me sofrer ainda maiores males." (p. 18).
Adeus, adeus! Tem compaixão de mim! (p. 27).
Adeus! Minha paixão aumenta a cada momento! Ah!, quantas coisas tinha ainda para te dizer!… (p. 37).
Adeus! Perdoa-me! Já não ouso pedir-te que me ames: vê a que estado me reduziu o meu destino! Adeus! (p. 54).
Sou uma louca em voltar a dizer as mesmas coisas tantas vezes! É preciso que o deixe e que não volte a pensar em si. Julgo mesmo que não voltarei a escrever-lhe. Tenho alguma obrigação de lhe dar contas dos meus atos?" (p. 70)

Há uma gradação no comportamento da jovem, que inicia pedindo para ser amada; após, pede compaixão; em seguida, afirma ver o seu amor aumentar, demonstrando que está no limite; continua, afirmando não ousar pedir-lhe mais nada; e, finalmente, rompe em definitivo com qualquer possibilidade de esperança para o seu amor.

O tema da mulher arruinada por um amor não correspondido não é incomum, podendo ser encontrado em várias obras. Entretanto, Cartas Portuguesas apresenta a particularidade de mostrar uma transformação que pode ser vista com certo otimismo, estabelecendo-se relação com o mito da ninfa aquática Clície. Esta era apaixonada por Apolo, que a desprezava. De tanto amor, ficou completamente debilitada, passando os dias inteiros sentada no mesmo lugar, observando o trajeto do carro do Sol. Ficou nessa situação exatos nove dias, sem comer nem beber nada, alimentando-se apenas de suas próprias lágrimas e do orvalho. Durante todo esse tempo ela, diariamente, esperava o nascer do Sol e acompanhava, com o olhar, o seu percurso, até o momento do crepúsculo, sem ver nada além do ser amado. Finalmente, seus pés começaram a criar raízes e seu rosto tornou-se uma flor que gira sobre a própria haste, sempre virada para o Sol. Dessa forma, o amor frustrado da ninfa Clície transformou-se na flor que conhecemos pelo nome de girassol.

Se as crises pelas quais todos passam servem para tornar os indivíduos melhores, de alguma forma. Pode-se entender essa obra como a metáfora da transformação através da dor. Ampliando o sentido inicial, de amor malogrado, é possível pensar que todas as frustrações, qualquer que seja a sua natureza, podem ser transformadas em algo positivo, desde que o indivíduo possa viver todos os momentos do processo psicológico que as envolve. Foi o que aconteceu com a jovem autora das cartas, pois da mesma forma que Clície transformou-se, através do seu sofrimento, eternizando-se no girassol, a religiosa eternizou-se oferecendo-nos a flor que é o romance epistolar Cartas Portuguesas, obra-prima da literatura portuguesa.

Cartas Portuguesas, romance epistolar de Mariana Alcoforado - Editora L&PM

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